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Ana Claudia Paixão A jornalista Ana Claudia Paixão (@anaclaudia.paixao21) fala de filmes, séries e histórias de Hollywood

Há 40 anos, morria Natalie Wood em circunstâncias misteriosas

Não há provas concretas do que realmente aconteceu na noite em que a atriz se afogou

Por Ana Claudia Paixão 26 nov 2021, 17h59

No dia 29 de novembro de 2021 completam 40 anos da morte de Natalie Wood. As circunstâncias misteriosas do acidente no qual a atriz perdeu a vida até hoje não foram devidamente esclarecidas e, sem testemunhas, ou melhor, com o silêncio das três pessoas que estavam com Natalie no barco na noite em que morreu, não há provas concretas do que realmente aconteceu. E mistério, sexo, bebida e estrelas do cinema geram sempre curiosidade, portanto a lenda de Natalie Wood é abastecida também por sua trágica despedida.

Em 2020, quando sua filha primogênita, Natasha Gregson-Wagner lançou um belo documentário para resgatar a memória de sua mãe, escrevi sobre ele aqui na minha coluna em CLAUDIA, elogiando a série. “Natalie Wood: Aquilo que Persiste”, foi lançado no Festival de Sundance, com depoimentos de amigos e recheado de imagens inéditas, que dão apelo à série, ainda disponível na plataforma da HBO Max. Porém, como ressaltei na época, Natasha tinha um objetivo maior para abordar a vida de sua mãe. Ela abertamente quer ajudar ao padrasto- e principal suspeito na morte de Natalie – o ator Robert Wagner, a passar uma imagem de inocência. Não alcança o objetivo, embora seja persuasiva.

No documentário, a diretora critica abertamente a tia, Lana Wood, com quem rompeu após se desentenderem quanto à culpabilidade de Robert no acidente. Não é inocente que, agora, em novembro, Lana tenha lançado nos Estados Unidos uma nova biografia sobre Natalie, “Little Sister: My Investigation Into de Mysterious Death Of Natalie Wood”. O contexto é obvio e oposto ao documentário de Natasha.

Lana, que é oito anos mais nova que Natalie, sempre foi protegida pela atriz, e também flertou com uma carreira no cinema e na TV, tendo trabalhado na novela americana “Peyton Place” e virando uma Bond Girl em “007 Os Diamantes São Eternos”, entre outras produções. Mas nunca alcançou o patamar da fama da irmã.

Para quem conhece a vida conturbada de Natalie Wood, o livro de Lana é importante. Afinal, foi sua insistência de que a morte de Natalie foi um assassinato, não um acidente, que conseguiu fazer com que o processo de investigação fosse reaberto e que Robert Wagner passasse a ser, oficialmente, o principal suspeito.

A versão do ator, compartilhada no documentário, é de que sim, todos tinham bebido a mais na noite chuvosa do acidente, mas que não, não houve violência entre ninguém (apenas uma garrafa quebrada). Exaltados, todos foram dormir e apenas na manhã seguinte sentiram a falta de Natalie. Seu corpo foi encontrado dias depois, boiando, em uma ilha próxima de onde o iate estava ancorado. A causa da morte foi afogamento e a teoria é a de que, no meio da noite, a atriz acordou e foi mexer no bote que fazia barulho, mas escorregou, caiu no mar e se afogou (ela não sabia nadar).

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Para Lana, Robert Wagner e Natalie Wood tiveram uma briga acalorada e violenta, com o ator a matando e jogando o corpo no mar para parecer um acidente.

casal
Ron Galella/Ron Galella Collection via Getty Images/Getty Images

Como saber a verdade?

O ator Christopher Walken estava no iate, mas jamais se pronunciou sobre o caso em público e estava dormindo na hora que tudo aconteceu. Dá para entender a frustração da família.

Lana já tinha publicado uma biografia sobre Natalie em 1984, na qual alegava vários fatos que o documentário de Natasha nega, inclusive o de que a atriz teria sido submetida ao “teste do sofá” por mais de uma ocasião, ainda menor de idade. Outra acusação que o livro fazia, sem citar nomes, era de que Natalie teria sido violentada aos 16 anos por um grande ator de Hollywood, algo que foi abafado com a orientação da mãe delas. Em 2019, em uma entrevista ao The New York Times, Lana voltou a falar no assunto. Agora no novo livro, revela o nome do predador e foi ninguém menos do que o ator Kirk Douglas, que faleceu em 2020, aos 103 anos. Os rumores desse estupro sempre foram tratados como fato em Hollywood, mas apenas agora é nominalmente acusado.

O lançamento de “Little Sister”, no mês em que a morte completa sua quarta década, promete reascender as discussões do caso. E alimentar a lenda. A refilmagem de “Amor, Sublime Amor”, um dos maiores clássicos de Hollywood, estrelado por Natalie há 60 anos, também contribui para a nostalgia. O filme original, assim como o documentário, também está disponível na HBO Max. Vale rever, em homenagem ao mito que foi Natalie Wood.

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Robert Wagner conforta a sua filha Courtney Brooke Wagner, no funeral de Natalie Wood Paul Harris/Getty Images
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