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Tire a sua carta: o tarô também é autoconhecimento

Ferramenta ancestral, o tarô ganha cada vez mais espaço na vida de quem busca transformações pessoais com consciência

Por Kalel Adolfo 10 jun 2022, 08h53

Cartas, moedas, dados e elementos da natureza: desde que o mundo é mundo, a humanidade recorre a técnicas de divinação para compreender o passado, ressignificar o presente e desbravar o futuro. Dentro desses propósitos, não existe oráculo mais popular, fascinante e misterioso que o tarô. “O primeiro povo a ter cartas de qualquer tipo foram os chineses, devido à invenção do papel em torno de 105 d.C.”, diz a astróloga Lyziane Menezes. Mas é apenas 1095 anos após o surgimento do papel – em 1200 d.C. – que as populações muçulmanas da Espanha e da Sicília criam o Baralho Mameluco, representante das raízes do que viria a ser o tarô que conhecemos hoje. “Os primeiros que se tem notícia surgem no século XIV, através da família Visconti-Sforza de Milão”, complementa a especialista.

Porém, engana-se quem pensa que essas cartas sempre tiveram o intuito de proporcionar profecias. No início, elas eram vistas como simples brincadeiras pelas famílias nobres. Com o passar do tempo, devido às belíssimas ilustrações do baralho, um novo hábito foi criado: quem jogasse o tarô deveria escolher uma carta aleatória, analisar a figura cravada nela e, logo em seguida, usar a imaginação para realizar uma previsão do futuro baseada nos desenhos que tinha visto.

Como funciona?

O tarô traz 78 cartas, divididas entre 22 arcanos maiores e 56 arcanos menores (ou auxiliares). “Os arcanos maiores representam o macro da questão, o ponto focal do que está acontecendo em sua vida ou no mundo. É a jornada do Louco, arcano zero, que passa por aventuras, desafios, encontra a sacerdotisa e se depara com o mago”, esclarece a taróloga Pam Ribeiro, do @abruxapreta, e autora do horóscopo da edição de junho de CLAUDIA. Já os arcanos menores, segundo ela, especificam os detalhes dessa jornada. “É o micro da questão: o que o Louco está sentindo durante o seu caminhar? Esse é o momento de desvendar pequenos acontecimentos, quem está envolvido nessa história e se há movimentos externos te influenciando. É um trajeto com riqueza de detalhes.”

O deck, então, conta uma história recheada de vitórias, derrotas e reviravoltas, com inúmeras situações que se assemelham ao que vivenciamos em nossa própria trajetória de vida. A partir daí, é possível usar as ferramentas disponíveis para fortalecer a leitura: analisar os naipes, relacionar as cartas com os signos do zodíaco, interpretar a numerologia, aplicar a espiritualidade e mais.

“Eu oriento as pessoas a comprar o baralho e fazer a tiragem com esses arcanos maiores. É muito difícil não se identificar com um desses 22 capítulos. Enquanto ferramenta de autodescoberta, ele te propõe a refletir e ter consciência sobre a influência daquele símbolo em suas escolhas e emoções”, afirma Lyziane.

Ela exemplifica: “O arquétipo do Imperador fala sobre liderança, levantar e fazer as coisas acontecerem. Se você acordou de manhã, se arrastando, e tirou a carta do Imperador, enxergue isso como um chacoalhão para agarrar as suas oportunidades e ir à luta”. Para a astróloga, o tarô é uma ferramenta para descobrir potenciais, ganhar incentivo e desvendar as forças que, por algum motivo, não estamos conseguindo enxergar. “Isso traz liberdade e independência para cultivar o nosso bem-estar.”

Contudo, vale o alerta: para não criar um vínculo de dependência com o oráculo (e começar a tomar atitudes somente após consultar as cartas), Lyziane aconselha ter cuidado com os questionamentos feitos. “Eu oriento evitar perguntas de ‘sim’ ou ‘não’. Portanto, não pergunte coisas como: ‘Devo comprar um carro?’, pois isso pode se transformar num vício. Mas se você colocar: ‘Quais benefícios esse carro pode me trazer?’ ou ‘O que está por trás dessa minha vontade de comprar um carro?’, você estará nutrindo a reflexão antes da tomada de decisões. Isso é saudável”, explica.

Espelho da alma?

