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Alle Manzano Corpo, fala Carol Teixeira (@carolteixeira_) é filósofa, sacerdotisa tântrica e escritora

Saber dizer não

A capacidade de se despreocupar com o julgamento do outro sobre você faz nascer uma mulher sem medo

Por Carol Teixeira Atualizado em 15 ago 2022, 13h28 - Publicado em 28 jun 2022, 09h58

Quantas vezes você já se sentiu violentada por não conseguir dizer não? A dificuldade de impor limites chega cedo na vida de uma mulher. Ela aprende que é melhor não sair do papel de boazinha que lhe foi designado. O risco? Ser menos amada e admirada. O que seria uma tragédia para alguém que foi criada com a ideia de que seu valor é definido pelo olhar do outro.

Recentemente, achei meus diários da adolescência e resolvi encarar o mergulho no tempo. As memórias dessa época ficam, na vida adulta, soterradas em um mar turvo. Lembranças que acabam sendo retalhos e, muitas vezes, se distanciam dos fatos. Foi o que senti. Percebi padrões e coisas que não lembrava.

Vi claramente o processo de uma mulher entrando nos eixos cruéis do que o patriarcado ensinou sobre o que é ser mulher. Vi a ânsia de se encaixar, de ser aceita, de emagrecer, de agradar o masculino. Vi surgir o deslumbramento com o fato de ser desejada (e ter alicerçado parte do meu valor nisso), vi a sexualidade brotando no registro da performance, vi a grande dificuldade de dizer ‘não’.

Ao ler, também senti uma raiva retroativa de toda essa sociedade que pega meninas com seus corações abertos e capacidades infinitas e as coloca em trilhos tão violentos para as suas almas. E uma revolta atual me acometeu, porque, apesar de eu ter conseguido me desvencilhar desse caminho e hoje ser capaz de ensinar outras mulheres a sair dele, fora das bolhas de busca do autoconhecimento (ou muitas vezes dentro) o cenário continua igual.

O autorrespeito vem do ato de delimitar seu espaço, de honrar a sua verdade

Lembro de uma expressão da filósofa Marilena Chauí: a violência perfeita. É isso que vejo, uma violência tão bem construída que fica difícil de ser percebida. Muitas vezes, você acha que já saiu dessa rede, mas lá está você, de novo, caindo nas armadilhas patriarcais.

Uma amiga comentou que estava feliz porque finalmente tinha conseguido comunicar para seu companheiro que ela não gostava de uma determinada prática sexual que ela fazia só para agradar ele. Por anos passou por cima do seu desejo para satisfazer o outro. Foi uma libertação ela conseguir impor um limite e, claro, trouxe uma luz para a relação, porque a verdade abre espaços.

Em outras ocasiões, já ouvi de mulheres no puerpério, momento de baixa libido, que se forçavam a transar com o parceiro por medo de perdê-lo. E pensar que isso se repete por gerações, corpos registrando essa “violência perfeita” como abuso por medo de impor limites. Os exemplos são inúmeros. Te convido a pensar sobre situações assim na sua vida. E repito a pergunta: quantas vezes você já se sentiu violentada por não conseguir dizer não? Mesmo se você não tem seus diários de adolescência, tenho certeza que vai lembrar de algo, sexual ou não.

Mas, então, eu digo: te garanto que no momento em que você aprende a dizer não sem pedir desculpas, sua vida muda radicalmente. Esse autorrespeito que vem do ato de delimitar seu espaço, de honrar a sua verdade. Nina Simone já adiantou: a liberdade é a ausência de medo. Os caminhos para a liberdade são muitos, mas, com certeza, ele passa por deixar o medo de lado. E por uma autorização de si. Autorize-se.

Carol, colunista de CLAUDIA
|Ilustração: Luíza Paternez/CLAUDIA

Carol Teixeira
@carolteixeira_ é filósofa, sacerdotisa tântrica e escritora

 

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