Quando vale usar vitaminas para o cabelo?
Especialistas explicam quais nutrientes influenciam a saúde dos fios, quando suplementos podem ajudar e por que a automedicação nem sempre é a melhor estratégia
A queda de cabelo é uma queixa comum e, para resolver, muitas pessoas recorrem a vitaminas e suplementos. Nas redes sociais e nas prateleiras das farmácias, não faltam cápsulas que prometem melhorar a saúde dos fios.
Mas será que elas realmente funcionam? Para entender quando a suplementação pode ajudar, conversamos com especialistas em nutrição e saúde capilar.
Existe relação entre alimentação e queda de cabelo?
A relação entre alimentação e saúde capilar é bem estabelecida. Isso acontece porque o folículo capilar tem alta atividade metabólica e depende de um bom aporte de nutrientes para manter o crescimento dos fios.
“O cabelo é formado por células que se multiplicam rapidamente e, por isso, depende de um bom aporte de nutrientes. Quando o organismo enfrenta alguma deficiência, ele tende a priorizar funções vitais e pode reduzir o investimento em estruturas consideradas menos essenciais naquele momento, como o crescimento dos fios”, explica a nutricionista Viviana Navarro.
Dietas muito restritivas também podem desencadear queda. A nutricionista Cida Mariosa, farmacêutica bioquímica e executiva do Núcleo de Nutrição da Biotec, explica que dietas com baixa ingestão calórica podem provocar deficiências nutricionais importantes.
Além disso, outros fatores também entram na equação. Estresse, alterações hormonais, perda rápida de peso, imunidade baixa e excesso de química capilar aparecem com frequência entre as causas observadas em consultório, segundo a tricologista e biomédica Sheila Bellotti.
Nem toda queda de cabelo tem a mesma causa
Antes de pensar em vitaminas ou suplementos, é importante entender qual é o tipo de queda de cabelo.
Segundo a médica Alexandra Lopes, especialista em Medicina Capilar da Onne Clinic (RJ), um dos quadros mais comuns é o eflúvio telógeno, que costuma surgir alguns meses após algum gatilho físico ou emocional. “Ele costuma aparecer dois a três meses depois de situações como estresse intenso, infecções, cirurgias, alterações hormonais ou dietas restritivas”, explica.
Nesse caso, a queda tende a ser difusa e mais intensa, mas geralmente é temporária quando o fator desencadeante é corrigido.
Já a alopecia androgenética tem origem genética e evolução progressiva. Nesse quadro ocorre a miniaturização dos fios, que passam a nascer cada vez mais finos e curtos, reduzindo gradualmente a densidade capilar.
Essa distinção é importante porque nem todos os tipos de queda respondem da mesma forma à suplementação.
Quais nutrientes são importantes para os fios?
Diversos nutrientes participam do crescimento e da manutenção do cabelo, especialmente aqueles envolvidos na produção de queratina e na divisão celular do folículo capilar.
Entre os mais citados pelos especialistas estão proteínas, ferro, zinco, vitamina D e vitaminas do complexo B. Como explica Viviana Navarro, a proteína é essencial porque o cabelo é formado principalmente por queratina, uma proteína estrutural. Dietas com ingestão proteica muito baixa podem comprometer esse processo.
O ferro também desempenha papel importante por participar da oxigenação dos tecidos e da divisão celular, processos essenciais para o funcionamento do folículo capilar.
Segundo Cida Mariosa, esses nutrientes atuam de forma integrada no organismo. “Eles trabalham em sinergia, criando um ambiente bioquímico ideal para o crescimento e manutenção saudável dos cabelos”, afirma.
A biotina, conhecida como vitamina B7, costuma ganhar destaque em suplementos capilares justamente por participar da síntese de queratina. Ainda assim, especialistas lembram que a deficiência real dessa vitamina é relativamente rara.
Quando a suplementação pode ser indicada
Apesar da popularidade dos suplementos capilares, eles não são necessários em todos os casos.
A nutricionista Viviana Navarro explica que a suplementação costuma ser indicada principalmente quando há deficiência nutricional comprovada ou risco de déficit. “Isso pode acontecer em casos de ferritina baixa, deficiência de vitamina D, ingestão proteica insuficiente ou dietas muito restritivas”, diz.
Para Alexandra Lopes, a indicação deve sempre partir de avaliação clínica e exames laboratoriais. “Em pessoas com níveis adequados, o uso indiscriminado de vitaminas não necessariamente melhora a saúde capilar”, afirma.
Suplementos para cabelo, pele e unhas funcionam?
Produtos voltados para cabelo, pele e unhas se tornaram bastante populares, mas o efeito deles pode variar.
Viviana Navarro explica que polivitamínicos tradicionais costumam reunir diversas vitaminas e minerais em pequenas quantidades, muitas vezes facilmente atingidas por meio da alimentação. Por isso, o impacto desses produtos na queda capilar pode ser limitado.
Já alguns nutracêuticos atuam em vias metabólicas específicas e podem contribuir para a saúde celular, explica Cida Mariosa. “Eles podem ajudar a otimizar a saúde e a beleza de dentro para fora, combatendo os efeitos do estresse e do envelhecimento em nível celular”, diz.
Ainda assim, especialistas ressaltam que suplementos dificilmente resolvem o problema isoladamente. Alimentação equilibrada, sono de qualidade, controle do estresse e cuidados com o couro cabeludo também influenciam a saúde dos fios.
O excesso de vitaminas também pode causar queda
Um erro comum é acreditar que vitaminas são sempre benéficas e que consumir mais trará resultados melhores. Na prática, o excesso também pode causar problemas. O consumo excessivo de ferro ou zinco sem necessidade também pode provocar desequilíbrios no organismo.
Segundo especialistas, tanto a deficiência quanto o excesso de alguns nutrientes podem interferir no ciclo do folículo capilar. Por isso, a automedicação com suplementos pode acabar agravando o problema ou mascarando a causa real da queda.
Quando procurar avaliação médica?
Embora alguma queda de cabelo seja considerada normal no ciclo natural dos fios, alguns sinais indicam que vale procurar um médico.
A queda persistente por mais de dois ou três meses, o afinamento progressivo dos fios, a redução da densidade capilar ou o aumento da visibilidade do couro cabeludo são pontos de atenção: “Nesses casos, a avaliação médica permite identificar a causa real do problema e direcionar o tratamento de forma mais precisa”, afirma Alexandra Lopes.
Segundo a tricologista Sheila Bellotti, a investigação adequada é fundamental para resultados duradouros. “A correção de carências nutricionais e a identificação da causa da queda são etapas importantes para manter a saúde dos cabelos e do couro cabeludo a longo prazo.”
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