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As grandes dúvidas sobre 2021 respondidas por especialistas

Carreira, saúde, finanças, turismo... CLAUDIA reuniu as principais perguntas das leitoras sobre o novo ano; confira as respostas de quem entende do assunto

Por Gabriela Maraccini, Marina Marques Atualizado em 15 jan 2021, 09h55 - Publicado em 18 jan 2021, 09h00

Dia 1º de janeiro de 2021, hora zero. As lembranças do ano que terminara há pouco eram projetadas em nossas mentes como um filme daqueles longos e duros de assistir. A impressão de dever cumprido crescia para quem resistiu a um dos períodos mais conturbados da história recente, mas não aparecia a tradicional sensação de página em branco, pronta para ser escrita. A chegada de um ciclo, ao contrário de outros anos, não trouxe apenas esperança e vontade de renovação, mas também incertezas.

Apesar do vislumbre de vacinas chegando, não há sinais de que a pandemia do novo coronavírus, que tomou 2020 inteiro e provocou graves mudanças sociais e pessoais, vá terminar totalmente em breve. Impossível fantasiar que a virada da meia-noite no começo do mês signifique nada além de um pequeno estímulo para mais meses de luta e luto.

Os medos nos preocupam. Quais são as possibilidades para o ano que se inicia? Poderemos colocar em prática aquilo que adiamos? Que tipo de objetivos devemos traçar? Antes de tudo, é preciso respirar fundo e evitar a ansiedade antecipada. Há que se manter firme visando a incrível capacidade de adaptação do ser humano e contando com a empatia que aprofunda o laço entre pessoas queridas.

Para elaborar a lista de questionamentos a seguir, perguntamos a vocês, leitoras de CLAUDIA, quais eram suas grandes dúvidas para 2021, este ano que nasce já com tantas expectativas. As indagações não são apenas sobre saúde, mas também empreendedorismo, finanças e até a respeito de pequenos escapes. Especialistas convidados colaboram com reflexões e abrem caminhos para quem busca alternativas. Já é algum alívio.

Desejamos que, independentemente do que virá, você realize alguns sonhos, encontre acolhimento e amor e, acima de tudo, mantenha-se forte, porque, mesmo que não de imediato, essa fase desafiadora vai passar.

As principais dúvidas sobre 2021 respondidas por especialistas - Saúde
Colagem: Catarina Moura/CLAUDIA

“Como grávidas podem se proteger da Covid-19?”, Geanne Brito

“Contrair o novo coronavírus durante a gestação pode ter diversos efeitos, como o parto prematuro, portanto a grávida pode ser considerada parte do grupo de risco. Evite frequentar lugares com aglomeração, use máscara e higienize tudo que vem de fora da sua casa – lembre-se que o vírus sobrevive em superfícies.

Além disso, é importante manter o corpo saudável, começando pelo sono. A noite é o momento em que o organismo faz o reparo tecidual e libera melatonina e outros hormônios importantes; respeite esse ciclo. Tente diminuir o estresse, praticando meditação e ioga e opte por uma alimentação equilibrada. Por enquanto, a vacina não é indicada para gestantes nem lactantes. Caso a mulher queira engravidar, é indicado aguardar três meses após a imunização.”

Debora Rosa, ginecologista natural e obstetra.

“É seguro pessoas com mais de 60 anos voltarem às atividades físicas coletivas?”, Eliana Monteiro

“No momento, não há segurança total, mas existem medidas para reduzir riscos. Atividades físicas em academias devem respeitar o distanciamento de 1,8 metro entre os frequentadores. É essencial o uso de máscara com três camadas, e elas devem ser usadas por, no máximo, três horas.

Higienize os equipamentos cada vez que for utilizá-los. Os estabelecimentos devem se atentar à desinfecção dos banheiros, oferecer álcool em gel e sabão para lavar as mãos. Evite aulas em grupos e momentos de conversa em que se costuma ficar a menos de um metro de distância.”

Maria Aparecida de Assis Patroclo, médica epidemiologista e doutora em Ciências da Saúde.

“Quando a vacina estará disponível para jovens?”, Sarah Xavier

“Somente o representante do Ministério da Saúde e das secretarias estaduais e municipais poderão fazer essa previsão. Tudo dependerá da aprovação das vacinas pela Anvisa, da compra de seringas e outros materiais; de como será feito o armazenamento; e de profissionais de saúde na ativa para a aplicação.

