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12 livros escritos por mulheres para ler em 2022

Histórias com toques autobiográficos, romances sobre amor, desamor, maternidade, prosa e poesia: este é um balaio literário que CLAUDIA propõe às leitoras

Por Joana Oliveira Atualizado em 24 jan 2022, 16h58 - Publicado em 24 jan 2022, 10h00

Tanto em prosa quanto em poesia, ficção, não-ficção, auto-ficção e tantas outras possibilidades de gênero e linguagem, as mulheres de todo o mundo têm criado narrativas que expandem os limites das possibilidades literárias. Alguns dos títulos mais incensados — especialmente no Brasil — nos últimos anos são assinados por elas. Aqui, CLAUDIA recomenda 12 dessas obras como boas companhias para 2022:

Copo vazio – Natalia Timerman

Quando o amor acaba, para onde ele vai? O que resta? Essas parecem ser as perguntas que a autora tenta responder em Copo vazio (Todavia), romance que narra as dores do abandono, especialmente desse abandono líquido na sociedade do descarte. A protagonista Mirela vive, há três meses, um romance com Pedro, e tem grandes expectativas escancaradas (pelo menos para os leitores) sobre o futuro dessa relação. Até que ele desaparece, sem uma despedida, um adeus sequer — o famigerado ghosting — e ela, uma mulher bem-sucedida, independente e bela, desmorona. Com uma narrativa requintada, um texto sem sobras e uma cronologia ziguezagueante, Natalia Timerman parece transportar a subjetividade de diversas pessoas à história de Mirela, nesse romance curto de 140 páginas. R$ 37,05 na Amazon

O som do rugido da onça – Micheliny Verunschk

Com uma narrativa fragmentada, mas costurada com uma linguagem única, O som do rugido da onça (Companhia das Letras) narra a odisseia real vivida por Iñe-e, uma criança indígena Miranha que foi sequestrada, junto com outros menores, por dois exploradores alemães que vieram ao Brasil, no século XIX. Ela vive o trauma de ter sido arrancada de sua família, da sua terra e da sua cultura acompanhada dos seres encantados e divinos que fazem parte da tradição secular de sua gente. São eles que perpassam seus pensamentos e impressões sobre os lugares cada vez mais estranhos por onde ela passa. Nessa desventura, Iñe-e é acompanhada de Juri, outra criança indígena que foi roubada de seu lar, mas que não fala sua língua. Na trama, a autora amarra o passado com o presente de um Brasil que continua, já sem disfarces, massacrando a luta e existência dos povos originários. R$ 27,95 na Amazon

Tudo é rio – Carla Madeira

Apesar de ser o romance de estreia de Carla Madeira, Tudo é rio (Editora Record) tem uma escrita madura. A água presente no título é uma metáfora que rege todo o livro, principalmente a linguagem fluída — que é o centro do romance, mais do que trama. O enredo é um triângulo amoroso marcado pela infelicidade: Lucy é a prostituta mais célebre da pequena cidade onde vive e, tal qual a Geni cantada por Chico Buarque, gosta da vida que leva, uma provocação intolerável para a sociedade que só tolera putas se puder sentir pena delas. No bordel onde trabalha, conhece Venâncio, um homem que ousa não deseja-la e, por isso, torna-se sua obsessão. Ele, por sua vez, já conheceu o amor com Dalva, num romance tão perfeito que só poderia estar predestinado a findar. É sobre as dores dos muitos amores perdidos que a autora se debruça, nessa obra de poesia em prosa que parece abraçar o leitor. R$ 39,92 na Amazon

A cachorra – Pilar Quintana

Em A cachorra (Intrínseca), um dos romances mais desconcertantes da recente safra literária latino-americana, a colombiana Pilar Quintana expõe o ódio, as maldades e pequenas vinganças que permeiam o amor materno e todas as suas contradições. Damaris, a protagonista, adota uma cachorra recém-nascida e se desdobra em cuidados com o animal, que ocupa o lugar simbólico da filha que ela nunca teve. À medida que cresce, Chirli desenvolve comportamentos que desagradam a “mãe”, e esta experimenta sentimentos que afloram traumas e tragédias de sua própria infância, num paralelo (polêmico, quiçá) com as faces mais escuras e ocultas da maternidade idealizada. R$ 20,90 na Amazon

E se eu parasse de comprar? – Joanna Moura

A publicitária Joanna Moura vivia com o armário cheio e a conta bancária vazia. As compras eram sua válvula de escape para qualquer problema ou chateação cotidiana, um comportamento compulsivo que deixou-a financeiramente distante dos seus sonhos. Até que ela decidiu se desafiar a passar um ano sem comprar absolutamente nada, nem uma calcinha sequer. No auge dos blogs no Brasil, assim nasceu Um ano sem Zara, onde ela contava sua experiência e dava dicas de como usar e aproveitar as peças que já tinha no closet. Dez anos depois e com um leve bom humor, ela convida leitores e leitoras a repensar sua própria relação com o consumo, sem cartilhas ou receitas com este E se eu parasse de comprar? (HarperCollins Brasil). R$ 23,97 na Amazon

Chifre – Adelaide Ivanova

Entre poemas de amor e poemas políticos, o quinto livro de Adelaide Ivanova (Edições Macondo) é um convite à tomada de ação. Chifre, segundo a autora, é adorno e arma. Mas também é uma metáfora sobre traições e maledicências. É a todas essas ambiguidades e contradições que a poeta pretende fazer jus em sua obra. E também “aos teimosos, aos que não desistem do amor romântico e aos corações daqueles que teimam em seguir lutando, apesar de tudo.”

