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Empreendedoras criam absorvente 100% biodegradável por preço acessível

Além de democratizar o acesso a absorventes, a startup conta com mulheres em situação de vulnerabilidade social no seu quadro de funcionárias

Por Nathalie Silva (colaboradora) Atualizado em 18 jun 2021, 19h23 - Publicado em 18 jun 2021, 18h46

A startup EcoCiclo nasceu em julho de 2018 por meio do Pro Líder, programa de liderança e empreendedorismo de impacto. A missão da sua cofundadora, Hellen Nzinga, era a de lançar uma atitude que impactasse pelo menos um milhão de pessoas. Esse foi o caminho que ela percorreu até decidir lançar um absorvente biodegradável, com celulose e fibra de bambu na composição.

No subúrbio ferroviário de Salvador, onde nasceu e foi criada, Hellen observou uma moradora contando seu­­ dinheiro e vendo que não teria condições de comprar um pacote de absorvente. Naquele momento, ela sentiu vontade de fazer uma ação que ajudasse outras mulheres e fosse sustentável.

“No final, eu comprei o absorvente para ela e levei essa situação para as minhas colegas, que hoje são minhas sócias. Nós conversamos e juntas buscamos uma alternativa que fosse sustentável, prática e que não fizesse mal à mulher e ao meio ambiente”, conta a publicitária. 

As amigas citadas por Hellen são Patrícia Zanella, que cuida da comunicação do empreendimento, Karla Godoy, gestora financeira, e a recém-chegada Adriele Meneses, engenheira química.

Juntas, ela colocaram de pé a EcoCiclo, que, além de democratizar o acesso a absorventes, também tem como missão empregar mulheres em situação de vulnerabilidade social e preservar o meio ambiente.

“Nosso grande sonho é montar uma fábrica para empregar mais mulheres. De 2018 até 2019, nós tínhamos a ideia, mas o produto ainda era um projeto. Fizemos pesquisas para que o absorvente tivesse uma qualidade, segundo os critérios internacionais. Nosso objetivo é alcançar o mundo. Nesse processo descobrimos como fazer e criamos patente”, explica Hellen.

Ao passo que a ideia evoluía, as empreendedoras estudavam e pesquisavam ainda mais o que seria ideal para a qualidade de vida das mulheres, incluindo os hábitos durante a menstruação.

 A ajuda de empresas maiores na confecção do absorvente biodegradável também fez toda diferença neste período. “Ecociclo é um absorvente comum. A performance em relação à durabilidade, resistência, absolvição é igual aos produtos com plástico na composição. A diferença é que em vez de se degradar em 500 anos como um absorvente comum, o nosso leva apenas seis meses”, salienta.

Ainda durante o período de pesquisas Hellen viu que muitas pessoas tinham noção das opções sustentáveis de absorventes, mas mesmo assim preferiam o comum pela praticidade.

“Muitas dessas pessoas trabalham, estudam e não têm um local para trocar o absorvente de pano ou higienizar o copinho. Por isso que mantemos esse modelo comum para ter um descarte mais fácil”, diz.

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A publicitária ainda lembra que, no Brasil, o acesso à água também é escasso para pessoas em situação de vulnerabilidade social. “Não é todo mundo que menstrua que tem acesso ao recurso para fazer uma higiene correta”, aponta.

O absorvente, em 2020, começou a ser testado e vendido, mas como havia alta demanda e o produto era feito à mão, a produção precisou parar por um tempo. “A máquina que desenhamos está sendo produzida. Nosso produto será vendido a 14 reais, em uma embalagem com oito absorventes. A pré-venda conta com 300 pessoas na fila de espera”, comemora.

Para conseguir abranger mais pessoas, elas buscam empresas para investir na ideia e assim ver a opção sustentável ultrapassar as vendas no site da EcoCiclo (acesse aqui) e chegar até as gôndulas dos supermercados.

“Não conseguimos manter essa alta produção em escala por falta de investidores. Entendemos que a pandemia colaborou um pouco para isso também. Queremos pessoas compreendam nosso propósito e vejam a menstruação sem tabus”, destaca.

Opinião de quem menstrua

“Eu sempre tive o pensamento voltado para as causas sociais e ambientais, por isso, quando me apresentaram a alternativa, fiquei muito feliz. Já tinha tentado usar o coletor, mas não me adaptei. Também tenho receio das calcinhas absorventes, porém pretendo testar um dia”, compartilha a jornalista Fabiana Roomie, 33 anos, que já fez uso dos absorventes da EcoCiclo.

A jornalista ainda conta o que achou sobre a aderência na calcinha, as trocas e a absorção. “Adere com facilidade na calcinha. Em relação aos comuns, de plástico, ele é mais macio. Meu fluxo é intenso e faço trocas na mesma frequência que o outro, uso dois pacotes de absorventes”, explica Fabiana, que aponta também que os vazamentos são raros. “Só se demorar muito para trocar ou colocar na calcinha errado”, diz.

Marketplace de empreendedoras

A EcoCiclo está com uma plataforma para apoiar mulheres empreendedoras. As interessadas em integrar a plataforma devem fazer um pré-cadastro e um processo seletivo para saber se estão aptas ou não.

Quatro empresas já fazem parte da plataforma. Óleos da Mi, que comercializa óleos e manteigas vegetais; Costura Solidária Sustentável, formada por um grupo de mulheres negras costureiras que produzem peças como bolsas e aventais; Acolhe, que oferece cosméticos naturais e a OiFlor, que vende produtos feitos à mão e da terra, como vasos e bacias para plantas.

Patrícia Zanella, cofundadora da startup, fala os pontos principais que uma profissional precisa ter para ser selecionada. “Para fazer parte desse projeto, é preciso haver conexão com aquilo que acreditamos. Então, não é uma plataforma onde a pessoa se cadastra e entra. Há algumas etapas a serem cumpridas, sobretudo porque o nosso intuito é fazer com que esses negócios prosperem e com qualidade”, destaca.

Para participar do processo de seleção clique aqui. Agora, se você quer conhecer a EcoCiclo mais de perto e futuramente se tornar uma investidora, é só entrar em contato pelo e-mail ecociclooficial@gmail.com.

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