Após outra condenação por estupros, João de Deus tem mais 40 anos de pena

Relembre o caso do médium e veja como está sua atual situação dele na Justiça.

João de Deus se tornou conhecido por todo o Brasil e não apenas por suas habilidades espirituais que envolviam a crença dele e religião. O médium que atuava, em Abadiânia, em Goiás, estremeceu a pacata cidade quando acusações de crimes sexuais contra ele começaram a surgir.

Das 13 denúncias recebidas pelo Ministério Público, duas eram sobre porte ilegal de armas e 11 abusos de mulheres que frequentavam a casa espírita Dom Inácio de Loyola, de 1973 até o ano de 2018.

E as denúncias foram mais longe: João foi acusado de venda de drogas, tráfico de minério, assassinatos, curanderismo, e charlatanismo, além de lavagem de dinheiro. Apesar do grande número de denúncias, o médium nega todas as acusações.

As primeiras acusações

Na época, os casos de violência foram revelados no programa “Conversa com Bial”, da TV Globo, e, após a repercussão, cada vez mais mulheres se sentiram encorajadas a denunciar. 10 mulheres foram escutadas inicialmente e os depoimentos foram colhidos pelo MP para abrir as investigações.

Entre as mulheres que foram violadas por João de Deus, está a coreógrafa holandesa Zahira Lieneke. No programa de entrevistas do jornalista, ela contou com detalhes como foi a situação de abuso no programa, em dezembro de 2018. “Eu estava em choque, não conseguia acreditar naquilo. Estava congelada”, contou ela.

Mais relatos começaram a surgir depois da denúncia da dançarina holandesa. Um deles, aconteceu em 1984, quando Zuleide Danni tinha apenas 17 anos de idade. 34 anos depois ela decidiu revelas os abusos, para, segunde ela “encorajar mulheres vítimas de abuso sexual e de violência por motivos de gênero”.

Os relatos não se limitam apenas ao Brasil, sendo 15 estados brasileiros e mais 6 países.

As vítimas estavam entre mulheres jovens e crianças e foi preciso que o ministério público montasse uma força-tarefa por todo o país para escutar as vítimas. Em São Paulo, foram 230 denúncias.

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Investigação e prisão

João de Deus teve sua prisão decretada no dia 14 de dezembro de 2018, alguns dias depois das denúncias serem reveladas, a pedido da Polícia Civil e do Ministério Público Estadual de Goiás. No dia 16, ele se entregou à polícia e prestou depoimento durante três horas. João ainda revelou que teria sido ameaçado por telefone por um homem e negou todos os crimes.

Um mandado de busca nos endereços de João de Deus foi autorizado pelo juiz Liciomar Fernandes da Silva do Tribunal de Justiça de Goiás, no dia 20 de dezembro de 2018. A ação, que aconteceu no dia seguinte, conseguiu localizar uma mala com 1,2 milhão de reais em espécie, que estava escondida em um porão.

Além disso, foram recolhidas pedras de esmeraldas, medicamentos, 770 euros e 908 dólares. Em buscas anteriores foram encontradas 440 mil reais em moedas estrangeiras e nacionais e armas de fogo.

Depois das buscas, um novo pedido de prisão foi decretado contra o religioso, que agora é investigado por posse ilegal de armas, além dos crimes sexuais.

Condenação

Na última segunda-feira (20), o médium de 72 anos foi condenado a mais de 40 anos de prisão. A decisão foi tomada pela juíza Rosângela Rodrigues Santos, referente aos crimes sexuais cometidos contra 5 mulheres.

Preso desde 2018, ele já foi condenado 3 vezes: a primeira por posse ilegal de arma de fogo, com pena de 4 anos em regime semiaberto, em novembro de 2019. A segunda, pelos crimes sexuais cometidos contra cinco mulheres, condenado a 19 anos em regime fechado, em dezembro de 2019, e a terceira, por crimes sexuais cometidos contra cinco mulheres, com pena de 40 anos em regime fechado, em janeiro de 2020.

O Ministério Público já recebeu cerca de 320 denuncias contra o médium, e a defesa de João informou que irá recorrer da decisão.

Ainda existem mais 10 processos no gabinete da juíza que aguardam respostas de Judiciário de outros estados. Os processos que caminham na Comarca de Abadiânia, envolvem 50 mulheres. João de Deus já foi denunciado 14 vezes pelo Ministério Público, e 12 delas por crimes sexuais.

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