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Stéphanie Habrich Stéphanie Habrich é empreendedora, apaixonada pelo mundo da educação e do jornalismo infantojuvenil. Fundadora do Joca, único jornal para jovens e crianças do Brasil, ela vai abordar aqui na coluna temas que interligam o contato com as notícias desde a infância e a educação, sempre pensando em como podemos ajudar nossos filhos a serem cidadãos com pensamento crítico.

O que é síndrome do impostor e seu impacto em nossas vidas

Colunista Stéphanie Habrich conversa com a coch Graziela Cajado sobre a síndrome do impostor

Por Stéphanie Habrich Atualizado em 14 jan 2022, 10h23 - Publicado em 17 jan 2022, 10h00

Um dia desses, estava conversando com Graziela Cajado, uma grande amiga minha que trabalha como coach e dá cursos para pessoas do mundo todo. Ela estava me contando sobre um novo curso que ela montou, que tem como tema a síndrome do impostor. Então, perguntei para ela o que seria essa síndrome.

Ela me explicou usando como exemplo a história de uma cliente dela que, apesar de ser bem-sucedida, tinha constantemente o sentimento de que uma hora descobririam que ela não passava de uma fraude.

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+ Como sabotadores internos impactam nossas vidas?

Quando Graziela me contou isso, tive a sensação de que o tempo congelou para mim, de tão impactada que fiquei. Aparentemente, eu (assim como várias outras pessoas) também tenho a síndrome de impostor. Quantas e quantas vezes já não pensei que uma hora descobririam que sou uma fraude? Quantas vezes não tive medo de que as pessoas percebessem que o meu trabalho e o seu impacto são, na verdade, uma grande enganação? Constantemente, tenho o hábito de dizer para mim mesma: “Não sou capaz de tudo isso que os outros enxergam em mim. Logo, logo eles descobrirão a minha enganação.”

Todas essas minhas questões e inseguranças são sintomas típicos da síndrome do impostor. Indivíduos que possuem essa tendência costumam se achar inferiores aos outros, embora todos ao seu redor digam que eles são altamente capazes. Na prática, o que acontece é que nenhum elogio dos outros é o suficiente para convencê-los do seu próprio talento. Muitas vezes, quem tem essa tendência subestima as suas próprias habilidades e minimiza as provas do seu próprio sucesso. Eles tendem a acreditar que todas as suas conquistas foram fruto de sorte ou de pessoas que superestimaram a sua inteligência e capacidade – o indivíduo não é capaz de reconhecer que chegou aonde chegou devido aos seus próprios méritos.

Do ponto de vista clínico, a síndrome do impostor não é classificada como uma doença mental e sim como uma desordem psicológica, que pode causar ansiedade, nervosismo, autossabotagem, dúvidas e inseguranças. Nesse sentido, as maiores vítimas são pessoas inseguras e que têm medo do julgamento alheio. Em números absolutos, isso corresponde a uma grande parcela da população mundial. Segundo o Internacional Journal Of Behaviour Science, mais de 70% das pessoas no mundo todo são afetadas por pensamentos impostores em algum momento da vida.

Inclusive, muitos desses indivíduos são personalidades famosas conhecidas mundialmente por seus dons e habilidades únicas, como o físico Albert Einstein. Fiquei sem palavras ao ler o depoimento dele e de alguns famosos que, a meu ver, eram talentos inquestionáveis. Compartilho com vocês, abaixo, alguns desses comentários.

“A exagerada estima em que meu trabalho é mantido me deixa muito desconfortável. E eu me sinto compelido a pensar que sou um vigarista involuntário”, Albert Einstein. Físico alemão que desenvolveu a teoria da relatividade, um dos pilares da física moderna.

“Parece que quanto melhor eu me saio, maior é o meu sentimento de inadequação. Penso que em algum momento, alguém vai descobrir que eu sou uma fraude e que eu não mereço nada do que conquistei”, Emma Watson. Atriz britânica, mais conhecida por ter interpretado o papel da Hermione na franquia Harry Potter.

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O que fazer para superar a síndrome de impostor?

Nenhum problema na vida tem uma solução simples e imediata. Mas há pequenas coisas que podemos fazer para aprender a lidar melhor com os pensamentos impostores. Seguem alguns conselhos dados por Graziela:

Converse com as pessoas que você confia sobre a forma como se sente. Você vai ficar surpreso ao perceber que muitas pessoas próximas de você também sofrem com a síndrome de impostor. Saber disso pode fazer com que libere os sentimentos que estão presos dentro de você.

Fique atento aos momentos e à frequência com que esses pensamentos impostores aparecem. O primeiro passo para resolver qualquer problema é identificar quando ele aparece. Assim, fica mais fácil para estabelecer estratégias para combatê-lo.

Separe fatos de sentimentos. Às vezes, nos culpamos por coisas que estão além do nosso controle. Por isso, é importante saber o que é um sentimento nosso e o que é um fato, que não está vinculado às nossas ações. Exemplo: um cientista vive se culpando por problemas que acontecem no seu laboratório. Até que ele começou a escrever os problemas em um papel e começou a perceber que muitos equipamentos vieram com problemas técnicos. Sendo assim, os problemas do laboratório não eram culpa do cientista (como diziam os seus sentimentos) e sim dos aparelhos (fato).

Diga para si mesmo mantras que estimulem a sua autoconfiança e positividade. Alguns exemplos: “Você tem talento”, “você é capaz”, “você pertence a esse lugar”.

Comemore toda vez que tiver uma conquista, mesmo que pequena. Visualize o seu sucesso e imagine-se conquistando o que deseja. Além disso, lembre-se sempre de que os erros fazem parte do processo.

Diante de tudo isso, cabe a nós aprender a lidar da melhor forma possível com as nossas próprias versões da síndrome do impostor. Em alguns momentos, a jornada pode ser mais fácil e em outros, mais difícil.

Então, o melhor que podemos fazer é nos esforçarmos para dar o nosso melhor em tudo o que fazemos e não pegarmos tão pesado com nós mesmos. Até porque nem todos os pensamentos são confiáveis e talvez aquela voz que diz que você é uma fraude, no fundo, não passe de um pensamento impostor e sem sentido.

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