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Diabetes gestacional: tudo o que você precisa saber

O diabetes gestacional é uma das complicações mais comuns na gravidez. Embora traga sérios desafios, as chances de sucesso no controle da glicemia são altas

Por Juliana Costa, editora-chefe de Bebê.com.br
Atualizado em 27 mar 2023, 11h17 - Publicado em 9 dez 2022, 07h00

Uma visita indesejada bate à porta. Resolve se instalar, causa uma reviravolta e só vai embora meses depois. Ah, um detalhe: a dona da casa está grávida. Essa é uma analogia simples para descrever o que acontece com uma mulher portadora de Diabetes Mellitus Gestacional (DMG). A história, porém, tem muitas nuances.

De acordo com o Atlas do Diabetes, da International Diabetes Federation (IDF), estima-se que, em 2021, cerca de 80% dos casos de mães que apresentaram hiperglicemia na gravidez foram decorrentes de DMG. No Brasil, a prevalência no Sistema Único de Saúde (SUS) é de aproximadamente 18% das gestações. E a tendência é de aumento dos números. Diagnóstico precoce e tratamento fazem toda a diferença, por isso, ter informação é essencial. Veja as respostas para as principais dúvidas relacionadas ao tema.

O que é o diabetes gestacional?

É quase impossível falar sobre gravidez sem citar as alterações hormonais. São elas que reduzem a ação da insulina, cuja função é transportar a glicose para dentro das células. O pâncreas, então, passa a secretá-la em maior quantidade, compensando o desequilíbrio. Algumas vezes, no entanto, isso não acontece, o açúcar se acumula no sangue e a mulher desenvolve o DMG.

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Existe predisposição para diabetes gestacional?

Sim, embora ela não seja determinante. “O diagnóstico tem sido frequente por vários motivos: entre eles, porque as mulheres estão engravidando mais tarde [após os 35 anos], e por questões como sobrepeso, obesidade e sedentarismo, muitas vezes ligado à dinâmica da própria profissão, como o trabalho em escritórios”, explica Antonio Roberto Chacra, endocrinologista do Hospital Sírio-Libanês. Parentes próximos diabéticos, hipertensão, gravidez anterior com bebê pesando mais de 4 quilos, aborto espontâneo sem causa identificada, síndrome dos ovários policísticos, pré-eclâmpsia ou eclâmpsia em outra gestação também são fatores de risco citados pela Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD).

Como é feito o diagnóstico do diabetes gestacional?

Alterações em exames rotineiros — como glicemia de jejum alta, feto com peso acima do esperado e aumento do líquido amniótico — levantam a suspeita. Além disso, existe o teste oral de tolerância à glicose (ou curva glicêmica), indicado entre a 24ª e a 28ª semanas da gravidez. Ele analisa a glicemia da paciente em jejum e em um intervalo de uma e duas horas após a ingestão de dextrosol, um açúcar. O valor máximo para cada etapa é de 92mg/dL, 180mg/dL e 153mg/dL, respectivamente. “Basta um resultado alterado para termos o diagnóstico”, afirma a ginecologista e obstetra Viviane Monteiro, especializada em medicina fetal e gestação de alto risco.

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Diabetes gestacional: “Produtos diet devem ser consumidos com moderação. O melhor é diminuir o açúcar, não substituí-lo por adoçante”, recomenda Antonio Chacra
Diabetes gestacional: “Produtos diet devem ser consumidos com moderação. O melhor é diminuir o açúcar, não substituí-lo por adoçante”, recomenda Antonio Chacra (Ilustração Getty Images/CLAUDIA)

Quais as consequências do diabetes gestacional para a mãe?

Se não há controle, a mulher tem maior propensão de desenvolver hipertensão e infecções, sobretudo de urina. A chance de que o nascimento do bebê ocorra antes do tempo aumenta, assim como a possibilidade de hemorragia no pós-parto. O DMG pode surgir em outras gestações, e a probabilidade de aparecimento de diabetes tipo 2 e de distúrbios cardiovasculares ao longo da vida é maior.

Uma vez que há o diagnóstico, ele é levado até o final da gestação. Não é uma questão que seja curada na gravidez. Existe, na verdade, um controle

Viviane Monteiro, ginecologista e obstetra especializada em medicina fetal e gestação de alto risco

O DMG afeta o bebê?

