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Eleita para Academia Brasileira de Letras, Fernanda Montenegro defende presença feminina

A partir de março de 2022, a atriz ocupará a cadeira de número 17

Por Da Redação Atualizado em 4 nov 2021, 19h59 - Publicado em 4 nov 2021, 20h01

Fernanda Montenegro, de 92 anos, passa a ocupar a cadeira de número 17 da Academia Brasileira de Letras (ABL). A decisão foi divulgada na tarde desta quinta-feira (4). Dos 34 votos, a atriz recebeu 32, sendo que os outros dois foram votos brancos. Para garantir a nomeação, era necessário ter, no minimo, 17.

A candidatura para ocupar o posto, que, até 15 de março de 2020, era do diplomata falecido Affonso Arinos de Mello Franco, ocorreu em outubro deste ano.

Em 2019, Fernanda lançou o livro de memórias Prólogo, ato e epílogo. Um ano antes, ela já havia publicado Fernanda Montenegro: itinerário fotobiográfico, obra com registros da sua vida pessoal e profissional.

“É algo assim, é uma viagem no imaginário, uma viagem no sublime. A minha arte não é imortal. A arte do ator é enquanto ele está ali vivo, presente em carne e osso. Mas, de uma forma poética, vamos dizer que é imortal. Eu fico muito espantada que uma academia que tem como princípio ser imortal, acolher uma atriz que só existe quando está em cena carnificando o personagem”, comentou Fernanda para o Jornal O Globo.

A artista ressaltou a desigualdade de gênero na Academia, que, como bem lembrado por ela, “já não teve nenhuma mulher”. “Isso [presença de mulheres nas cadeiras na ABL] não vai parar. Vai chegar uma hora que talvez tenha mais mulheres do que homens. Certamente, a chegada das mulheres vai ter força e será aceito. É do tempo atual, da justiça em torno da existência humana”, declarou.

A política nacional também foi abordada por Fernanda na entrevista. Segundo ela, o “atual governo é uma forca, um vômito, é uma apunhalada no ventre.” No entanto, a atriz não abandona a esperança. “Uma hora vai acabar. A grande tristeza é que ele entrou pelo voto. (…) As pessoas votaram no Bolsonaro. E por que votaram? Talvez porque os governos anteriores cumpriram só metade do prometido. Talvez tenha causado uma desilusão”, disse.

 

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