Em todos os protocolos já publicados por diferentes países, os jovens e crianças sadios estão no último grupo a ser imunizado por serem menos vulneráveis ao vírus – eles têm sintomas menos graves do que adultos e idosos e são, na grande maioria, assintomáticos.”

Maria Aparecida de Assis Patroclo.

“Para quem sofre de comorbidades, será seguro voltar ao trabalho presencial?”, Alice de Martin

“As pessoas com fatores que as tornam mais vulneráveis para as formas graves da Covid-19 só estarão razoavelmente seguras se estiverem vacinadas e desenvolverem imunidade, e quando 90% da população já tiver tomado a vacina.”

Maria Aparecida de Assis Patroclo

“Vamos recuperar a saúde mental?”, Sandra Valeria Rodrigues

“A pandemia e suas consequências impactaram – em maior ou menor grau – a saúde mental de todos, o que deve refletir ainda no pós-pandemia. Por isso, exercite diariamente a resiliência. Pratique técnicas de respiração e relaxamento; procure adotar hábitos saudáveis e um estilo de vida que não intensifique ainda mais o nível de estresse. Não seja demasiadamente exigente consigo mesma; se necessário, peça ajuda e divida tarefas e funções. Busque o autoconhecimento e respeite seus próprios limites.”

Marilene Kehdi, psicóloga.

As principais dúvidas sobre 2021 respondidas por especialistas - Finanças
Colagem: Catarina Moura/CLAUDIA

“Devo vender meu apartamento?”, Lucila Doria

“Com a queda dos juros, o mercado imobiliário está aquecido, mas vender ou comprar um imóvel envolve questões emocionais para além das financeiras. Primeiro, você precisa entender suas motivações. Caso decida ir em frente, pesquise o preço do metro quadrado na região; descubra se está prevista alguma melhoria no bairro que valorize o imóvel; deixe a documentação em ordem; faça um contrato de compra e venda bem detalhado; calcule o valor líquido que vai ficar para você depois de pagas todas as taxas e defina onde vai investir esse dinheiro. Uma opção que ganhou popularidade recentemente são os fundos imobiliários.”

Simone Sgarbi, jornalista especializada em educação financeira e dona do canal Investir, Eu?.

“Como economizar quando a renda já está toda comprometida?”, Tatiana Malta

“Mudar a situação financeira passa por três passos: exame, diagnóstico e tratamento. O primeiro é o levantamento de todos os gastos, seguido pela identificação dos seus ralos orçamentários e chegando, por fim, nas ações práticas para transformar. Pergunte-se se a vida que leva é aquela possível dentro do seu rendimento. O ideal é que seu padrão consuma, no máximo, 70% dos seus rendimentos líquidos.

Se você já enxugou tudo o que podia e continua sem economizar, é hora de pensar em aumentar sua renda. É essencial sair desse falso equilíbrio de que o que ganha é suficiente se nada sobra, pois qualquer emergência que acontecer exigirá endividamento. Melhor descer um degrau nos seus hábitos e poupar, mesmo que seja uma quantia pequena.”

Simone Sgarbi.

“Onde aplicar meu dinheiro em 2021?”, Sara Dotto Michelin

“Não existe um único melhor investimento, mas o ideal para cada pessoa. Se quiser montar uma reserva de emergência, uma quantia para sacar a qualquer momento, procure um investimento de liquidez diária. Independentemente da data de vencimento, você poderá resgatá-lo. Esse deve ser o primeiro objetivo de quem está começando a investir.

Caso a meta seja uma viagem daqui a dois anos, busque investimentos que paguem mais, pois o dinheiro estará retido por esse período. Os produtos mais indicados para isso são o Tesouro Selic, que é um título do Governo Federal de liquidez diária, ou títulos privados.”

Simone Sgarbi

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“Como equilibrar as contas sem perder a qualidade de vida?”, Sandra Valeria Rodrigues

“Coloque todas as contas na mesa, tire seu extrato do último mês e separe as despesas por tipo – alimentação, aluguel, escola das crianças. Observe quanto do seu dinheiro foi para cada uma dessas áreas. Separe dentro de cada categoria o que são gastos fixos, variáveis e o que não faz sentido, como tarifas bancárias inúteis.

