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Ação da Natura com Thammy Miranda para o Dia dos Pais gera ataques de ódio

Um post publicitário de Thammy gerou chuva de manifestações transfóbicas e pedidos de boicote à marca

Por Júlia Warken Atualizado em 16 set 2020, 15h07 - Publicado em 27 jul 2020, 17h41

Uma ação da Natura com Thammy Miranda tornou-se um dos assuntos mais comentados da internet brasileira nesta segunda-feira (27). Isso porque o filho de Gretchen foi chamado para participar da campanha de Dia dos Pais da marca, o que gerou uma onda de ataques.

Thammy é um homem trans e pai de Bento, de 6 meses. O bebê é fruto do casamento dele com a empreendedora Andressa Ferreira e o casal compartilhou intensamente cada estágio da gestação nas redes sociais. Desde então, eles recebem inúmeros comentários transfóbicos a respeito da paternidade da criança. 

A campanha idealizada pela Natura traz a hashtag #MeuPaiPresente e lança o debate sobre a presença dos pais na vida de seus filhos. Na semana passada, Thammy fez um post publicitário no Instagram, dando um pequeno depoimento sobre paternidade.

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@naturabroficial As melhores lembranças que meu filho vai ter de mim, sem dúvidas, serão das coisas boas que
a gente viver junto, seja brincando, sendo amigo, educando… É essa energia de presença, de
estar junto, acompanhando e sendo companheiro que eu tenho e vou continuar tendo com
ele. Ser pai é isso! Estar presente é o melhor presente! @naturabroficial #meupaipresente #publi

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“@thammymiranda, é incrível ver como a paternidade acrescentou mais amor à sua história, que é cheia de representatividade. A gente acredita que o Bento, assim como a gente, vai se inspirar muito em você!”, respondeu o perfil da Natura no post.

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A publicação foi o estopim para os ataques nas redes sociais. No Twitter, um usuário que se apresenta como assessor parlamentar escreveu o seguinte: “Você, pai conservador, concorda com a campanha da Natura para o Dia dos Pais, usando a Thammy Miranda como ‘garoto’ propaganda?” (sic). Publicado na noite de domingo, o post contava com quase 900 respostas e retuítes na tarde de segunda-feira. Dentre as respostas acaloradas, é possível até mesmo ver gente dizendo que “daqui uns dias será crime ser homem hétero”. Usando imagens de Thammy antes da transição de gênero e chamando-o de “transformers”, pessoas pedem boicote à Natura.

Evidentemente, vozes dissonantes também se manifestaram em peso nas redes sociais. Há um enorme número de os tuítes que se posicionam contra a transfobia e chamam a atenção para o drama do abandono parental. Vale lembrar que um levantamento feito em 2013 pelo Conselho Nacional de Justiça – com base no Censo Escolar de 2011 – apontou que 5,5 milhões de crianças brasileiras não tinham o nome do pai na certidão de nascimento naquela época. Essa é a mais recente pesquisa quantitativa sobre abandono parental do Brasil e o número – chocante, diga-se de passagem – até hoje serve como base para o debate sobre o assunto.

CLAUDIA entrou em contato com a assessoria de imprensa da Natura, que enviou a seguinte nota:

“A Natura acredita na diversidade. Esse valor está expresso em nossas crenças há mais de vinte anos, estando sempre presente em nossas campanhas publicitárias e projetos patrocinados. A campanha de Dia dos Pais mergulha na rotina desafiadora que todos estão vivendo durante a quarentena e mostra como esse intenso convívio pode fortalecer a relação entre pais e filhos, mostrando que a presença paterna é o maior presente. É um convite para ampliar as representações do homem contemporâneo a viver sua masculinidade de forma mais aberta e leve. A Natura celebra todas as maneiras de ser homem, livre de estereótipos e preconceitos, e acredita que essa masculinidade, quando encontra a paternidade, transforma relações.”

Através de diversos posts nas redes sociais, Thammy também se pronunciou. Em um fio no Twitter, chama seus agressores de “falsos moralistas” e fala dos problemas que o Brasil enfrenta durante a pandemia. Também reflete a respeito de paternidade responsável e violência: “Deveriam estar mais preocupados com os pais que não ajudam os filhos e deixam as mães sofrendo, que batem nas mães na frente dos filhos”, aponta. 

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