Tudo o que já nadei – Letrux

Na coletânea de textões, poemas despretensiosos e curtos aforismos (Editorial Planeta), Letícia Novaes, a cantora Letrux, convida a todas, todos e todes a tomar um caldo com ela e rir de si mesmo. Em uma ode ao mar e tudo o que ele representa em força, movimento e mudança, ela faz um passeio autobiográfico (e universal) dos mergulhos com os quais a vida nos presenteia, às vezes com convites a se jogar de cabeça, às vezes com a cautela de quem precisa tatear com os pés antes de se afundar na água. Viver é molhado. É salgado também. Atrai e apavora, mas sempre vale a pena. R$ 23,90 na Amazon

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A vegetariana – Han Kang

Considerado pela crítica especializada um dos livros mais importantes da ficção contemporânea, A vegetariana (Todavia), da sul-coreana Han Kang é um relato perturbador sobre a loucura. Ou pelo menos sobre como ela é carimbada na existência de mulheres que ousam desviar-se da realidade material e subjetiva que é esperada e cobrada delas. É o caso de Yeonghye, que, sofrendo com pesadelos, chega à conclusão que os seres estranhos que a atormentam nos sonhos são todas as almas vivas cujos corpos um dia ela consumiu e decide, então, parar de comer carne. Isso é suficiente para que sua estrutura familiar desmorone: seu marido convoca sua irmã e seus pais para uma intervenção e, na patriarcal sociedade sul-coreana, onde o consumo de animais também é uma tradição, todos querem impor regras sobre seu corpo e sua existência. A despeito do título, o livro não é um manifesto sobre o vegetarianismo, mas uma denúncia sobre a transgressão dos limites com a qual se desumaniza uma mulher. R$ 33,16 na Amazon

Primeiro eu tive que morrer – Lorena Portela

Não foi à toa que o livro de estreia de Lorena Portela causou rebuliço nas redes sociais. Muitas mulheres disseram identificar-se com a protagonista, uma jovem publicitária que é pressionada dar um tempo do trabalho e se refugia em Jericoacoara, no Ceará. Ali, entre sombra e mergulhos ao sol, ela se conecta com outras mulheres — sempre descritas a partir de suas personalidades e trejeitos, e não atributos físicos — se apaixona e vive uma espécie de renascimento. A perspectiva extremamente feminina do mundo, ao menos nesse livro, contesta a ideia socialmente arraigada de que enfrentar (ou aceitar) desamores, assédios, relações abusivas e excesso de trabalho é sinônimo de êxito ou força. Como diz a própria autora, trata-se de “um inventário da autodescoberta de uma mulher que nem se imaginava perdida”. (Publicação independente) e-book Kindle R$ 19,90 na Amazon

A pediatra – Andrea del Fuego

Cecília é cínica, egoísta, descarada. Uma personalidade distante da ideia do que deveria ser uma pediatra neonatal, uma médica que acompanha mães e suas crias nos primeiros momentos — e talvez os mais delicados — da existência humana. A protagonista canalha da obra de Andrea del Fuego odeia crianças, gestantes, parturientes e doulas quase com a mesma intensidade, mas algo nela muda quando, ao se envolver com um homem casado, pai de um de seus pacientes, começa a experimentar sentimentos inéditos pelo filho dele, que ela mesma ajudou a trazer ao mundo. Isso faz de Cecília uma mulher também apaixonante, pois revela em sua figura de rica mulher paulistana, sentada no trono da arrogância pelo poder concedido por um estetoscópio ao redor do pescoço, traços que a maioria de nós reconhece, mas prefere negar em nossas próprias personalidades. (Companhia das Letras) R$ 43,91 na Amazon

É sempre a hora da nossa morte amém – Mariana Salomão Carrara

Que segredos a memória guarda mesmo quando esquece? Depois do consagrado se Deus me chamar, não vou, de 2019, Mariana Salomão Carrara mergulha nas dores, reflexões e questionamentos de Aurora, uma idosa encontrada vagando pelas ruas e levada a um abrigo. Lá, ela conhece Rosa, assistente social com quem estabelece uma relação de afeto e para quem narra lembranças (verdadeiras ou inventadas?) de quando sua mãe penteava seu cabelo, de quando rezava errado na infância, de quando dava aulas em uma “escola de riquinhos”, da sua covardia diante da ditadura militar brasileira… E de Camila, que ora aparece como uma filha perdida, ora como uma amiga de infância que ela nunca esqueceu. São temas complexos tratados com linguagem leve que lembram que tudo o que se tem é a “essa miséria” e a beleza da própria vida. (Editora Nós) R$ 37,55 na Amazon

Coreografia do adeus – Aline Bei

Júlia Terra é fruto de um amor devastado. A jovem de vinte e poucos anos é a protagonista do segundo romance de Aline Bei (o primeiro foi O peso do pássaro morto) e busca a própria identidade em meio aos traumas e lembranças de uma infância entre a violência da mãe, Vera, e a distância do pai, Sérgio, ambos confinados em uma relação cujos escombros perduram mesmo após o divórcio. Já na vida adulta, Júlia experimenta o abandono como um cordão umbilical difícil de cortar. Pouco a pouco, no entanto, ela aprende a respirar por si mesma no mundo e encontra na palavra escrita sua salvação. (Companhia das Letras) R$ 22, 41 na Amazon

 

*A redação selecionou os produtos com livre escolha editorial em janeiro de 2022 – preços sujeitos a alteração. Nós podemos receber uma comissão por compra realizada na loja sugerida

 

 

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