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Cães e gatos: confira dicas infalíveis para se comunicar com os pets

Os animais dão inúmeros sinais que indicam alegria, desconforto e medo… E nós te ensinamos a identificar todos eles!

Por Kalel Adolfo 29 abr 2022, 08h54

A conexão que temos com os animais é algo indescritível: tem sensação melhor do que chegar em casa e ver aquele bichinho feliz de estar com a gente? Aliás, quem tem gatos ou cachorros sabe que os pets não precisam falar a nossa língua para entendermos tudo o que eles querem ou sentem. Porém, há muitos truques que, quando aprendemos, melhoram ainda mais essa comunicação.

Por exemplo: você sabia que um cachorro te lambendo o tempo inteiro não significa necessariamente que ele te ama? E que as piscadas dos gatos podem esconder um segredo muito fofo? No mínimo curioso, né? Portanto, para você dominar a arte de se comunicar com os bichos de estimação, Claudia entrevistou a consultora comportamental de cães e gatos Luiza Cervenka. Veja a seguir:

A linguagem corporal dos cães: como ler os sinais corretamente?

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Luiza começa explicando que, da mesma forma que não nos expressamos apenas com um único gesto, os cachorros também dependem do corpo inteiro para se comunicar. Portanto, não adianta observar apenas a movimentação do rabinho ou o posicionamento das orelhinhas para sair tirando conclusões.

Faça uma análise do conjunto inteiro — focinho, orelhas, pelos, posição do corpo e rabo —, para depois compreender de forma assertiva o que os bichinhos estão querendo dizer.

Movimentação do rabo

“Um clássico é o rabo para baixo, entre as patas. Este é um sinal de medo e representa que o bicho está se sentindo ameaçado”, explica Cervenka. Porém, a consultora comportamental traz uma informação surpreendente: nem sempre o rabinho abanando é sinal de felicidade: “O cão pode estar tenso e chacoalhar o rabo rapidamente. Isso está bem longe de alegria”, sinaliza.

“Um rabinho que está alto e sem balançar pode indicar um momento de tensão pré-ataque”, afirma. Porém, Luiza reforça que não podemos observar apenas a calda. Quando fazemos isso, não conseguimos antever o comportamento dos cães.

Como identificar um cachorro feliz

A especialista revela alguns sinais importantes para identificar se o seu cãozinho está realmente feliz: “Ele deve estar com a boca entreaberta, linguinha um pouco pra fora e a orelha relaxada, não importando se estiver para cima ou para baixo.”

Quando o cachorro não olha fixamente para nenhum lugar, e apresenta relaxamento corporal, também é um bom sinal.

Será que ele está confortável comigo?

O primeiro indício de um relacionamento saudável é o cachorro vir em sua direção espontaneamente. “Se você quiser se aproximar de um cão, nunca vá até ele. O ideal é fazer algo para o bichinho ir até você, como oferecer petiscos. Dar a mão é péssimo! Precisamos lembrar que somos o triplo do tamanho do cão, no mínimo. Imagine um ser com o triplo do seu tamanho vindo com a mãozona na sua cara?”, brinca Luiza.

“Se ele parar e congelar, não force a aproximação, porque ele está com receio da sua reação. Dependendo do que você fizer, ele irá te abocanhar. Desviar a atenção, o rosto ou cheirar algo sem motivo, também é um sinal de desconforto com a sua presença”, pontua.

Lambidas constantes não representam carinho

Olha a polêmica: se o seu cãozinho estiver te lambendo sem parar, isso não significa necessariamente que ele te ama incondicionalmente. “Isso pode representar que ele está tentando fazer muita amizade para ter certeza de que você não fará mal para ele”, alerta Luiza.

Como saber se o cachorro está desconfortável?

Existem diferentes graus de angústia: “É como se eles dissessem ‘Com licença, você pode se afastar’. Ou então: ‘Sai daqui, por favor’. E quando chegam no limite, simplesmente te empurram. A resposta que você vai obter vai depender do quanto você identificou os sinais que ele te deu antes”, pontua.

A especialista esclarece que o rosnado é um dos últimos recursos que o cachorro utiliza para demonstrar desconforto: “Antes ele já lambeu o focinho, bocejou, andou com a pata erguida, teve piloereção — quando os pelos ficam arrepiados — e colocou o rabinho entre as pernas. Mas para quem não prestou atenção, o animal é interpretado como raivoso. A mordida é um ‘neon piscando’ que você não o respeitou”.

Cachorros não entendem que fizeram “algo errado”

Sabe quando o cachorro faz xixi fora do lugar, e o dono chega e grita: “Olha o que você fez”? A reação natural dos bichinhos é colocar o focinho para baixo, abaixar as orelhas e curvar o corpo. Para muitos, isso significa que o pet entendeu que fez “algo errado”. Porém, a consultora garante que este não é o caso: “Esses sinais representam apenas desconforto. Ele está com medo da reação do tutor”, alerta.

Tons de latidos: como interpretar?

Antes de tudo, é necessário entender que o mesmo tom de latido pode ter significados diferentes para cada cachorro. Porém, podemos prestar atenção no ritmo do latido. Se for espaçado, significa que ele quer algo. Caso o latido seja contínuo, é sinal de estresse. E por fim, os uivos representam a comunicação a longa distância: “Isso acontece quando o cão está sozinho em casa, e tenta se comunicar com o dono que está longe”.

