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Ligação primitiva: entenda o que são os animais de poder do xamanismo

Através da observação da natureza, o xamanismo nos convida a compreender a conexão divina que compartilhamos com os animais de nosso planeta

Por Kalel Adolfo Atualizado em 7 jul 2022, 12h55 - Publicado em 8 jul 2022, 08h32

Quando observamos a natureza, identificamos certos elementos que ressoam com quem somos, e os animais são os maiores exemplos disso. Pense num lobo: comumente, atribuímos a ele traços como a solitude e a independência. Há também o elefante, símbolo de paciência e sabedoria. De certa forma, as características comportamentais destes seres acabam servindo como um espelho da alma humana: tudo o que há neles, habita em nós. Para o xamanismo, essa sincronicidade mística com a fauna pode ser explicada através dos animais de poder.

“Eles funcionam como uma energia que nos ajuda a despertar a nossa potência. Quando descobrimos com qual arquétipo nos conectamos, podemos aperfeiçoar inúmeras qualidades e traços de personalidade”, afirma Gustavo Bondioli, espiritualista e xamã no Templo Xamânico Sete Flechas (@temploxamanico).

Quando descobrimos com qual arquétipo nos conectamos, podemos aperfeiçoar inúmeras qualidades e traços de personalidade

Gustavo Bondioli, espiritualista e xamã no Templo Xamânico Sete Flechas

Mais do que a alma de um “bichinho”, o animal de poder representa uma força que nos desperta para quem realmente somos.

“Explicar essa conexão é como tentar definir o perfume de uma rosa. Não há respostas exatas ou palpáveis. Mas existem seres que nos acompanham de vidas passadas, e outros que se ligam a nós em situações pontuais”, esclarece Gustavo.

Confuso? O líder espiritual faz um paralelo com a astrologia para ajudar: “Assim como os signos conseguem descrever os mais diferentes perfis, este conceito xamânico também é capaz de evidenciar determinadas características emocionais”. Contudo, diferente de um mapa astral, que traz doze casas, nós possuímos quatro arquétipos animais: poder, sombra, cura e alado – vale lembrar que esse número pode ser maior ou menor em determinadas tradições.

Possuímos quatro arquétipos: animais de poder, sombras, cura e alado.
Possuímos quatro arquétipos: animais de poder, sombras, cura e alado. Ferdinand van Kessel’s Four Parts of the World (ca. 1689)/Reprodução

“O animal de poder representa a personalidade, o ego e as nossas potencialidades. Já o arquétipo de cura – também conhecido como animal dourado – vem para cicatrizar as feridas emocionais que carregamos. É um ser ancestral que promove a superação de medos profundos”, pontua Isabella Carvalho, líder no Templo Mensageiros dos Ventos (@mensageirosdosventos). Logo em seguida, temos os animais de sombra, que, segundo a espiritualista, nos auxiliam a lidar e aprender com os aspectos ocultos de nossa identidade.

“É como se finalmente entendêssemos as nossas sombras. A partir daí, identificamos quando e como elas se manifestam, para controlar instintos e comportamentos nocivos.” Por último, Isabella clarifica o animal alado: “Este revela os dons espirituais da pessoa. São os encantos imprescindíveis à nossa missão terrestre. É o arquétipo mais ‘especial’, pois revela apenas aspectos divinos. E não conseguimos acessá-lo sem antes ter conhecimento sobre os demais”.

Descobrindo os seus animais de poder

Para o xamã Gustavo, a melhor forma de se conectar com essa força ancestral é através da meditação guiada. “Por conta da pandemia, é possível ter uma experiência online. Mas nada se compara à vivência presencial. Num templo adequado, a pessoa te coloca num estado meditativo através do som do tambor ou maraca.”

Com o ritmo certo, o instrumento musical potencializa o transe de quem está mergulhando nessa viagem, dando início à jornada. “Assim que fechar os olhos, você será instruído a se imaginar entrando numa floresta. Primeiro, ouça o som dos pássaros, ande na mata e sinta o cheiro da natureza. Mais à frente, verá uma caverna escura repleta de rochas na entrada. Ao entrar, a luz vai se apagando, e será necessário descer uma grande escada em espiral para acessar a base da caverna. Lá, o seu animal surgirá em meio à escuridão”, relata.

