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No parto, mulher sofre gordofobia e filho tem a orelha cortada

Isabella chegou a ouvir da médica que "na próxima gravidez deveria comer menos hambúrgueres"

Por Da Redação - Atualizado em 5 set 2020, 15h53 - Publicado em 5 set 2020, 15h47

O nascimento de Noah Samuel acarretou marcas que nenhuma mãe deseja ter em seu parto. No Rio de Janeiro, Isabella Kelly Pereira Aparecido, 22 anos, teve uma passagem traumática pelo Hospital Municipal Rocha Faria, já que acusa a equipe de gordofobia e de cortar a orelha do filho durante a cesariana, segundo o Universa.

Os comentários foram feitos durante a cirurgia, explicou Isabella, que chegou a ouvir da médica que ela precisava fazer dieta. “Logo em seguida o anestesista começou a reclamar de cansaço, que estava com sono e começaram a falar frases de baixo calão entre eles ao longo da cirurgia. Eu escutei muita coisa. Depois da cesariana eu fiquei aguardando e nisso uma médica me disse que na próxima gravidez eu deveria comer menos hambúrgueres”, disse a mulher, que sorriu sem graça. A profissional seguiu com os comentários ofensivos. “A médica voltou a falar que não estava brincando, que estava falando sério. Ela disse que eu não poderia ter esse corpo com a minha idade”.

Na espera de momentos mais tranquilos, Isabella passou por mais uma situação delicada ao chegar no quarto com Noah e perceber um corte em sua orelha. “Depois de muito questionar, porque ficavam alegando que aquilo era má formação da gravidez, uma médica veio até mim e disse que na cirurgia, na hora que o médico estava usando a pinça para abrir a minha barriga, a pinça perfurou a orelha do meu filho”, relatou.

O recém-nascido precisou ser encaminhado à Unidade de Terapia Intensiva do hospital por conta da lesão, mas as informações chegaram de forma desencontrada para a mãe. Isabella explicou que no primeiro momento a notícia era de que a internação seria para evitar infecção, mas depois médicos informaram que o bebê faria uma sutura no corte, em seguida a razão informada era de que Noah levaria um ponto na orelha. A alternativa final foi enfaixar a cabeça do bebê.

José Aparecido, pai de Isabella, esclareceu que a família irá processar o hospital, já que o mesmo agiu de má fé.

Segundo o veículo, a Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro irá investigar o caso com rigor e também confirmou o machucado na orelha do bebê, que passou por uma avaliação de um cirurgião pediátrico, durante a cirurgia. Entretanto, por meio de uma nota, a pasta informou que a lesão não foi o motivo da idade de Noah para a UTI. Leia a nota na íntegra:

“O bebê da Sra. Isabella Kelly Pereira Aparecida sofreu o corte no momento do parto, como foi explicado à mãe. O recém-nascido foi avaliado por um cirurgião pediátrico neonatal, que descartou necessidade de sutura. Por ser pequeninho, a melhor forma de se fazer um curativo neste caso é enfaixando a cabecinha. A internação do menino na UTI neonatal não tem relação ao corte, mas sim a outros quadros apresentados, como dificuldade para mamar e refluxo. A mãe está acolhida pela equipe da maternidade, recebendo todas as informações sobre o quadro. Nada está sendo omitido dela. Sobre o relato da paciente de ter ouvido frases ofensivas de médicos durante a cesariana, a direção da unidade está a disposição da paciente para mais esclarecimentos”.

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