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Os desafios e as conquistas da chegada de um filho adotivo na pandemia

No Dia Nacional da Adoção, a funcionária pública Marcela Nóbrega conta sobre a integração dela e do marido com o filho Pedro, de 13 anos

Por Marcela Nóbrega Atualizado em 25 Maio 2021, 17h59 - Publicado em 25 Maio 2021, 17h36

“A adoção é algo muito lindo, é sobre confiança, paciência, amor e sobre descansar as coisas nas mãos de Deus. Mesmo antes de nos casarmos, já tínhamos pensado no possível nome para nosso filho: Pedro. Então, pela via adotiva, o nosso Pedro, com 13 anos, chegou no dia 20/03/2020, com o início da pandemia

O primeiro encontro foi muito emocionante pra nós. Já tínhamos ouvido as informações sobre ele e então fomos conhecê-lo. Ele estava numa ansiedade a mil. Foi difícil num primeiro momento encontrar pontos em comum, já que ele não conversava muito. Depois percebemos que ele tinha dificuldade para falar e organizar as ideias, mas sabíamos que ele nos queria bem.

Posso dizer que o amor foi se construindo aos poucos. Não foi amor à primeira vista e tivemos dúvidas no começo, mas o tempo nos ensinou sobre amor e respeito.

Adaptação na pandemia

É difícil encontrar coisas boas numa pandemia, mas para nossa família, especificamente, o home office e o tempo juntos foram fundamentais para a integração do Pedro.

Após ter vivido em diversos abrigos, sofrido todos tipos de traumas, aos 13 anos de idade, ele ainda não sabia ler. Fomos orientados pelo abrigo que esse aprendizado poderia nunca acontecer e para não criarmos muitas expectativas. Como somos professores, decidimos insistir e criar uma rotina de estudos. E com fé e persistência, o Pedro aprendeu a ler! 

Hoje fazemos acompanhamento junto aos professores da escola para adaptarmos as lições e atividades. Ele está acompanhando e já passa todas as manhãs assistindo às aulas online.

O desempenho e progresso dele deixaram todos surpresos. Isso nos mostra o que o amor é capaz de fazer, por isso incentivamos muito a adoção. Meu sonho é que toda criança e adolescente possa ter uma base, um apoio, uma família. 

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Eu e meu marido sempre tivemos a adoção, principalmente a tardia, em mente como via principal para ampliarmos nossa família. O processo de adoção é lento e burocrático, mas é muito importante para preparar os futuros pais para a adoção. Paciência, preparo e amor são fundamentais para tudo dar certo. 

É claro que a convivência tem seus momentos difíceis, por isso a importância de estarmos bem preparados. O Pedro nunca teve uma família, então como ele saberia se comportar em uma? Tivemos momentos delicados, assim como todas as famílias.

O Pedro pediu algumas vezes para voltar pro abrigo, coisas que contornamos com muita paciência, amor e firmeza. A fase de testes ainda perdura, mas com menos ocorrências. Temos muito orgulho do nosso filho, ele tem o sorriso mais lindo do mundo e o sorriso dele ilumina os nossos dias. Somos muito felizes.”

Conheça o grupo de apoio à adoção “Laços de Ternura”

Fundado  em 2 de agosto de 2001, o Grupo de Apoio à Adoção “Laços de Ternura”, que a Marcela e o Tiago fazem parte, oferece suporte aos pais e pretendentes à adoção com atendimento jurídico, psicológico e social.

Dentro da iniciativa, os pretendentes à adoção passam a ter mais contato com todas as questões que envolvem à rotina das crianças e adolescentes nos abrigos, o que provoca um despertar em relação ao perfil de escolha. A decisão geralmente ocorre não para simplesmente aumentar as chances de ter um filho, mas sim pela crença de que é possível amar uma criança independente de sua idade ou da cor da sua pele.

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