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Ana Claudia Paixão A jornalista e editora digital de CLAUDIA, Ana Claudia Paixão (@anaclaudia.paixao21) fala de filmes, séries e histórias de Hollywood.

Os segredos de Natalie Wood

Documentário dirigido por sua filha busca encerrar dúvidas sobre sua morte e outras histórias

Por Ana Claudia Paixão - Atualizado em 12 jun 2020, 16h15 - Publicado em 12 Maio 2020, 22h00

A noite de 29 de novembro de 1981 foi chuvosa na Califórnia. O detalhe é sempre lembrado porque foi a última noite em que a atriz Natalie Wood foi vista viva, a bordo do iate Splendour junto de seu marido, o ator Robert Wagner, e do colega de trabalho, Christopher Walken. O clima entre eles era tenso, houve uma discussão séria entre Wagner e Walken e todos estavam bebendo muito. O iate estava próximo à Ilha de Santa Catalina, onde Wood e Wagner sempre passeavam nos fins de semana. Ninguém sabe até hoje o que realmente aconteceu, porém o corpo da atriz foi encontrado no mar, horas depois. A causa da morte foi afogamento, mas há 39 anos a dúvida de que como ela caiu e se afogou persegue Wagner, Walken e a família. Por isso o nome do documentário da HBO, feito por Natasha Gregson Wagner, filha da atriz, é perfeito: Aquilo que Persiste.  Não há nenhuma dúvida que ela, em nome da família, quer encerrar de vez toda e qualquer dúvida sobre as circunstâncias da morte de sua mãe. Mas a conclusão é menos polêmica do que se pode antecipar. 

Natalie Wood: Aquilo que Persiste, foi lançado no início desse ano no Festival de Sundance e é recheado de imagens inéditas, onde Natalie aparece com a família. Também tem depoimentos de amigos próximos, como Robert Redford e Mia Farrow, e endereça as questões polêmicas que não parecem ter respostas satisfatórias. Ainda assim, é uma viagem no tempo fascinante.

 

Silver Screen Collection/Getty Images/Getty Images

Filha de Imigrantes e estrela infantil

Natalie Wood era filha de imigrantes russos e entrou para o cinema aos 5 anos, incentivada (quase empurrada) pela mãe, com quem tinha uma relação muito conturbada. Virou uma estrela quase instantaneamente e sua vida foi acompanhada pela mídia desde então. Ela não sofria com isso. A mãe era autoritária e ela era uma filha obediente, portanto também seguia as orientações dos estúdios sem se rebelar.

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Aos 15 anos ela conseguiu o papel que lhe renderia a primeira das três indicações ao Oscar. Assim como James Dean ficou icônico em Rebelde Sem Causa, sua personagem Judy, era o coração da trama. Três anos depois, se casava pela primeira vez com Robert Wagner, de quem se separaria depois de apenas dois anos de união. O documentário vai mostrando a vida pessoal de Wood dando destaque à sua beleza, talento e sorte. No auge do sucesso, Natalie estrelou os hoje clássicos West Side Story e O clamor do Sexo, entre outros.  Ela lutava por independência profissional, teve vários relacionamentos e uma filha até se casar novamente com Wagner, em 1970. Trechos dos filmes e depoimentos dos atores trazem uma nostalgia sobre uma das grandes estrelas de Hollywood.

Ron Galella/Ron Galella Collection via Getty Images/Getty Images

As dúvidas que persistem (com spoilers)

Natasha Wagner não é uma narradora imparcial na história. O documentário é feito para inocentar seu padrasto, Robert, depois que a irmã de Natalie conseguiu reabrir o processo de investigação de sua morte, há 9 anos. De certa forma bem direta, ela tenta ir direto nas dúvidas que ainda fazem parte da lenda de Natalie Wood. Por exemplo:

– Ela ‘fez o teste do sofá’ para conseguir o papel em Rebelde Sem Causa?
Segundo o documentário, não.

– Ela foi abusada sexualmente pelo diretor, Nicholas Ray, quase 30 anos mais velho que ela?
Mais uma vez, ‘não’.  Mas a alternativa não ajuda. Segundo o documentário era uma paixão e o relacionamento era consensual.

– Ela era explorada pela mãe, que a comercializava desde os 5 anos?
Sim. Claramente as filhas da atriz não se dão com o lado materno da família e não poupam a avó ou a tia de duras críticas. No entanto, o que ela dizem ou insinuam, responde a muitas divagações e fofocas.

Silver Screen Collection/Getty Images/Getty Images

A principal dúvida e o que o documentário defende

Até hoje há uma parte dos fãs que não acredita na morte acidental, ou pelo menos tão ‘simples’ que acabou com a vida de Natalie Wood. A lenda urbana de que sua mãe teria sido avisada por uma cigana que Natalie deveria evitar águas escuras só cresceram por ela ter de fato morrido à noite, em um mar revolto. Mas Natasha acredita na versão de Wagner e faz do clímax do documentário a conversa aberta sobre o que aconteceu na noite de 21 de novembro.

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Segundo Wagner, a briga com Walken não era a respeito de um possível caso entre ele e Natalie. Os dois estavam fazendo um filme juntos e muitos ainda apostam que o triângulo amoroso tenha sido concluído tragicamente. Wagner diz que ele e Walken brigaram sim por causa dela, com o ator reconhecendo ter se exaltado e quebrado uma garrafa de vinho na briga. Porém, assim como Walken (que raramente fala do assunto e não participa do filme), ele alega que todos foram dormir e que só deram falta de Natalie pela manhã. A versão oficial foi a de que ela, que estava bêbada, foi ao deck sozinha porque estava incomodada com o barulho do bote salva-vidas batendo no iate. Ao se inclinar para puxar o bote, se desequilibrou, caiu e se afogou. Ninguém teria ouvido pedidos de socorro.

A irmã de Natalie diz que Wagner a empurrou durante a briga, mas sem testemunhas não há como disputar a versão de quem estava no iate.  Natasha não insiste e não é dura com o padrasto, portanto ou se acredita nele ou não. Mas ela fez a pergunta. A causa da morte foi reclassificada como “afogamento e outros fatores indeterminados”, o que motivou à família a fazer o documentário, com a esperança de manter a versão de acidental.

Independentemente da conclusão investigativa, a oportunidade de revisitar a vida de Natalie Wood é ímpar. O filme está disponível para assinantes no HBO GO. Veja o trailer:

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