Massagem tântrica: o que você precisa saber antes de experimentar

A prática milenar indiana é encarada com estranheza por alguns e elogiada por outros. Nossa editora testou e conta aqui o que aprendeu

Falta de desejo, dor na penetração, ejaculação precoce: são muitas as dificuldades que podem pairar sobre a cama dos casais. Mas nunca pensei que uma opção para tratá-las fosse a massagem tântrica. Quando recebi a missão de conhecer a prática para contar aqui, não tinha ideia do que esperar. Uma amiga mencionou que ela levaria a orgasmos múltiplos, mas não sabia nem se era verdade, nem como se chegava lá.

Comecei a investigação conversando com adeptos. A consultora de etiqueta Fernanda, 38 anos, de São Paulo, sofreu abuso sexual na infância e acabou desenvolvendo um bloqueio ao toque. “Depois da primeira sessão, saí com um cara e notei que minha resistência tinha diminuído. Continuo fazendo e melhorando.” O relato não foi suficiente para me convencer: como uma massagem poderia ajudar a ter uma vida sexual mais plena?

“Meu marido estava com câncer, eu com esclerose múltipla e depressão. O tantra resolveu muitos problemas naquele período difícil”, me disse Jaqueline, securitária paulistana de 41 anos. “Fiquei mais confiante, mais forte e com mais energia para enfrentar os obstáculos… Sem contar que passei a gozar muito mais intensamente.” Eu precisava descobrir o que era aquilo e como funcionava.

“O que é obtido na massagem vai muito além do sexo e do prazer – a ideia é fazer fluir a energia vital, a chamada kundalini, nos nossos centros de consciência, os chacras”, me explicou o terapeuta tântrico Evandro Palma, referência no assunto, que atende no Centro Metamorfose, em São Paulo. O conceito não é simples. E há, sim, profissionais que se dizem especialistas, mas não fazem mais do que uma masturbação nos clientes.

“Uma sessão correta não tem nada de erótica, mesmo se envolver o genital”, esclareceu Palma. Sim, o massagista pode incluir no “pacote” a yoni (feita na vagina) ou a lingam (no pênis). Mas não necessariamente. “O terapeuta sente, durante a conversa antes da sessão e durante o toque, se aquele corpo está preparado para esse tipo de contato”, me contou Fábio Henrique Neves, do espaço Pulso de Vida, em São Paulo, onde a sessão custa 350 reais.

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A ideia é fazer fluir a energia vital, a chamada kundalini, nos nossos centros de consciência, os chacras. Muitos narram orgasmos estratosféricos nas massagens, mas isso não significa que o clima da sessão seja exatamente erótico.

Eu ainda estava pensando: como uma massagem pode proporcionar isso? “Era a mesma pergunta que eu me fazia”, me disse Ana, 29 anos, editora literária, de São Paulo, que já fez mais de dez sessões. “Leio e falo demais. Mas, no tantra, descobri uma forma profunda de alcançar algo que, tagarelando no divã, nunca tinha encontrado.” Ela descreveu uma espécie de compreensão de si mesma e da vida.

Soley Prem Nalini, que também atende na Pulso de Vida, reforça: “Queremos compreender tudo pelo plano racional. Mas, na massagem, é pelos toques específicos que nossos bloqueios são desmontados. Não tente entender racionalmente. É preciso passar pela experiência”.

Foi com a expectativa lá em cima que cheguei à minha sessão. Antes de começar, há uma conversa com o terapeuta em um ambiente acolhedor – uma sala com um futon no chão, coberto por pétalas, em frente a uma varanda por onde entrava luz natural. Embora à vontade, tive dificuldade para relaxar quando ele começou seu trabalho.

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Estava ali totalmente nua – as sessões são feitas assim; os terapeutas ficam vestidos –, ainda sem saber se rolaria a tal da yoni massagem e se eu teria orgasmos estratosféricos, como me narraram. Em todo caso, sempre gostei de receber massagens – o toque é um conhecido liberador de oxitocina, hormônio do bem-estar, e eu sabia que sairia de lá relaxada. Mas transformada?

Ao longo de duas horas, com muito deslizamento de mãos pelo corpo todo (de costas e de frente) e óleo perfumado, acabei conseguindo me entregar – e me surpreendi com as memórias que me vieram à mente, todas remetendo à minha adolescência e início da vida sexual.

Naquele momento tão íntimo, não percebi mesmo nada de erótico – pelo contrário, foi tudo muito muscular, fisiológico. Na volta para casa, tive insights interessantes, como já ocorreu em tantas sessões de terapia. Valeu a pena. Aliás, preciso conversar sobre essa experiência com meu terapeuta.

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