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Empreendedorismo feminino na pandemia: dicas para ter um negócio próprio

Três mulheres contam como decidiram começar os seus negócios e quais têm sido os resultados (sim, incríveis) das vendas por canais digitais

Por Marcela de Mingo Atualizado em 18 jan 2022, 19h44 - Publicado em 25 jan 2022, 10h00

Ninguém incluiria uma crise global entre os desejos de qualquer ano novo. Ainda assim, a pandemia de coronavírus veio há dois anos e continua impactando a vida de milhares de mulheres no Brasil. Dizemos “mulheres” porque elas foram as mais afetadas pelo evento sanitário: segundo o Ministério do Trabalho, 96% das pessoas demitidas em 2020 eram mulheres. Quem manteve sua posição ainda precisou somar as tarefas domésticas e o cuidado com os filhos, muitas vezes sozinha (no país, há mais de 11 milhões de mães solo).

É difícil imaginar que todas tivessem reservas de emergência ou alguém que bancasse as suas contas temporariamente. Nesse sentido, a guinada que muitas fizeram para se tornarem empreendedoras foi, sim, uma resposta à necessidade. Mas a prosperidade que elas alcançaram é de extrapolar qualquer lista de metas!

CLAUDIA conversou com três mulheres que enxergaram boas oportunidades nas suas áreas e compartilham passos certeiros para seguir o mesmo caminho. Um deles: investir nos canais digitais de venda acelera, e muito, os novos negócios.

Memórias afetivas preservadas

Empreendedorismo feminino na pandemia
Renata Oliveira Batista e as lindas flores preservadas em resina da sua marca, a Reflourish; busca por itens de memória afetiva impulsionou o negócio | Foto: Cecília Bajic/Getty Images/CLAUDIA

Renata Oliveira Batista, de 41 anos, mora em Sorocaba, no interior de São Paulo. Durante uma viagem de período sabático, entre 2019 e o começo de 2020, circulou bastante dentro do Brasil, passou pela Riviera Maya, no México, e visitou os Estados Unidos e o Canadá. Foi desse último país que escolheu guardar de lembrança as famosas folhas de maple, caídas durante o outono. Decidiu armazená-las dentro de um livro, apenas para vê-las escurecidas e despedaçadas ao voltar para casa. “Foi então que comecei a pesquisar sobre secagem de folhas e flores”, lembra Renata.

Ela encontrou uma série de técnicas de preservação, mas o que realmente chamou a sua atenção foi o trabalho com resina. Com um olhar voltado para a decoração, decidiu unir as duas coisas. Assim nasceu a Reflourish (@reflourish_), empresa com foco na preservação de flores naturais em resina. “Fui descobrindo outras pessoas nos Estados Unidos e na Europa que já estavam fazendo essa arte. Ao investigar aqui no Brasil, descobri que não havia muitas pessoas realizando esse artesanato. Nesse momento, percebi uma oportunidade”, conta.

O negócio surgiu como uma forma de recomeço para Renata. Antes de se descobrir empreendedora, ela trabalhou por oito anos como assistente executiva do presidente de uma multinacional. Passou por uma série de dificuldades até, infelizmente, cair no burnout. O sabático veio inicialmente como um período de recuperação e descanso, mas a mudança de ares despertou sua criatividade. “Ao regressar, já estávamos com o burburinho da pandemia chegando por aqui. Ainda não me sentia pronta para voltar ao mundo corporativo”, conta.

“De repente, me vi em lockdown, cheia de incertezas e inseguranças por tudo o que estava ocorrendo no país e no mundo, e em busca de me reconectar com coisas que me faziam bem.” Da ideia inicial até o design foram poucos meses, e a alegria encontrada na confecção de cada peça deu à Renata a força necessária para continuar com a prática. Nas redes sociais, uma postagem do buquê de uma conhecida preservado em resina, em maio do ano de 2021, foi responsável por fazer sua proposta estourar no nicho de noivas. “No comecinho, era uma peça a cada dois meses. Hoje, já recebo uma média de dois buquês de noiva por semana”, comemora. Neste momento, tem quinze peças em processo de finalização e outros dez buquês em secagem – um volume considerável para quem trabalha sozinha, sem auxílio de qualquer funcionário.

