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A parte que me cabe

Idealizadora do @namastreta, a jornalista Caroline Apple trilha o caminho da autorresponsabilidade nos relacionamentos
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Mulheres aplaudindo Neymar: o puro chorume do patriarcado

Apoio recebido por Neymar escancara um sistema social que continua privilegiando apenas os homens

Por Caroline Apple
Atualizado em 22 jun 2023, 12h01 - Publicado em 22 jun 2023, 11h51

Eu ia começar esse texto falando sobre o pacto nada velado que existe entre os homens. Mas isso seria chover no molhado. Tem um espectro maior que ronda bizarrices como o pedido público de perdão do Neymar após trair a esposa grávida. Algo que só beneficia os homens, mas que é endossado por muitas mulheres. E se chama patriarcado.

Tem mulher que ouve essa palavra e já pula fora. Acha coisa de militante. Mas eu convoco todas as mulheres a estudarem sobre o assunto para não serem as próximas a passarem vergonha comentando no post de ‘desculpas’ do Neymar que “o amor sempre vence“.

O que tivemos o desprazer de ver acontecer é o puro chorume do patriarcado. Aquele que não se contenta em apenas colocar os homens neste papel ora de santo, ora de demasiadamente humano que erra e merece todas as chances do mundo. O patriarcado escala os homens moralmente em detrimento das mulheres. Então, a cada homem que o patriarcado coloca em um pedestal, uma mulher é enterrada no solo da desgraça. E não estou exagerando.

Neymar traiu Bruna Biancardi e admitiu a ação através de suas redes sociais.
Diferente de Luísa Sonza, que sofre perseguições até hoje, Neymar deve ser absolvido pelo público em questão de semanas. (Instagram/Reprodução)

Sabe quando as pessoas que ficaram sabendo da suposta traição da Luísa Sonza vão esquecer disso? Nunca. Até hoje a cantora trata a Síndrome de Pânico desencadeada por esse episódio de perseguição. Já a traição do pobre menino Neymar será rapidamente absorvida pelos metros de pano que estão passando para ele, até que se torne apenas um simples desvio de rota devidamente reconhecido e perdoado. Quem somos nós para julgar, não é mesmo?

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Neymar tem sido um exímio exemplo da ação nociva do patriarcado porque o jogador está envolvido com tudo que essa construção nefasta adora: mulheres, dinheiro e futebol. Ele é um combo internacional dessa estrutura social. Mas não é o único.

Esse pacto entre homens está em todas as esferas e desde os detalhes. Da fama de vagabunda por ter vários parceiros até os assassinatos cometidos por homens por ciúme e traição. E a mulher que acha que faz parte desse pacto, não passa da criança mais nova que ganhou dos mais velhos um controle desplugado para achar que está jogando e ficar quieta.

Mulher não tem segunda chance. E eu adoraria que isso fosse um exagero dramático da minha parte, mas não é. É real. É visível. É palpável.

Até mesmo quando um homem decide perdoar a traição da mulher e esquecer o episódio, o ato da companheira sempre estará nas mentes e corações dos amigos, que no primeiro desentendimento do casal vão relembrar o parça o quanto ela não vale nada.

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Só não digo que ser homem deve ser ótimo porque não é. Crescer num sistema que te estimula a ser um babaca mau-caráter é um horror. Deus me livre ser um homem que não enxerga o dano que comete a si mesmo quando se vale das regalias do patriarcado. Se está cego para a corda que amarra todos os dias no próprio pescoço, imagina se consegue se conectar com o mal que causa para as mulheres ao seu redor. Saber que faz mal não é o mesmo que se afetar pelas consequências.

Já as mulheres que aplaudem atitudes como as de Neymar, publicamente ou em segredo, julgam outras mulheres por condutas semelhantes. Eu não tenho palavras pra definir esse dolorido “fogo amigo”.

Passou da hora da gente, como mulheres, olhar para o patriarcado que habita em nós e parar de bater palma para aquilo que nos mata socialmente, emocionalmente e fisicamente.

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