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Ana Paula Valadão pode responder a processo por declaração homofóbica

Em vídeo viralizado nas redes, cantora gospel diz que HIV é um castigo ligado à homossexualidade e afirma que "aliança do casamento" evita o contágio

Por Gabriela Maraccini Atualizado em 16 set 2020, 12h32 - Publicado em 14 set 2020, 11h45

Ana Paula Valadão causou polêmica após fazer declarações homofóbicas no Congresso Diante do Trono, em 2016. Um vídeo da ocasião viralizou nas redes sociais no último sábado (12) e mostra a cantora gospel declarando que ser gay “não é normal” e que a AIDS é um castigo aos homens gays por terem “pecado”. Após a repercussão do caso, a Aliança Nacional LGBTI+ anunciou que irá processá-la por crime de LGBTfobia.

“Muita gente acha que isso [homossexualidade] é normal. Isso não é normal. Deus criou o homem e a mulher e é assim que nós cremos. Qualquer outra opção sexual é uma escolha do livre arbítrio do ser humano. E qualquer escolha leva a consequências”, começou Ana Paula.

Em seguida, ela usa a Bíblia para justificar sua afirmação. “A Bíblia chama qualquer escolha contrária ao que Deus determinou de pecado. E o pecado tem uma consequência que é a morte”, argumentou. Ela exemplifica o HIV como um exemplo da consequência da homossexualidade. “Tá aí a Aids para mostrar que a união sexual entre dois homens causa uma enfermidade que leva à morte e contamina as mulheres, enfim… não é o ideal de Deus”, disse.

Por fim, ela ainda afirma que “o único sexo seguro”, ou seja, que não transmite doenças e infecções, “é a aliança do casamento”. Essa declaração também é grave, pois vai contra diversos estudos que apontam para a incidência de transmissão de HIV entre pessoas casadas.

Assista, abaixo, a partir do minuto 56:35, o trecho do evento que viralizou nas redes sociais:

Aliança Nacional LGBTI+ irá processar Ana Paula Valadão por homofobia

Após a repercussão do caso, a Aliança Nacional LGBTI+ anunciou, em nota oficial, que entrará com um processo contra Ana Paula Valadão por crime de LGBTfobia.

“O discurso de Ana Paula beira ao absurdo, extrapolando a liberdade religiosa e de expressão, tornando-se um discurso odioso, fanático e amplamente desproposital, com consequências potencialmente desastrosas, principalmente para quem a segue”, diz um trecho da nota. “Nos encontraremos nas barras da lei a lei dos homens e das mulheres. Não se deve acreditar em um Deus como este pregado pela apresentadora, que espalha preconceitos, estigmas e ódio! Se a sua exegese e hermenêutica são essas, as nossas são os artigos 3º e 5º da Constituição Federal cidadã de 1988″, continua.

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Em entrevista à Carta Capital, Marcel Jeronymo, advogado e coordenador da Aliança, afirmou que Ana Paula “ao associar o HIV à comunidade LGBTI, comete o mesmo equívoco daqueles que quiseram ligar a pandemia do coronavírus à China.”

A apresentadora Xuxa também se posicionou sobre a declaração da cantora, dizendo que o comportamento dela deveria revoltar qualquer pessoa.

“Isso não pode ser uma briga ou uma decepção só pra quem é LGBT, não podemos e não devemos tolerar mais preconceito, discriminação e desamor em nome de Deus, quem concorda com essa senhora saiba que é crime, e guarde sua falta de amor ao próximo pra você”, escreveu Xuxa no Instagram.

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Isso não pode ser uma briga ou uma decepção só pra quem é LGBT, não podemos e não devemos tolerar mais preconceito, discriminação e desamor em nome de Deus, quem concorda com essa senhora saiba que é CRIME, e guarde sua falta de amor ao próximo pra vc.💜❤️💚🧡💙🧡🌈🌈🌈🙏🏻🙏🏻🙏🏻

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