Na falta de tratamento adequado, existem complicações possíveis. Quando o excesso de glicose atravessa a placenta, o pâncreas do feto produz mais insulina, hormônio que estimula o crescimento. A criança ganha peso rápido e o líquido amniótico aumenta, o que pode provocar um parto prematuro. Muitos filhos de mães diabéticas chegam ao mundo com mais de 4 quilos, o que é chamado de macrossomia. Casos desse tipo favorecem a distocia de ombro (dificuldade de passar essa parte do corpo pelo canal vaginal). É possível ainda que o recém-nascido sinta desconfortos respiratórios. Outra consequência é a hipoglicemia, visto que ele deixa de receber altas doses de açúcar, mas segue com os níveis de insulina elevados. “No paciente que a mãe usou insulina, existe o risco de hipertrofia miocárdica [aumento de tamanho do miocárdio, músculo do coração]”, complementa Fabiana Mello, pediatra e neonatologista do Grupo Berçar e da Maternidade Pro Matre Paulista. A criança tem uma predisposição para desenvolver diabetes tipo 2 e obesidade.

Qual é o tratamento para o diabetes gestacional?

O ideal (mas poucas vezes real) é que a mulher seja acompanhada por um endocrinologista que tenha experiência com gestantes diabéticas e por um obstetra especializado em gravidez de alto risco. “Se a paciente apresenta outras comorbidades, é fundamental que elas estejam controladas também”, comenta Viviane Monteiro. O tratamento inclui três hábitos. Primeiro, uma dieta saudável e personalizada, com menos alimentos industrializados e maior ingestão de frutas, legumes, verduras e carboidratos integrais. “Produtos diet devem ser consumidos com moderação. O melhor é diminuir o açúcar, não substituí-lo por adoçante”, recomenda Antonio Chacra. Depois, vem a prática de exercícios físicos — desde que não haja contraindicação. Por fim, é feito o acompanhamento da glicemia capilar (normalmente com um glicosímetro e a “picadinha” no dedo).

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“A atenção ao estilo de vida e o cuidado com a saúde mental da gestante são primordiais”, lembra o endocrinologista. Segundo o documento técnico Tratamento do Diabetes Mellitus Gestacional no Brasil, elaborado pela SBD em conjunto com a Organização Pan-Americana da Saúde, o Ministério da Saúde e a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia, 60 a 70% das mulheres com DMG controlam a glicemia com essas medidas. Caso contrário, é necessário o uso de insulina. Apesar de ser uma prática menos adotada, existem estudos a favor da prescrição de medicamentos, como a metformina.

É possível ter um parto normal com diabetes gestacional?

Sim, porém os riscos devem ser analisados. “O momento de término da gravidez difere do de uma gestação de baixo risco. Se a paciente é insulinodependente, o ponto de corte se dá entre 37 e 38 semanas. Quando a mãe não fez uso de insulina, avalia-se caso a caso, mas a média é de 39 semanas”, conta Viviane.

E depois que o bebê nasce?

Para as mães, embora o esperado seja que o problema acabe, a recomendação da SBD é de que a mulher repita o teste de tolerância à glicose seis semanas após o parto. O acompanhamento periódico, dado o risco de desenvolver diabetes tipo 2, é bem importante. No que se refere à criança, os cenários variam. Em casos de hipoglicemia, por exemplo, há a questão do controle e da monitorização, que pode durar de 48 a 72 horas. “Quando a mãe é insulinodependente ou usou hipoglicemiante [medicamento], costumamos fazer o dextro [medição da glicose] da primeira à sexta hora de vida, de hora em hora. Depois, de oito em oito horas. Se o diabetes foi controlado por dieta, o dextro é realizado com três, quatro e seis horas de vida”, explica a pediatra Fabiana Mello. Em bebês com risco de hipertrofia miocárdica, alguns hospitais também realizam um ecocardiograma. O aleitamento materno ocorre normalmente. Estudos, inclusive, apontam a amamentação como uma prática que diminui as chances de mulheres desenvolverem diabetes tipo 2.

 

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