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Escritoras brasileiras contam suas trajetórias na série “Elas no Singular”

Hilda Hilst, Clarice Lispector e Conceição Evaristo são algumas das autoras que têm suas histórias retratadas na obra

Por Ana Carolina Pinheiro - 17 mar 2020, 20h10

“Nós crescemos lendo autores homens”. Essa constatação da Fabrizia Pinto, diretora da série documental Elas no Singular, coprodução da HBO Latin America, Coiote e Primo Filmes, explica porque é necessário em 2020 uma produção que jogue luz nas histórias de oito grandes escritoras brasileiras. A produção será exibida na HBO Mundi, nesta terça-feira, às 23h.

Hilda Hilst, Conceição Evaristo, Rachel de Queiróz, Adélia Prado, Cora Coralina, Nélida Piñon, Lygia Fagundes Telles e Clarice Lispector ganham episódios particulares para contarem em primeira pessoa suas trajetórias. “Selecionei 20 escritoras, tentando cobrir o maior número de gêneros possíveis, como Cora Corolina, de 1800, até a contemporânea Conceição Evaristo”, explica Fabrizia a CLAUDIA.

Não por coincidência, a série chega para o público no mês da mulher. Para a autora, Elas no Singular é um convite para conhecer essas escritoras para além das páginas de seus livros. “Elas têm em comum o fato de serem mulheres, mas o que fica pra mim é que nós somos diversas. Poder passear dentro da cabeças dessas 8 escritoras foi fascinante. É muito importante poder contar as histórias dessas brasileiras e sair um pouco do universo masculino. Ouvir é diferente de ler suas obras”.

Diferente da maioria dos documentários, o público não encontrará depoimento de familiares, amigos e pessoas que tiveram algum contato com a personalidade retratada. Fabrizia explica que essas pessoas foram pontes para que a série tivesse materiais de apoio, como reportagens, obras exclusivas e lembranças pessoais. “Quis usar elas falando do começo ao fim. Cada episódio, quem relata tudo é a própria escritora, ou seja, é um monólogo”, considera.

Para dar voz a versos de livros e trechos de reportagens, atrizes foram convidadas para complementar essas falas, mas sempre em 1ª pessoa, como no caso da Beth Coelho no episódio de Hilda Hilst. “Todas elas tinham muito material, tirando a Clarice Lispector, que só tinha dado uma entrevista em toda a sua vida. E as vozes ajudavam a amarrar essas informações. Queria ouvir o que elas tinham a nos dizer sobre suas histórias”, comenta.

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Ilustrando as falas autobiográficas, a série se torna dinâmica por meio das imagens, sejam por fotos ou vídeos. Outro elemento utilizado por Fabrizia são as frases das obras das escritoras, que aparecem na transição de algumas cenas. “Nós fomos mais conduzidos por elas de acordo com cada história”, relembra a diretora, que também visitou as cidades em que as escritoras nasceram.

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