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“Mulheres negras são a espinha dorsal da democracia”, diz Kamala Harris

O discurso de posse da primeira mulher negra e asiática eleita à vice-presidência dos Estados Unidos ressaltou a importância da força feminina

Por Isabella D'Ercole 8 nov 2020, 16h39

Foi difícil falar de outra coisa ontem senão do fim da contagem de votos das eleições americanas. O resultado chegou depois de cinco dias de ansiedade, já que o pleito ocorreu na terça (3). Com a maioria de votos no estado da Pensilvânia, o candidato democrata Joe Biden foi oficialmente eleito como o próximo presidente americano, impedindo o republicano Donald Trump de completar um segundo turno – é a primeira vez que isso acontece desde 1992 no país.

O mundo olhava de perto para essas eleições, pois o impacto da política americana é grande em outras nações, seja por questões comerciais e econômicas, seja por questões sociais. Mesmo com o feito, Biden não foi a grande estrela da noite. Quem brilhou no palco, de conjunto branco – uma homenagem às sufragistas americanas – foi Kamala Harris, a primeira mulher negra e asiática a assumir a vice-presidência da nação.

Em seu discurso, Kamala exaltou as mulheres, mas principalmente as mulheres negras. “Eu estou pensando nela e nas gerações de mulheres, mulheres negras, asiáticas, brancas, latinas, indígenas, que, na história da nossa nação, pavimentaram o caminho até esta noite. Mulheres que lutaram e sacrificaram tanto pela igualdade, liberdade e justiça para todos. Inclusive as mulheres negras, que são frequentemente esquecidas mas sempre provaram que são a espinha dorsal da nossa democracia”, disse ela.

Kamala citou a mãe, uma mulher indiana que foi para os Estados Unidos Estudar: “A mulher que é responsável por eu estar aqui hoje, minha mãe, Shyamala Gopalan Harris, que estará sempre em nossos corações. Quando ele veio da Índia para os Estados Unidos, ela talvez não imaginasse esse momento, mas ela acreditava muito na América, um lugar onde momentos assim são possíveis”.

Mais importante de tudo, Kamala deixou claro que entende a importância da representatividade e de seu papel nessa conquista. “A todas as mulheres que trabalharam para garantir e proteger o direito ao voto em mais de um século, essa noite eu reflito sobre seus esforços, sua determinação e a força de sua visão do que pode ser aliviado de tudo que tem ocorrido”, falou.

“Eu posso ser a primeira mulher nessa posição, mas não serei a última. Porque toda garota que me assiste hoje vê que esse é um país de possibilidades e para as crianças do nosso país, não importa de qual gênero, nosso país tem um recado para mandar: sonhe com ambição, lidere com convicção e olhe para você mesmo de uma forma que os outros não tenham olhado talvez porque eles nunca tenham visto antes”, disse, reacendendo a esperança de milhões de meninas de um dia alcançar postos de poder e ajudar a transformar a sociedade.

Vida e carreira

Kamala havia feito campanha pela presidência antes de se juntar a Biden. Ela compareceu a programas de TV, foi a escolas e sindicatos palestrar. São dessa fase os vários vídeos que aparecem dela dançando músicas de Beyoncé e outras estrelas com passinhos coordenados. A tentativa era pela única vaga do Partido Democrata, que acabou com Joe Biden.

Quando Joe se viu mais perto da Casa Branca, precisou pensar em um bom vice para acompanhá-lo. Kamala era a candidata perfeita. A advogada, filha de mãe indiana, Shyamala, e pai jamaicano, Donald, era a conexão ideal com um público que não se sente representado por Joe, um homem branco, de 78 anos e advindo de família tradicional.

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Os pais de Kamala se conheceram na Universidade de Berkeley, na Califórnia, onde ele cursou economia e ela, biomedicina. Ela planejava voltar para a Índia, mas se apaixonou, se casou e ficou nos Estados Unidos até sua morte, de câncer de cólon, em 2009. Além de Kamala, eles tiveram Maya.

O casal se separou quando Kamala tinha 5 anos e dois anos depois concluiu o divórcio. Depois de algum tempo, Kamala e a irmã se mudaram com a mãe para o Canadá, onde ela passou alguns anos de sua infância e adolescência. Mas voltou par aa Califórnia para se formar em Direito.

Após se formar, Kamala trabalhou em diversos cargos públicos, inclusive no Governo da Califórnia, e em 2017 chegou ao Senado. Ela trabalhou extensamente pelos direitos da população LGBT+, pelos direitos reprodutivos e atuou em casos de crimes violentos.

Casada com o advogado Douglas Emhoff, ela é madrasta dos dois filhos dele de um casamento anteriores, Cole e Ella.

 

O que falta para termos mais mulheres eleitas na política

 

 

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