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Rachel Jordan Especializada em imagem, comportamento e protocolos internacionais, Rachel Jordan é consultora, instrutora, palestrante e ministra cursos e workshops por todo o Brasil sobre imagem e comportamento no ambiente profissional

A voz feminina contra a violência no ambiente social e profissional

Luiza Trajano, Kamala Harris e Jacinda Ardern são algumas das lideranças apontadas pela especialista como símbolo na luta pela equidade de gênero

Por Rachel Jordan Atualizado em 10 nov 2020, 23h22 - Publicado em 11 nov 2020, 09h00

Parece incrível que às vésperas de 2021 ainda tenhamos que chamar a atenção de todos para que nossas vozes sejam ouvidas e respeitadas. Todas nós sabemos o quanto a discussão em torno das desigualdades entre homens e mulheres é antiga. Mas, apesar de inúmeras conquistas relevantes, ainda estamos muito distantes do mundo ideal, ou pelo menos justo, no que se refere à equidade de gênero. Portanto, falar sobre o tema é mais urgente do que nunca.

É claro que gostaríamos de focar em outros temas e dividir nossas energias com outras questões tão importantes quanto a desigualdade de gênero. Mas, o fato é que, diariamente, nos deparamos com situações estarrecedoras de preconceito, abuso e violência contra a mulher que nos deixam perplexas e nos fazem questionar: até quando seremos alvo de atos repressores, violentos e discriminatórios em diferentes setores de nossas vidas?

Lamentavelmente, essa é uma pergunta sem resposta positiva, pelo menos a curto prazo.  Quem ainda coloca em dúvida o quanto essa discussão é urgente e fundamental, basta acompanhar atentamente as notícias envolvendo mulheres vítimas de abusos e violência de toda ordem. Infelizmente, como muitos acham, não é mimimi. É uma realidade triste e, muitas vezes, trágica. Por isso, resolvi compartilhar com vocês essas reflexões que são vitais para todas nós.

Seja no ambiente social, familiar ou profissional, a verdade é que precisamos nos superar diariamente para provarmos o quanto somos sérias, competentes, profissionais e perfeitamente capazes de estarmos em posições de destaque, em postos que, em muitos casos, continuam dominados pelos homens. Este é o momento para derrubarmos paradigmas e superar questões culturais que estão enraizadas em nossa história. Haja coragem e resiliência, não é mesmo?

No que diz respeito à presença feminina no mercado de trabalho, diversas pesquisas já detectaram que as mulheres têm inúmeras características positivas que operam a seu favor no universo corporativo. Somos capazes de motivar, engajar e contribuir para o crescimento de nossos colaboradores, além de termos empatia para solucionar problemas e dar lucro para as empresas. Mas, apesar de todas essas evidências, continuamos relegadas a segundo plano e com salários inferiores se comparados aos dos homens. Sem falar no desmerecimento e falta de respeito que muitas vezes constatamos diante de nossos olhos.

Sim, conquistamos representatividade, mas estar no topo é outra história. Dados recentes da Organização Internacional do Trabalho demonstram a partir de informações das empresas que acompanham de perto a diversidade de gênero em posições de liderança, o aumento de 5% a 20% nos lucros. Apesar dessa constatação, estudos feitos no Brasil revelam que apenas 3% de mulheres ocupam cargos de liderança.

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A pesquisa Atitudes Globais pela Igualdade de Gênero, feita recentemente pela gigante Ipsos, revelou que três em cada 10 pessoas no Brasil, o que corresponde a 27%, afirmam que não gostam de ter uma mulher como líder. Quando observado pelo gênero, o estudo aponta que os homens são os que têm maior resistência, 31%. Enquanto, pasmem, 24% das mulheres ouvidas na pesquisa pensam da mesma forma sobre serem lideradas por outras mulheres. Ou seja, enfrentamos resistência também entre nós.

Mas, como prova de que podemos virar esse jogo, devemos focar no exemplo de mulheres que foram capazes de superar esses obstáculos e conquistar os mais altos postos de comando no mundo. O exemplo mais recente é de Kamala Harris, primeira vice-presidente eleita dos Estados Unidos. Kamala demonstrou durante a campanha e no discurso de vitória da chapa Biden-Harris, o quanto pretende fazer uso de sua voz em favor das mulheres. A primeira-ministra da Nova Zelândia, Jacinda Ardern, também reeleita recentemente depois de um trabalho brilhante no combate à pandemia de coronavírus, é outro exemplo. Assim como Angela Merkel, chanceler da Alemanha desde 2005 e irretocável numa das posições mais importantes do mundo. Sem contar as empreendedoras brasileiras, como Luiza Trajano, que nos mostram que existe luz no fim do túnel.

Penso que não queremos ser melhores que os homens, mas queremos chances iguais, e, principalmente, ser respeitadas e não sermos vítimas de violências. Abaixo sugiro alguns pontos que devemos refletir sobre nossa participação no mercado de trabalho.

Autoconfiança

Sofremos tanto descaso e preconceito que tudo isso abala nossa confiança nos deixando inseguras. Precisamos encontrar ferramentas para superar esses obstáculos sem perder a autoconfiança. Confiantes no nosso potencial somos capazes de soltar nossa voz e enfrentar as dificuldades, tanto social como profissionalmente.

Liderança

Precisamos estimular as empresas a terem comprometimento com as questões de gênero. Organizações mais modernas e conectadas com os avanços da sociedade, já detectaram que esse é o caminho e estão abrindo espaços para as lideranças femininas. Temos que lutar para que comportamentos e conceitos machistas parem de ser replicados no nosso trabalho e em nossas casas.

Persistência

As desigualdades de oportunidades e de salários, além da discriminação acabam nos desanimando. A persistência é uma de nossas armas para conquistarmos aquilo que buscamos. Persistência para vencer atos de violência e preconceito, e para conquistar nossos sonhos. Eles podem se tornar reais, basta que tenhamos consciência de que possível mudar padrões de comportamento impostos durante séculos.

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