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‘Doutor Estranho 2’ renova a franquia da Marvel ao abraçar o terror

Com Benedict Cumberbatch e Elizabeth Olsen, “Doutor Estranho no Multiverso da Loucura” é uma prova da criatividade inesgotável de Sam Raimi

Por Kalel Adolfo Atualizado em 4 Maio 2022, 18h18 - Publicado em 5 Maio 2022, 08h12

*O texto a seguir contém pequenos spoilers de “Doutor Estranho no Multiverso da Loucura”.

Mesmo que Doutor Estranho tenha ganhado uma introdução tímida e pouco empolgante no Universo Cinematográfico da Marvel — sob o comando de Scott Derrickson — o segundo volume da franquia consegue atingir dois objetivos impressionantes: revitalizar a jornada de Dr. Stephen Strange nos cinemas e abrir um novo leque de possibilidades para os filmes de super-heróis. 

O responsável por essas conquistas não poderia ser ninguém menos que Sam Raimi. Mesmo estando há quase uma década sem dirigir quaisquer longas, o cineasta foi capaz de unir alguns de seus melhores feitos nesta continuação, como a atmosfera nostálgica de Homem-Aranha, o horror inventivo de A Morte do Demônio e a excentricidade cômica de Arraste-me para o Inferno

Em Doutor Estranho 2, Stephen (Benedict Cumberbatch) e Wong (Benedict Wong) conhecem a jovem America Chavez (Xochitl Gomez), que tem a habilidade de viajar por diferentes multiversos. Graças à raridade de seu dom, a menina acaba atraindo um poderoso demônio que deseja lhe roubar os poderes e, logo em seguida, matá-la. Para salvar a garota — e impedir que a capacidade de transitar por diferentes universos caia nas mãos erradas —, Stephen decide pedir ajuda à Feiticeira Escarlate (Elizabeth Olsen). 

*Pequenos spoilers a seguir! 

Elizabeth Olsen rouba a cena com interpretação intensa

Elizabeth Olsen interpreta uma das maiores vilãs do Universo Cinematográfico da Marvel em Doutor Estranho 2.
Elizabeth Olsen interpreta uma das maiores vilãs do Universo Cinematográfico da Marvel em Doutor Estranho 2. Walt Disney Studios/Divulgação

Como muitos já desconfiavam, a Feiticeira Escarlate é a grande vilã da produção. Porém, não estamos falando de uma simples antagonista: Wanda é implacável e impiedosa, sendo capaz de exterminar alguns dos personagens mais poderosos em questão de minutos. Contudo, toda essa crueldade é equilibrada por suas motivações mais do que compreensíveis. No fim das contas, esta é a receita de sucesso para criar vilões inesquecíveis, né? 

E Olsen consegue dar conta do recado: nos momentos de maior vulnerabilidade da personagem, a atriz transmite todas as emoções necessárias para que o público seja incapaz de odiá-la (mesmo diante de suas atitudes mais indefensáveis). E quando ela realmente abraça o seu lado sombrio, a estrela de Wandavision impõe respeito e proporciona uma atuação que se assemelha à inesquecível performance de Sissy Spacek em Carrie, a Estranha

Filme de super-heróis… ou de terror?  

Nova produção da Marvel propõe inovação ao apostar em direções sombrias.
Nova produção da Marvel propõe inovação ao apostar em direções sombrias. Walt Disney Studios/Reprodução

Esqueça tentativas frustradas como Novos Mutantes e Brightburn: a sequência de Doutor Estranho traz a melhor fusão entre o gênero de heróis e o terror do cinema recente

Mesmo com as limitações provocadas pela classificação indicativa, Sam Raimi consegue fazer milagres ao assustar e criar situações mórbidas em um filme da Marvel. Zumbis, monstros criativos, jumpscares e ambientações fantasmagóricas: todos esses elementos tão amados pelos fãs de horror estão presentes na narrativa. 

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Aliás, há até alguns momentos em que a trilha sonora nos remete aos scores apavorantes criados por Goblin em clássicos do gênero como Suspiria (1977) e Profondo Rosso (1975). 

E para fechar com chave de ouro, Bruce Campbell — protagonista lendário de Evil Dead — faz uma aparição surpresa no segundo volume da franquia. 

Psicodelia reforça a beleza estética da produção 

Benedict Cumberbatch em cena psicodélica de
Benedict Cumberbatch em cena psicodélica de “Doutor Estranho 2”. Walt Disney Studios/Reprodução

Universos distintos, realidades distorcidas e imagens oníricas espalhadas por todo o canto: a nova aposta da Marvel não tem medo de mergulhar na psicodelia para criar uma experiência visualmente arrebatadora. Desde a sequência inicial, o filme deixa claro que os seus efeitos visuais são tão encantadores quanto a própria história. 

Destaque para a cena em que a Feiticeira Escarlate é enclausurada em uma espécie de “prisão espelhada” durante uma invasão ao Kamar-Taj. 

Desfecho traz carga emocional importante 

Assim como citado anteriormente, Escarlate é uma das vilãs mais poderosas do MCU em anos. Portanto, utilizar soluções narrativas simplórias para derrotar uma personagem tão complexa e marcante seria um grande tiro no pé. Felizmente, este não é o caso do longa: as resoluções elaboradas pelos heróis estão sempre à altura das dificuldades criadas pela feiticeira. 

E quando finalmente chegamos ao terceiro ato da produção, Raimi presenteia o público com uma mensagem dilacerante e urgente: impor os nossos desejos sobre o outro, mesmo quando acreditamos estar certos, nunca trará a felicidade. Apesar deste tema ter sido previamente abordado em Wandavision, ele ganha ainda mais força na obra protagonizada por Olsen e Cumberbatch.   

Doutor Estranho 2: vale a pena assistir nos cinemas? 

Mesmo pertencendo a um estúdio que visa entregar produções para todos os públicos — de crianças a adultos —, Doutor Estranho consegue renovar o tão desgastado gênero de super-heróis ao oferecer uma abordagem assustadoramente inédita.  

Claro, tanto a psicodelia quanto os elementos bizarros poderiam estar em maior quantidade e intensidade. Porém, ainda estamos falando de Marvel: seria irreal e até mesmo injusto esperar isso da companhia. 

Agora, a pergunta que fica é: será que estamos prestes a presenciar a primeira franquia horripilante de heróis do cinema? Bom, apesar de não termos essa resposta, o futuro da saga nunca aparentou ser tão empolgante. 

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