O espiritualista avisa que, para conseguir visualizar o arquétipo corretamente, é preciso esvaziar a mente. “Não adianta estar agitado ou estressado. Existe um preparo para estarmos energeticamente equilibrados”, pontua. “Por isso, não recomendo fazer sozinho. Fica complicado dar ‘play’ em um áudio, sem conhecimentos prévios. A consequência de buscar algo sem compreender a magnitude daquilo pode nos fazer entrar em frequências vibracionais indesejáveis.” O que vale para tudo, certo?

Também há uma rota alternativa: a ayahuasca. “A medicina gera o transe, assim como o tambor num ritual clássico. Porém, quando você toma o vegetal e se conecta a um arquétipo, não necessariamente aquele será o seu animal de poder. Pode ser um guia, que está trabalhando alguma questão ao seu lado. Quando o assunto é concluído ao fim da sessão, aquela energia se retira. Também existe a possibilidade de realizar a jornada ‘tradicional’ acoplada à experiência da ayahuasca. Posso te garantir que é uma viagem astral estratosférica”, diz Isabella.

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O animal de poder representa a personalidade, o ego e as nossas potencialidades. Já o arquétipo de cura vem para cicatrizar as feridas emocionais que carregamos

Isabella Carvalho, líder no Templo Mensageiros dos Ventos

O arquétipo na rotina

Assim que descobrir o animal, é possível “ativar” o arquétipo a qualquer momento que julgar necessário. “É legal ter um quadro ou imagem em casa. Você também pode comprar uma camiseta e começar a usá-la para sentir inspirações”, afirma Gustavo.

A meditação também é uma ótima fonte de conexão. “Apenas feche os olhos e o imagine por alguns segundos. Não há limites quando pensamos em formas de se relacionar com essa egrégora”, complementa ele.

Assim que descobrir o seu animal de poder, é possível ativar esse arquétipo para lhe ajudar em situações do dia a dia.
Assim que descobrir o seu animal de poder, é possível ativar esse arquétipo para lhe ajudar em situações do dia a dia. Ferdinand van Kessel’s Four Parts of the World (ca. 1689)/Reprodução

A seguir, os especialistas listam alguns dos principais animais de poder e seus significados gerais:

Águia

Ela voa acima das montanhas, sendo capaz de enxergar tudo. “Essa visão ampla é imprescindível, pois muitas vezes focamos em algo pequeno e ignoramos o cenário maior. É um animal que traz pontualidade e assertividade, já que não costuma dar botes em falso”, diz Gustavo.

Lobo

Oferece lições acerca da lealdade. “Ainda que busque o isolamento para obter aprendizados, tem uma grande conexão com a família. Ele sabe a importância de estar em bando e cuidar de quem está à sua volta”, compartilha Gabriel Naso, do Templo Mensageiros dos Ventos.

Serpente

“Transmite a ideia de cicatrização e transformação. É a força que precisamos ter para abraçar um novo ciclo e trocar de pele. Esse réptil definitivamente nos auxilia em momentos de transição”, afirma Gustavo.

Coruja

Extremamente inteligente, é um animal capaz de notar o que ninguém mais pode: “Ela traz a visão noturna, portanto, no escuro, vê as sombras. Consegue compreender as verdadeiras intenções de tudo e todos”, diz Isabella.

Leão

Ele nos inspira a abraçar a autoconfiança e a força da liderança. “Não estamos falando apenas sobre guiar pessoas, mas, sim, liderar a si mesmo. Ele é o rei das selvas. Portanto, seja o rei ou a rainha de sua vida”, esclarece Gustavo.

Fênix

O xamanismo também integra seres de outros planos, diz Gustavo: “As mulheres, principalmente as bruxas, carregam essa força
ancestral da fênix, porque foram queimadas no passado. Este ser representa o renascimento. É o viver e morrer sem perder a essência”.

 

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