A linguagem corporal dos gatos: como ler os sinais corretamente?

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Antes de tudo, perca aquela ideia de que os gatos são agressivos ou traiçoeiros. Isso é um mito. “Nós interagimos e domesticamos os cachorros há 15 mil anos. Essa domesticação foi permitida por ambos, já que o cão se beneficiava do ser humano e vice-versa. Com os gatos, a história é bem diferente”, explica.

Segundo Cervenka, os gatos ainda são semi-domesticados, pois poucos buscam o ser humano. Comumente, eles estão à procura de alimentação no mesmo local em que habitamos. “Quando falamos sobre domesticação de gatos, precisamos resgatar o Egito Antigo, quando esses bichinhos começaram a ser vangloriados. A gente se aproximou deles durante o surgimento da agricultura e monocultura, já que alojávamos grãos. A reserva de grãos acabava atraindo ratos e baratas, que são alimentos dos felinos. Por isso, a aproximação entre nós e os gatos aconteceu. Mas não era porque eles queriam interagir conosco.”

Mas, claro, existiam os gatos mais dóceis que conseguiam se aproximar dos humanos, frequentar as suas casas e abandonar a caça: “Nestas situações, os gatos comiam, se reproduziam mais, e consequentemente, os genes ‘bonzinhos’ passavam para frente, fazendo com que os gatinhos ficassem mais receptivos às pessoas .Foi uma domesticação passiva, que acabou criando uma enorme variedade de preconceitos contra esses animais”, elucida a especialista.

Ela reafirma que os gatos não são maus: eles apenas não são obrigados a fazer o que queremos, diferente dos cachorros, que acabam sendo mais obedientes.

Como saber que meu gato está feliz?

Se o gato estiver se esfregando em você, tenha certeza de que ele te adora: “Ele está deixando o cheiro em você? Sim. Mas caso você fosse uma pessoa horrível, ele nem chegaria perto”, afirma Luiza.

Também há uma abanada de rabo bem curta e rápida chamada “tremelique”: este também é um bom sinal. “Quanto mais a calda estiver erguida, ou até flexionada, mais alegre o gato pode estar”, diz a especialista.

Ela também revela que, quando os gatos estão felizes, eles costumam procurar uma superfície para arranhar, que pode ser um sofá ou tapete. “É normalmente neste momento que eles recebem broncas dos donos desalmados.”

Vale ressaltar que, quando os gatos estão virados para cima, não é legal acariciar a barriga deles: “Apesar de ser um sinal de relaxamento, os gatos não gostam disso”. E por fim, um gatinho deitado com as patas “coladinhas” também é um indício de calmaria.

O piscar dos gatos

Algo muito fofo: quanto mais lentamente os gatos piscarem, mais tranquilos eles estão. E o melhor: ele quer passar essa serenidade para você e outros seres. Inclusive, alguns chamam isso de “beijo do gato”. Portanto, quando o seu felino estiver piscando para você, não desvie o olhar: ele quer apenas te acalmar.

E para descobrir que o gato está desconfortável?

É infalível: as orelhas do gato sempre denunciam quando ele está desconfortável com algo. “Se a orelhinha estiver lateralizada, ele está nervosíssimo. Saia de perto, porque ele vai matar o próximo. Caso as orelhas estiverem grudadas ao corpo, o felino está com medo. Em ambos os casos, as agressões podem ocorrer”, explica.

Os sinais de ataque envolvem sibilos, rosnados, demonstração dos dentes e por fim, as unhadas. Agora, importante: se as orelhas estiverem lateralizadas, a agressão pode ser ativa. Ou seja, ele virá até você para te bater.

Quando as orelhas estiverem para trás, a agressão será reativa. “Se você se aproximar dele, ele irá reagir. Caso contrário, nada acontecerá.”

Atenção aos pelos dos gatos

A consultora afirma que os gatos têm muita piloereção: “O rabo fica cheio, os pelos vão para cima e eles ficam corcundas. Isso acontece por agressividade, mas principalmente pela presença do medo. O motivo? Eles estão tentando se mostrar maiores do que realmente são, para afugentar o próximo e evitar conflitos”.

Outra dica essencial: bigodinhos para frente, pupilas dilatadas e boca de palhaço são indicativos de desconforto com o ambiente e dor física.

Significado dos miados

Luiza explica que ainda há muitas dúvidas acerca dos miados dos gatos, pois este não é um animal tão fácil de ser estudado. Porém, há um consenso de que os miados em ritmos normais representam que ele está pedindo algo. Já aquele famoso sibilo é um sinal de estresse ou medo.

Como se aproximar dos cães e gatos

“O primeiro ponto é compreender o comportamento deles e respeitar os sinais. Sempre que ultrapassamos os limites dos animais, vai dar problema. Portanto, associe a sua presença com algo que o animal goste muito”, aconselha a especialista.

No caso dos cães, apareça com petiscos ou pedaços de frango. Já com os gatinhos, traga brinquedos, os ratinhos que eles adoram, jogue coisas para eles brincarem. “Essa é uma ótima forma de se aproximar. Não seja carente querendo que todos te amem, porque nem todos os animais estão preparados para isso”, conclui.

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