Como a terapia online muda a vida de pessoas

Regulamentada há cerca de um ano, as consultas à distância trazem diversos benefícios para o paciente e democratizam o acesso ao tratamento psicológico

Você sabia que é possível fazer acompanhamento psicológico online? Feita através de uma chamada de vídeo entre paciente e psicólogo, a sessão de terapia pode acontecer em casa, no trabalho, na faculdade e, até mesmo, em outro país.

Regulamentada há cerca de 1 ano pelo Conselho Federal de Psicologia (CFP), a prestação de serviços psicológicos à distância traz diversos benefícios aos pacientes, devido, principalmente, a facilidade e comodidade que a atividade traz.

Há uma maior economia de tempo, levando em consideração que o paciente não precisa se deslocar para ir até o consultório, de dinheiro, pois há psicólogos que cobram mais barato por sessão, e a possibilidade de fazer em qualquer lugar que o paciente quiser, desde que seja seguro – e tenha acesso à Internet.

A jornalista Ana Luiza de Lima, de 23 anos, por exemplo, é adepta a terapia online. Ela passou por algumas situações bem complicadas como morte na família, parentes que foram presos e até relacionamentos conturbados. Mas a rotina corrida, com plantões no trabalho, a impedia de cuidar de sua saúde mental. Descobrir a possibilidade de receber acompanhamento psicológico pela internet foi um divisor de águas para que ela conseguisse cumprir a meta de se cuidar mais.

“Eu acho fantástico a possibilidade de fazer terapia em casa, só de blusão”, brincou ela em entrevista à CLAUDIA. “E também na correria do dia a dia. Eu já fiz dentro do carro, na universidade, no trabalho…”

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Na visão de Ana Luiza, a terapia online é importante também para democratizar o acesso ao psicólogo. “Não é todo mundo que consegue pagar. Eu mesma não teria condições de fazer uma terapia do modo convencional. Eu acho isso revolucionário”, declara.

Fazer terapia pela Internet também possibilita pessoas que estão morando fora do Brasil de terem acesso a psicólogos brasileiros e de fazerem sessões em português. É o caso de Renato Barros, de 35 anos. Ele, atualmente, trabalha em uma cidade na Nigéria chamada Onne e fica 52 dias longe de sua esposa e de seu filho, que moram em Maricá, no Rio de Janeiro.

O trabalho que ele desenvolve já fazia com que ele ficasse fora do país desde 2011. “Desde essa época, eu já sentia falta de algum tipo de suporte, mas não conhecia nenhuma ferramenta que oferecesse terapia à distância”, conta.

Após se tornar pai, Renato sentiu ainda mais a necessidade de ter um acompanhamento psicológico, ainda mais por passar muito tempo sozinho no exterior. “Eu sinto que passei a ter muito tempo sozinho com meus pensamentos e eu não gostava muito disso. Eu tive uma relação complicada com meu pai e eu não queria levar meu filho pela mesma estrada”, revela.

Ao encontrar a terapia online, ele afirma que houve uma mudança total em sua vida e na forma como lidava com questões internas.

“Nessa realidade bruta [de trabalhar longe da família] em que vivi tanto tempo, em um mundo aonde os meninos aprendem que ‘homem não chora’, eu resolvi fazer as pazes comigo e aprender a chorar”, reflete. “No fim, a terapia me ajuda a segurar a onda por ficar tanto tempo fora de casa, me ajuda a lidar com medos e insegurança de forma saudável, mas acima de tudo, a lidar com a ansiedade, minha maior adversária.”

Todos podem fazer terapia online?

Até algum tempo atrás, a terapia online só era recomendada para empresas ou para casos de divórcio. Mas com a regularização, qualquer paciente pode usufruir do serviço. Inclusive, dependendo do quadro psicológico, é até melhor fazer sessão à distância.

“Casos como síndrome do pânico, por exemplo, é melhor fazer online, porque o paciente tem medo de sair de casa”, aponta Tatiana Pimenta, CEO e fundadora da Vittude, plataforma que conecta psicólogos e pacientes e oferece atendimento online. Crianças e adolescentes também podem se consultar pela Internet, desde que seja com a autorização dos pais.

Tatiana reitera que a única restrição é para casos de eventos traumáticos, como tragédias como a de Mariana, em Minas Gerais, por exemplo, ou pessoas em crise suicida. Nessa última situação, é recomendado que ela busque ajuda no Centro de Valorização da Vida (CVV), em hospitais, pronto-atendimento, SAMU, ou ligar para o Disque 188.

Crescimento e tendência

O acompanhamento psicológico à distância já é uma realidade e está em alta. Tatiana afirma que, em sua plataforma, cerca de 85% das consultas são online, enquanto que apenas 15% são presenciais.

O principal motivo para isso é a falta de acesso a uma consulta, especialmente pela grande quantidade de pacientes morando fora do Brasil, como o Renato. “1/4 dos nossos pacientes mora fora do Brasil e estão distribuídos em 52 países, sendo os Estados Unidos o país com maior número de pacientes e fazer terapia em inglês não é a mesma coisa que em português, então essas pessoas procuram a terapia online para isso”, opina. “Além disso, no próprio Brasil, diversas cidades pequenas não tem acesso a sessões presenciais.”

Outro motivo é a dificuldade de locomoção em cidades grandes. Fazer terapia por vídeo é mais conveniente e reduz custos e tempo. “Acaba sendo mais confortável para essas pessoas com rotina agitada. Eu mesma faço em casa, por exemplo”, afirma Tatiana.

É possível, ainda, fazer a sessão tanto pelo computador, quanto pelo celular. É a era da tecnologia a favor da saúde mental.

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