Os dois primeiros devem ser negociados, já as variáveis são questões de comportamento, e o terceiro, eliminado. Tente negociar o aluguel, por exemplo, ou, em último caso, procure um endereço que seja mais condizente com seu objetivo financeiro. Se a conta de luz estiver alta, procure trocar as lâmpadas ou tirar aparelhos da tomada. O importante é ter maior controle sobre o seu dinheiro.”

Simone Sgarbi

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“O que esperar da economia nacional e mundial? como devem agir os microempreendedores?”, Eli de Freitas Melo

“A expectativa dos especialistas é da recuperação gradual da economia. A chegada da vacina tem trazido euforia, principalmente para o setor de serviços, um dos mais impactados em 2020. O microempreendedor aprendeu a importância de ter uma reserva financeira para manter o negócio em tempos de crise, e esse deve continuar sendo o foco.

Foi necessário também criatividade para fazer empresas sobreviverem e essas modificações seguem benéficas. Diminuir despesas fixas ainda é um bom ponto de partida para qualquer tamanho de empresa, aliado à procura constante por novos fornecedores, que deve figurar como meta do ano.”

Simone Sgarbi.

As principais dúvidas sobre 2021 respondidas por especialistas - Carreira
Colagem: Catarina Moura/CLAUDIA

“Quais são as tendências de carreira para 2021? devo empreender?”, Patrícia Oliveira

“Para uma decisão ser tomada de forma saudável, precisamos considerar variáveis externas e internas. As tendências apontam para a redução de oportunidades de trabalhos formais – a queda de empregos com carteira assinada já era realidade antes da pandemia e o cenário acelerou o processo.

Outra coisa importante é a necessidade de criarmos atividades de trabalho e de geração de renda que atendam os desafios de um mundo em intensa transformação. Começar algo próprio pode ser uma boa alternativa, portanto, desde que você esteja disposta e preparada para os desafios de abrir um negócio. Lembre-se que nem sempre um bom funcionário será um ótimo empreendedor ou empresário e vice-versa.”

Rebeca Toyama, especialista em estratégia de carreira

“É uma boa hora para mudar de emprego?”, Luciana Andrietta

“Essa é uma decisão muito pessoal, para a qual deve ser considerado seu momento de vida. Sair de um para outro só para mudar pode ser perda de tempo e trazer consequências negativas a longo prazo. Entenda: muitas pessoas que me procuraram durante a pandemia estavam atribuindo ao emprego desconfortos que não eram exatamente dessa esfera.

Ir para outro trabalho não vai resolver questões no casamento, indisciplina financeira ou desordem familiar. Avalie bem sob essa perspectiva e entenda o que você tem a ganhar com a nova vaga.”

Rebeca Toyama

“Devo enfrentar uma nova graduação para tentar outras oportunidades?”, Marília Melo

“A educação formal já vinha tendo seu papel questionado no mercado de trabalho antes mesmo da pandemia, pois nem sempre conseguia atender a demanda das empresas ou da sociedade. É importante se propor uma boa reflexão neste cenário de incerteza, lembrando que uma graduação vai demandar de quatro a cinco anos. Portanto, a opção é válida apenas caso esteja atrelada a objetivos muito esclarecidos, evitando que a decisão vire uma frustração.”

Rebeca Toyama

“Meu sonho é ter um escritório de arquitetura. Realizo ou espero?”, Vanessa Souza

“Como muitas pessoas estão em home office, há quem esteja optando por fazer pequenas reformas ou até mudar para um endereço mais confortável. Com isso, quero dizer que nós, arquitetos, estamos sendo muito acionados. No auge da pandemia, tivemos que parar as obras e seguir regras rígidas para reformas.

Mas a partir de agora acredito que seja um bom momento para transformar esse desejo em realidade. Não posso negar que será desafiador, mas defina bem suas metas e já vai largar na frente. O mercado da construção civil está muito aquecido e vamos colher os frutos disso daqui a algum tempo.”

Marina Carvalho, arquiteta.

