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Desbloqueio pelo toque: os benefícios da massagem tântrica

Deixe os tabus e as desinformações para trás: ela nada mais é do que um método para aceitar e abraçar a verdade de nossos corpos

Por Kalel Adolfo Atualizado em 12 Maio 2022, 17h35 - Publicado em 13 Maio 2022, 08h44

Já parou para pensar que a sexualidade pode ser um caminho para o autoconhecimento e a potencialização do amor próprio, não apenas uma fonte de prazer? Pois essa é a proposta do Tantra, filosofia oriental, originária na Índia, que preza pela busca da liberdade e autenticidade. “É um modo de viver no qual não dividimos a espiritualidade do corpo físico, pois precisamos do plano material para acessar a energia do campo astral. Por isso, toques e outras movimentações corporais são tão importantes nessa corrente”, diz Sayuri Suto, terapeuta tântrica. Apesar dos aspectos espirituais e dos flertes com o hinduísmo através do culto a divindades como Ganesha, Sayuri garante que o Tantra não é uma religião. E onde a massagem tântrica, termo mais difundido por aqui que o do próprio Tantra, se encaixa nessa história?

Tudo começou nos anos 1970, quando o ocidente passou a incorporar elementos da cultura oriental no mainstream. “O movimento New Wave, os hippies, a famosa viagem dos Beatles para a Índia e a chegada de gurus e mestres indianos aos Estados Unidos ajudaram a trazer os ensinamentos do Tantra para nós. E aí, dentro dessa mistura, surgiu a terapia tântrica, que traz a massagem como uma ferramenta”, defende Lua Menezes, especialista em sexualidade e psicologia positiva.

Comum e equivocadamente confundida com a massagem erótica, a massagem e outras terapias tântricas (meditações, respirações e visualizações específicas), para alguns, fazem parte do “neotantra”. O termo foi criado pensando em separar as novas práticas ocidentais da filosofia tradicional.

Para que serve?

Tanto a filosofia quanto a terapia tântrica levam em consideração os nossos chakras – centros de energia distribuídos pelo corpo – no momento de aplicar as técnicas. “Nós temos sete principais: o primeiro deles está localizado na região do períneo [entre o ânus e a vagina]. E o último, no topo da cabeça. No Tantra, a energia sexual equivale à força vital, pois é a responsável pela criação da vida. Através da massagem, nós conseguimos pegar essa energia que está adormecida e fazê-la subir até o topo da cabeça”, aponta Lua. A filosofia, portanto, não nega o corpo. “Se tudo é sagrado e as criações são divinas, por que o sexo e o prazer não seriam? A massagem também quer te ajudar a se espiritualizar e dissolver as fronteiras do ego”, diz.

Para exemplificar, Lua pede que pensemos naqueles segundinhos que duram o orgasmo. Pensou? Então, essa sensação de suspensão, na qual não há pensamentos ou julgamentos, apenas existência, é o foco. “O Tantra tenta impedir que esse período dure poucos segundos. A ideia é entrarmos num transe orgástico, que expanda o estado de prazer por mais tempo.”

“Se tudo é sagrado e as criações são divinas, por que o sexo e o prazer não seriam?”

Lua Menezes, especialista em sexualidade

Os benefícios disso, segundo as especialistas, podem ser físicos, como tratar um vaginismo, ou emocionais, já que a massagem expande a autoestima e diminui a ansiedade, a dificuldade de expressão e a falta de conhecimento acerca dos próprios desejos. Lua Menezes atenta, porém, para a vivência individual da massagem, não em casal. “A terapia tântrica em casal parte de um lugar fetichista, que tudo bem existir. Mas, se este não for o seu intuito, deixe para fazer em conjunto os cursos específicos de sexo tântrico. Como estamos falando de um processo extremamente íntimo, a individualidade acaba sendo primordial.”

A conversa é imprescindível

Durante a massagem, a especialista pode utilizar variados tipos de toque para desbloquear e movimentar a energia sexual. Mas, antes de tudo, a comunicação é essencial. “Nem sempre o bloqueio está nas regiões sexuais. Muitas vezes, a barreira está no chakra laríngeo, que nos impede de falar o que realmente desejamos. Ou, então, no chakra cardíaco, comum entre pessoas que ainda não conseguem se amar. Quando as travas decorrem de traumas sexuais, nós nem fazemos o toque genital. É necessário muita responsabilidade para encostar no membro sagrado de outra pessoa, já que podemos mais atrapalhar do que ajudar”, declara Sayuri.

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A terapeuta tântrica reitera que, apesar de existir um acordo prévio entre paciente e especialista, é mais do que compreensível que você desista durante o processo. “Limite nós expandimos, não ultrapassamos. Caso contrário, podemos nos machucar. O Tantra é uma escola que nos ensina a dizer ‘não’. Às vezes, um toque acaba ancorando uma situação desagradável. Portanto, respeite o seu tempo, sem julgamentos ou constrangimentos”, explica.

O que realmente acontece

A conversa inicial é obrigatória para que a massagem seja direcionada de maneira benéfica de acordo com as suas necessidades. Imagine ir ao médico e ele te receitar remédios sem nem te perguntar o motivo da consulta? É o mesmo raciocínio. Depois disso, a terapeuta fará toques sutis na pele, visando pontos de seu corpo que escondam bloqueios, sempre de luvas. Além disso, a especialista estará incontestavelmente de roupas durante o atendimento. Caso contrário, desconfie (e corra).

“Antes da massagem, gosto de passar um exercício de respiração para a pessoa conseguir se conectar com o corpo. As sessões, principalmente com vítimas de abusos, são feitas apenas com contatos leves e sutis. Há quem sinta cócegas, há quem não sinta nada. Ainda estamos muito acostumados com o prazer focado no genital. Quando, na verdade, temos infinitas zonas erógenas pelo corpo que nem conhecemos”, afirma Lua Menezes.

Após a parte suave, acontece a fase de drenagem, quando são aplicados óleos para massagear o corpo. “É como se estivéssemos trazendo atenção e energia [dos membros] para os genitais. Por fim, manipulamos o pênis ou a vulva com toques diferenciados que trazem o relaxamento e a descoberta de novas formas de prazer. Como estamos falando de um tratamento, eu sempre indico mais que uma sessão”, complementa a especialista.

“Limite nós expandimos, não ultrapassamos. Caso contrário, podemos nos machucar. O Tantra nos ensina a dizer ‘não’”

Sayuri Suto, terapeuta tântrica

Quem fez, recomenda?

“Eu tive dois namoros consecutivos em que passei pela mesma situação: meus parceiros paravam de querer transar comigo. Pelo menos era o que eu achava. Mas, quando fiz a terapia tântrica, percebi que eu também não queria transar com eles”, conta Manuela Dias. Ela afirma que, hoje, dá risada da situação. Na época, contudo, isso trouxe sofrimento
e angústia.

“Eu não me sentia desejada, achava que estava fazendo algo errado. Então, conversando com uma amiga, ela me indicou a massagem. Quando finalmente fui ao consultório, conversei bastante, me senti confortável e acabei realizando sete sessões. Gozei logo de primeira e me senti mais calma”, compartilha.

A publicitária conta que, no fim, percebeu que possuía muitas amarras decorrentes de sua criação em uma família religiosa. “Sempre fui inibida. Vim de uma cidade pequena e precisei ser a filha exemplar por bastante tempo. Demorou para compreender que a minha sexualidade era atravessada por todas essas questões. Na massagem, pouco a pouco, eu entendi que era livre. Existe uma potência em nosso corpo que precisa ser vivida de forma verdadeira.”

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