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Ménage à trois: como adotar a prática sem perder o relacionamento?

Apesar de ser um fetiche válido, o sexo a três pode provocar sentimentos como o ciúmes e a paranoia em quem não está bem resolvido consigo mesmo e a relação

Por Kalel Adolfo Atualizado em 21 jan 2022, 20h19 - Publicado em 22 jan 2022, 09h30

Apenas falar sobre o ménage à trois já é controverso por si só: por mais que a prática seja uma fantasia corriqueira para muitos, tirar a ideia do papel acaba provocando um leque de discussões que envolvem tópicos como o ciúmes, autoestima, autoconhecimento, monogamia e até mesmo cultura. Quando convidamos uma terceira pessoa para a cama, já estamos quebrando determinadas convenções sociais. Porém, para muitos, o pensamento de “compartilhar” o próximo soa inadmissível. 

Aliás, não é incomum que a proposta do sexo a três dentro de um namoro ou casamento possa render desentendimentos graves, de questionamos se a pessoa não está satisfeita conosco a pensamentos sobre o vínculo amoroso ter perdido o “fogo” inicial. Mas, no fim das contas, o que o ménage realmente significa para a relação? Seria o início do fim ou apenas uma diversão momentânea? E o que precisamos trabalhar dentro de nós mesmos para embarcar nessa aventura sem sofrer grandes consequências? 

Para responder essas perguntas, CLAUDIA conversou com Lelah Monteiro, sexóloga clínica e psicoterapeuta do casal, que deu dicas para quem está cogitando aderir ao ~polêmico fetiche. Veja a seguir:

 

O ménage é uma forma válida de apimentar a relação? 

Todos nós temos desejos eróticos que muitas vezes reprimimos. Portanto, quando somos capazes de realizar esses anseios a dois, o relacionamento pode ser beneficiado por atributos como a cumplicidade e sintonia. “O ménage é uma forma válida de apimentar o relacionamento, já que concretiza fantasias que seriam consideradas como traição fora deste ‘combinado’”, afirma a sexóloga. 

Por que alguns casais terminam após realizar o sexo a três? 

Entretanto, a especialista alerta que é necessário ter cuidado: se por um lado o ménage pode apimentar o relacionamento, ele também pode gerar expectativas destrutivas para quem deseja usá-lo para salvar o vínculo amoroso. “Após o sexo a três, as pessoas podem ser tomadas por uma imensa decepção. Toda aquela projeção acaba caindo por terra. Um dos lados pode não se sentir bom o suficiente, nutrindo uma sensação de que o outro vale mais. O medo de ser trocado acaba aumentando”, esclarece. 

Dicas para o ménage não destruir o relacionamento 

Há uma série de dicas práticas e emocionais que podem contribuir para um sexo a três prazeroso e sem dores de cabeça. Antes de convidar outra pessoa para a relação, é necessário esclarecer alguns pontos: qual é a sua motivação para querer um ménage? Você está fazendo por pressão ou vontade própria? É possível  moldar o cenário para que a situação não saia do controle? Confira as dicas de Lelah: 

Evite convidar amigos e conhecidos 

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Por mais que pareça óbvio, não é recomendável chamar amigos ou conhecidos para o ménage à trois. Tal atitude pode aumentar as chances de uma das partes nutrir um envolvimento emocional com o “convidado”. Além disso, não é incomum que casais sofram exposições públicas após se envolver com alguém de seus círculos sociais. Segundo a psicoterapeuta, é importante preservar a imagem de nós mesmos e do relacionamento. Até porque, por mais que o ménage seja um fetiche saudável, muitas pessoas continuam mergulhadas em valores tradicionais que podem acarretar em críticas não-construtivas. 

Não evite refletir sobre o ciúmes 

Pense bastante em como a sua mente funciona diante do ciúmes. Você é alguém desapegado — que consegue diferenciar o que é apego e o que é amor — ou normalmente a ideia de ser trocado lhe deixa apavorada? Caso não tenha essa percepção bem desenvolvida, não se pressione em aceitar o sexo a três. Trabalhe o autoconhecimento e não sinta vergonha de entender que talvez este fetiche não seja o ideal para a sua personalidade. 

Estabeleça limites 

É importante estabelecer limites antes, durante e após o ménage. Por exemplo: haverá penetração? Beijar o outro está permitido? Vocês irão a um motel ou ficarão tranquilos em ter essa experiência na intimidade da própria casa? “Sabe aqueles combinados que você ‘bate o olho’ e já sabe até que ponto quer chegar? Esse é o limite que a gente pode avançar ou não. A relação, além de persistir, pode até melhorar caso esses limites sejam cumpridos. Muitos relacionamentos desandam quando os combinados não acontecem”, aponta. Portanto, reflita bastante sobre como tornar a experiência confortável para ambos. “Os dois precisam querer o ménage, e não apenas aceitar. Sem isso, não existem combinados ou limites”. 

Vá com calma e adote fetiches introdutórios 

Lelah indica o swing para quem ainda não está pronto para se aventurar no ménage: “A troca de casais, o exibicionismo e o voyeurismo são práticas legais para iniciantes. Elas possibilitam que você comece olhando, tendo experiências conjuntas, mas sem o dinamismo do sexo a três em que todos estão juntos”, esclarece. “Assistir um pornô e usar brinquedos eróticos também podem te ajudar.” 

Trabalhe características emocionais 

Não é impossível controlar o ciúmes ou paranoia durante o ménage. Mas para isso, Lelah reitera que é imprescindível trabalhar valores como a autoestima e a autoconfiança. A psicoterapia pode ser uma valiosa aliada no momento de elevar todas estas características. Com isso, é viável aproveitar o momento sem paranoias ou pensamentos sabotadores. 

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