“Qual a expectativa do setor imobiliário em relação aos empreendimentos comerciais, considerando a grande adesão ao home office?”, Ivana Francisca

“Os recentes anúncios da possibilidade de vacinação da população permitem vislumbrar um cenário com empresas retomando a atividade nos escritórios. Entretanto, seguindo uma tendência que já vem de antes da pandemia, muitas companhias devem adotar um modelo híbrido, que concilia o home office com o presencial.

Quem ainda não repensava o conceito convencional passou a prestar atenção a esse formato mais dinâmico, com ênfase em locais que propiciem encontros e troca de experiências.”

Basilio Jafet, presidente do Sindicato da Habitação em São Paulo.

As principais dúvidas sobre 2021 respondidas por especialistas - Turismo
Colagem: Catarina Moura/CLAUDIA

“É recomendado planejar uma viagem para a Europa em maio ou junho?”, Daniela Ferro

“As variáveis atuais são diversas e é importante que todas sejam consideradas. Avalie, antes de tudo, países com fronteiras abertas para receber turistas brasileiros. Dê preferência a destinos, hotéis, atrativos e prestadores de serviços que adotem os protocolos do Turismo Responsável.

Considere a inclusão de um ótimo seguro de assistência de viagem (o mercado já oferece opções com cobertura para Covid-19). Cabe também a você ser uma viajante responsável. Deve prevalecer sempre o bom senso e cabe fazer escolhas que aumentem a segurança e o conforto do viajante.”

Marina Figueiredo, cofundadora do Movimento Supera Turismo, vice-presidente do Conselho da Associação Brasileira das Operadoras de Turismo

“Esse começo de ano é indicado para comprar passagens internacionais?”, Sara Dotto Michelin

“É recomendado contar com consultoria de agentes e operadores de turismo para receber orientações profissionais a respeito de viagens nesse momento. Com tantas questões e mudanças rápidas, é mais delicado definir a estratégia de compra. Uma dica é estar ciente das regras e condições para uma eventual necessidade de adiamento ou remarcação da viagem, bem como as condições dos locais visitados.”

Marina Figueiredo

“Não seja demasiadamente exigente consigo mesmo. Se necessário, peça ajuda e divida tarefas e funções. Busque o autoconhecimento e respeite seus próprios limites”

Marilene kehdi, psicóloga

“Sou da área da educação e fico preocupada se os protocolos para a volta às aulas são realmente seguros para os professores”, Andrea Berardi

“Insisto que não existe segurança completa sem vacinação e cobertura de cerca de 90% da população. Considerando que as crianças e os jovens têm maior probabilidade de ter a forma assintomática da Covid-19, os adultos que interagem com elas ficam mais expostos, ainda que usem as medidas protetoras.

Além disso, alguns professores e demais trabalhadores na área da educação terão que interagir com outras pessoas nos transportes coletivos a caminho do emprego, sendo essa mais uma forma de exposição ao risco.”

Maria Aparecida de Assis Patroclo

“Tenho uma filha que completará 4 anos e, teoricamente, é obrigada a estar matriculada. Mas, ao meu ver, aula online para uma criança nessa idade não funciona. O que fazer?”, @meneghel13

“É possível tornar os momentos de aprendizagem mais prazerosos para você e sua filha. Certamente, a escola terá sensibilidade ao organizar atividades, seguindo o tempo adequado de acordo com a idade da aluna. No seu papel de mãe, é importante organizar uma rotina. Explique esse processo para sua filha, faça um cartaz que ela possa consultar durante o dia com desenhos explicativos.

Estimule-a a colocar um adesivo ao lado de cada etapa concluída e comemore com um elogio ou um abraço. Faça acordos com sua filha – mas não coloque recompensa ou chantagem – para que ela cumpra a rotina. É de extrema importância incluir momentos divertidos, atividades que ela goste muito, entre as obrigações.

A sua rotina também deve ter alguns períodos para auxiliá-la e dar atenção, retomando o conteúdo da aula e tirando possíveis dúvidas. Crie com ela o hábito de conversar sobre o dia de ambas e praticar escuta ativa.”

Simone Martiningui Onzi, coordenadora do curso de pedagogia no Centro Universitário da Serra Gaúcha (FSG)

  • Em tempos de isolamento, não se cobre tanto a ser produtiva:

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