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Cozinha para 1: receitas fáceis e deliciosas para quem mora sozinho

Morar sozinho e cozinhar todas as refeições é desafiador. O chef confeiteiro Gui Poulain dá dicas para fazer receitas saborosas sem passar o dia no fogão

Por Marina Marques Atualizado em 19 ago 2021, 17h49 - Publicado em 19 jul 2021, 12h00

A ideia de cozinhar para si mesmo nunca pareceu monótona a Gui Poulain. Ele enxergava a experiência como uma oportunidade para se desafiar. Eram justamente os preparos complexos, como pães e doces, que o fascinavam.

“Quando criança, minha avó materna morava no apartamento de baixo e cozinhava quitandas mineiras. Tinha doce de leite de corte, pão de queijo, roscas… Adorava passar a tarde olhando e ajudando-a”, relembra. Ironicamente, só anos depois se aventurou nas primeiras tentativas de arroz, feijão e outros básicos. Foi em 2004, quando deixou a casa dos pais, no interior de Minas Gerais, para estudar em Belo Horizonte. Ele recorreu à mãe para aprender o rotineiro.

Gui Poulain
Gui segura Desalinho, de 2019, seu segundo livro publicado. A obra traz relatos sobre amor e perdas, além de um compilado de receitas doces | Foto: Patty Penna/CLAUDIA

Entre idas e vindas, que incluem alguns períodos dividindo apartamento com amigos, hoje Gui vive sozinho na capital mineira e compartilha aqui receitas que o acompanham no dia a dia. “O grande truque é ser prático e evitar estar o tempo todo na cozinha. Dessa forma, fica mais fácil de ter motivação e não cair na tentação do delivery”, diz.

Quando faz arroz, por exemplo, prepara porções extras e usa o ingrediente para variar o cardápio com outros preparos, como o arroz de gengibre. A sobra da abóbora, que acompanha o prato, pode virar uma sopa ou purê no dia seguinte. “É cansativo repetir a refeição vários dias, e tem esse mito de que morar só é comer sempre a mesma coisa, por isso gosto de pensar em pratos adaptados”, alerta.

Burrata com uvas ao balsâmico
Burrata com uvas ao balsâmico | Foto: Patty Penna/CLAUDIA
Tagliatelle com iogurte e cebola caramelizada
Para sair da mesmice, em vez do tomate, Gui acrescenta ao tagliatelle um molho inspirado no mjadra, prato árabe que leva cebola caramelizada e que aprendeu a fazer com um colega israelense | Foto: Patty Penna/CLAUDIA

Indispensáveis para quem mora sozinho, as receitas de uma única panela são outro incentivo a ir para a cozinha – quanto menos louça, melhor! “Gosto de variar os tomatinhos sobre a burrata com o agridoce das uvas com balsâmico. Parece complexo, mas faço tudo em uma frigideira com alho e sal”, diz sobre o ótimo aperitivo para acompanhar seu drinque favorito do momento, o Dark ‘n’ Stormy.

Drinque Dark’n’Stormy
O drinque Dark‘n’Stormy é uma versão mais prática do Moscow Mule – agrada os fãs de gengibre e pode ser preparada em poucos minutos | Foto: Patty Penna/CLAUDIA
Sopa de lentilha e curry
A sopa de lentilha não sai do cardápio do chef confeiteiro pela praticidade, pois pode ser congelada e aquecida em momentos de preguiça – além de sabor, o curry ainda garante um tom mais vivo ao caldo | Foto: Patty Penna/CLAUDIA

Formado em design gráfico, foi a gastronomia que ajudou Gui a superar um período difícil, quando perdeu a avó e foi demitido. Decidiu juntar as economias e estudar confeitaria na França. Em 2010, criou o blog Moldando Afeto, um espaço para dividir suas receitas.

“Eu tenho essa relação da comida com afeto. Minha família, que é do interior, quando comemorava um aniversário, se reunia na cozinha, por mais que a mesa da sala estivesse montada, num gesto de união. Mesmo hoje, em tempos de pandemia, morando sozinho, sigo tentando compartilhar. Quando preparo um bolo ou biscoitos, guardo num potinho e mando para um amigo. Foi uma forma que achei de estar próximo a quem eu amo nesse momento.”

Doces Memórias

O sobrenome adotado, Poulain, veio quando Gui fez um trabalho da faculdade sobre o filme O Fabuloso Destino de Amélie Poulain, e passou a ser chamado assim pelos colegas. Inspirado no gosto da protagonista pelas frutas vermelhas, ele criou os morangos assados ao vinho que recheiam o crepe, sua sobremesa favorita para os momentos de pressa.

Crepe de morangos assados ao vinho
Crepe de morangos assados ao vinho | Foto: Patty Penna/CLAUDIA
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A mesma delicadeza que tem ao medir com precisão os ingredientes de cada receita, como a confeitaria exige, ele também apresenta com a escrita. Já são dois livros publicados – antes de Desalinho, teve Cartas Amarelas, de 2015 –, em que receitas se mesclam a relatos de momentos e sensações.

Gui Poulain
| Foto: Patty Penna/CLAUDIA

“Desalinho veio após um período de depressão. Numa sessão de terapia, a psicóloga disse que meu conceito de amor era ilusório. Isso bateu forte em mim e busquei entender os amores que perdi, incluindo minha avó, meu primeiro namorado e meu último relacionamento. Nesse livro, incluí apenas doces que me remetessem a memórias, como o bolo que faria se fosse me casar. Preparei a receita para as fotos e doei para um ‘casamentaço’ de 40 casais LGBTQIA+ aqui em Belo Horizonte. Fico com o olho cheio d’água só de lembrar. De alguma forma, o bolo da cerimônia que não tive representou uma comunidade da qual faço parte.”

Confira o menu completo criado por Gui Poulain:

Dark‘n’Stormy

Drinque Dark’n’Stormy
Drinque Dark’n’Stormy | Foto: Patty Penna/CLAUDIA

Arroz de gengibre tostado com abóbora ao missô

Arroz de gengibre tostado com abóbora ao missô
| Foto: Patty Penna/CLAUDIA

Burrata com uvas ao balsâmico

Burrata com uvas ao balsâmico
| Foto: Patty Penna/CLAUDIA

Sopa de lentilha e curry

Sopa de lentilha e curry
| Foto: Patty Penna/CLAUDIA

Tagliatelle com iogurte e cebola caramelizada

Tagliatelle com iogurte e cebola caramelizada
| Foto: Patty Penna/CLAUDIA

Crepe de morangos assados ao vinho

Crepe de morangos assados ao vinho
| Foto: Patty Penna/CLAUDIA

Produção: Gui Poulain | Concepção Visual: Catarina Moura

 

 

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