Pensar sobre como os significados das cartas conversam com a nossa vida é uma grande oportunidade de se autoconhecer. Para acessar isso, não é necessário ser uma pessoa espiritualizada ou ter crenças em algo maior. “O tarô não é espiritual. Quem está exercendo a leitura, trabalhando com isso, é que coloca a espiritualidade. Já vi ateus utilizando essa ferramenta por conta da interpretação dos símbolos, cores e números presentes nas cartas”, comenta Pam Ribeiro.

O tarô é uma ferramenta para descobrir potenciais, ganhar incentivo e desvendar forças que, por algum motivo, não enxergamos. Isso traz liberdade

Lyziane Menezes, astróloga

De acordo com a espiritualista, os símbolos do baralho são capazes de revelar muitos fatos sobre nós mesmos, pois fazem parte do inconsciente coletivo, conceito proposto por Carl Gustav Jung, fundador da psicologia analítica. É justamente por isso que o baralho pode acertar, ele traz imagens universais capazes de gerar reações psíquicas em todos os seres humanos. “Quando observamos a carta da Imperatriz, estamos olhando a figura de uma mulher bela, segura de si, gestante e que carrega o arquétipo da rainha. Esses elementos sobrevivem aos tempos, porque quando falo: ‘mãe’, ‘rainha’ e ‘gestante’, o seu cérebro já vai formando várias conexões que associam essas ideias ao seu repertório emocional”, mostra Lyziane.

Qual tarô escolher?

Você já deve ter percebido que existem variados tipos de tarô no mercado. Porém, os oficiais são apenas dois: Marselhas e Rider Waite (desenhado por Pamela Smith). “Todos os outros, sejam de bruxas, fadas ou até vilões da Disney, foram baseados e inspirados neles. Mas quaisquer baralhos são válidos, não se preocupe”, defende Pam.

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Segundo a taróloga, o importante é a intenção: “É bacana existir esses formatos diversos porque conseguimos entender com qual energia nos conectamos. Você não precisa se relacionar apenas com os clássicos.
Um tarô de bruxa, por exemplo, pode fazer muito mais sentido para alguém que já esteja imerso nessa cultura.”

Pam indica que sempre é válido fomentar a curiosidade: ler livros, assistir vídeos no YouTube e, se possível, fazer cursos. “É essencial estar disposta a tirar uma cartinha por dia e observar o que acontece na rotina. Tive uma época que escrevia sobre cada uma das 78 cartas, anotando o que elas significavam, o que me traziam e qual era a conexão com o que eu estava passando”, conta. Aliás, ela reitera que a prática não é sobre decorar, porque isso não funciona. “As cartas sempre trarão novas percepções, conhecimentos e diferentes formas de enxergar a realidade. Todos os dias eu aprendo algo inédito sobre elas. O aprendizado é eterno.”

Não tenha medo do futuro

É imprescindível lembrar que o futuro revelado pelas cartas não é determinista: “Quando eu revelo o que pode acontecer para os meus clientes, muitos ficam desesperados. Calma, pessoal! Leve o tarô mais como um direcionamento para o seu autoconhecimento do que um fatalismo. Somos capazes de mudar os nossos caminhos se quisermos. O baralho é apenas um convite para sairmos do pragmatismo e da racionalidade extrema, e partir em direção a um mundo mais amplo onde possamos existir e nos movimentar”, declara a criadora do A Bruxa Preta.

Ela conclui apontando que se tirarmos uma carta para a mesma questão todos os dias, os resultados serão diferentes. “Isso é a prova de que você, o mundo e as energias do universo sempre estarão em constante mudança. O tarô é liberdade, não prisão.”

 

Cartas que assustam, mas trazem o bem

O Diabo (Arcano XV)

Apesar de ser uma figura comumente associada ao mal, O Diabo no tarô representa o poder e como você se relaciona com ele. “A carta fala de excessos, ambição ou a necessidade de ser mais ambicioso. Aqui, a ganância pode criar ou destruir”,
explica Lyziane.

A Torre (Arcano XVI)

A Torre se relaciona com os apegos e tudo o que não faz mais sentido em nossas vidas. “Ela vem dissolver amarras. Pode ser tanto um trabalho mal remunerado quanto uma relação de abuso. É hora de recomeçar para abrir capítulos mais saudáveis”, diz a astróloga.

A Morte (Arcano XIII)

Calma, A Morte não significa que você irá falecer: ela simboliza um momento de transformação pessoal. “Essa carta vem para nos fortalecer e ensinar a lidar com o ciclo ‘vida-morte-vida’. É a reorganização do sistema. Saiba colher o que plantou.”

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