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Unhas perfeitas ao extremo: o lado prejudicial dos alongamentos

Mão bonita de mulher é somente com unhas grandes e bem cuidadas? Conheça o relato de mulheres que estão se livrando dessas amarras

Por Nathalie Páiva 11 jul 2022, 09h22

Mulheres são submetidas diariamente a pressões estéticas, seja ao abrir o feed das redes sociais ou até em uma conversa sobre beleza com alguém do convívio. Com a tendência dos alongamentos de unhas, muitas pessoas que por algum motivo não conseguiam deixar as unhas crescerem ou que precisavam de maneiras mais eficientes para manter as unhas bonitas por mais tempo entraram na febre e ao fazerem o procedimento em exagero quase tiveram prejuízos irreparáveis, como no caso da empresária carioca, Sarah Monteiro.

“Eu tenho uma filha de três anos e com o nascimento dela, eu não consegui mais manter as minhas unhas feitas como antes, por falta de tempo. Passei a roer as unhas e quando fui no salão fui recomendada a fazer o alongamento com fibra, a profissional me disse que durava mais tempo e me apresentou a alternativa como uma facilidade. Sou a diretora de uma empresa, tenho uma cobrança muito grande de sempre estar produzida para reuniões e afins. Nesse momento eu me sentia também completamente desleixada e mesmo com a unha com a base e lixada, ainda sim, sentia a necessidade de estar com as unhas esmaltadas e sem estarem descascadas. Somada a todas essas situações, me rendi ao procedimento”, relata Sarah. 

Veja também: 8 segredos de expert para fazer as unhas em casa

O sonho de unhas perfeitas da empresária tornou- se um pesadelo quando o alongamento em excesso custou as suas unhas naturais. “Não vou mentir, no primeiro momento me senti sim muito bem com as unhas feitas, mas com o passar do tempo percebi que isso era uma ilusão, porque prejudicou a minha saúde. A unha por baixo da fibra ficou horrível, virou um papel. Eu tive que parar imediatamente de fazer o procedimento e perdi as unhas naturais, demorou seis meses para crescerem de novo e ficarem saudáveis. Logicamente, nunca mais voltei a fazer o procedimento, mantenho minhas unhas bonitas, mas com saúde agora”, conta.

Outra que se rendeu aos alongamentos, mas é adepta do procedimento até hoje é a paulista e jornalista Laura Britto. “Sempre tive unhas curtas porque eu tinha costume de roer e nunca gostei de pintar. No período da adolescência, comecei a escutar que era mais feminino e bonito mulheres com unhas grandes, caso contrário a mão ficava parecida com a de homem. Fiz de tudo para crescer desde que ouvi isso, só que eu sempre acabava roendo por conta da mania. Acabei desistindo da ideia até que em dezembro do ano passado comecei a usar fibra, o procedimento é caro, mas não consigo ficar sem. Toda vez que penso em tirar sinto que vou ficar feia e passar a impressão de relaxada ou coisa do tipo”, confessa. 

A opinião das pessoas que rodeiam Laura é outro fator que a faz não querer desistir da frequência do procedimento. ”Quando eu comecei a usar todos à minha volta falaram que as minhas unhas ficaram mais bonitas e melhor com o alongamento e quando comento em tira sempre falam para eu manter”, revela a jornalista. 

Dermatologicamente falando os alongamentos de unhas são saudáveis?

Alongamento de unha
Antes de realizar algum tipo de alongamento de unha consulte o seu dermatologista |Foto: Piranka/Getty Images
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De acordo com o dermatologista, Luan Lobo, todos os tipos de alongamentos de unhas trazem riscos à saúde. “Todas essas próteses de unhas (feitas em alongamentos e etc) são prejudiciais, independentemente do material utilizado por conta da cola. Ela gera um ressecamento muito grande e, além disso, com o material utilizado acontece um abafamento nas unhas que pode enfraquecer, quebrar, traumatizar a anatomia, um campo aberto para infecções como micose e dessa maneira a gente abre um leque muito grande de doenças que podem surgir por conta desse procedimento estético”, alerta.

O especialista também conta que sempre estimula suas pacientes a investirem no crescimento de suas unhas naturais. ”Não incentivamos nenhuma paciente a fazer o uso de próteses de unha, mas se ela chega no consultório e diz que tem um evento, primeiro é analisado se ela é gestante, tem diabetes, se está em tratamento de algum tipo de câncer, é alérgica a algum material usado no procedimento, se tem a pele sensível, se é maior de 16 anos – tudo isso é levado em consideração antes da aprovação médica para o procedimento”, diz o dermatologista, com base nas recomendações da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD). 

Depois de passar no médico e avaliar todas as questões citadas acima é recomendado fazer a manutenção do procedimento a cada 15 dias. “É preciso deixar a unha natural respirar para evitar todos os danos que já pontuamos, mas sempre priorize cuidar das suas unhas originais”, recomenda. 

E como essa pressão estética por unhas bonitas nos afeta emocionalmente?

De acordo com a psicóloga, Ivana Cabral, caso a mulher não perceba que está sendo vítima de pressão estética os prejuízos podem ser gigantescos. ”Insatisfação contínua, baixa autoestima, ansiedade, depressão. É o que possivelmente essa mulher vai sentir, pois é uma busca de felicidade por meio da beleza que nunca irá encontrar. Somos bombardeados o tempo todo por imagens de sucesso e perfeição, isso nos faz acreditar que precisamos nos encaixar nos padrões de beleza”, diz.” As mulheres ficam tão ocupadas tentando se encaixar no que é belo socialmente, que acabam perdendo contato com o que é mais verdadeiro. Que é se sentirem dignas de amor e pertencimento pelo que são agora”, destaca. 

Mas como nos libertarmos dessas amarras? Não tem uma receita, mas Ivana conta por onde começar. “Viver plenamente a vida pela perspectiva do amor próprio. Isso significa ter coragem para assumir as suas imperfeições, entender os seus erros. Não importa o que seja feito – esteticamente – ou o que fique faltando fazer, se baste por si só. Essa mensagem precisa estar gravada na mente da pessoa que quer viver plenamente”, orienta. 

 

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