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Um bolo diferente para cada um

Ana Luisa Moreira, que divulga seus bolos no perfil @vanillacakes.pt: ela aprendeu confeitaria pela internet em três meses
Ana Luisa Moreira, que divulga seus bolos no perfil Vanilla Cakes: ela aprendeu confeitaria pela internet em três meses | Foto: Fita, Mirage C/Getty Images; Suspiro, Unpict, Getty images; Colher, MIB Pictures/Getty Images, as demais, divulgação/CLAUDIA

O ímpeto criativo foi o ponto de partida para Ana Luisa Moreira, de 39 anos. Paranaense de berço, hoje moradora de Sintra, em Portugal, ela deixou o meio corporativo, no qual trabalhou por 15 anos, para se dedicar aos dois filhos. “Passados dois anos vivendo intensamente esta fase, ter uma atividade produtiva começou a fazer falta”, afirma Ana Luisa. “Sentia que o mundo corporativo já não era mais meu caminho. Queria trabalhar mas ter a flexibilidade de estar próxima aos meus filhos quando necessário.”

Ao contrário de Renata, Ana teve a ideia “do nada”, sem muita explicação racional. “Na minha rotina de confinamento, tomei a decisão de que trabalharia com bolos decorados e exclusivos – mesmo nunca tendo feito nada parecido com isso. Fui atrás de cursos e estudei muito. Preparei intensamente o negócio por três meses e então comecei a oferecer meu produto ao mercado”, lembra. Para a agora confeiteira, o nascimento e crescimento do seu negócio não poderiam ter acontecido numa época diferente.

A crescente oferta de cursos on-line durante o período da pandemia se encaixou no que ela precisava e também na sua rotina. “Assim eu pude me preparar para oferecer o serviço na qualidade que desejo.” No perfil @vanillacakes.pt, ela compartilha as criações mais extravagantes e convida seu público a festejar cada momento da vida com bolo. “Começar com uma produção de mini bolos foi perfeito para ganhar experiência”, continua Ana. “Agora, com a liberação de várias restrições, as pessoas estão mais motivadas em celebrar e estar com as pessoas queridas, ainda que em encontros menores. A demanda está maior que a minha capacidade de atender.” Eis o tipo de “problema” que toda nova empreendedora sonha em ter.

Costuras sem ponto final

Bordados de Maria José Silva, da @bordaderiatelier: carinho e comunicação bem próxima com os clientes são fundamentais
Bordados de Maria José Silva, da Bordaderiatelier: carinho e comunicação bem próxima com os clientes são fundamentais | Foto: bordaderiatelier/Reprodução

As aulas on-line foram essenciais para Maria José Tenório da Silva, carioca de 60 anos, empreender. Numa tentativa de continuar colaborando com o INSS, ela surgiu com a ideia de fazer bordados decorativos na Borderiatelier (@bordaderiatelier). “Os hábitos de consumo mudaram, e também a forma de adquirir produtos artesanais. Graças a Deus o ateliê está crescendo, continuo fazendo cursos e me especializando, para melhorar sempre”, compartilha Maria José. O conturbado período que vivemos desde 2020 foi um catalisador da busca por alternativas de novos rendimentos.

“Enxerguei além da crise uma fonte necessária de sobrevivência”, conta ela. “Minha maior alegria é o carinho e o reconhecimento do meu trabalho”, diz. “Isso não tem preço. Em qualquer bordado, dou o meu melhor. Sou um canal que transborda e não uma represa que retém.” Ela faz porta alianças para noivos, chaveiros e quadrinhos, entre outros itens, todos divulgados nas redes sociais com mensagens pessoais de agradecimento aos clientes. Intimidade e comunicação afetuosa, entre as empreendedoras que querem ganhar espaço em 2022, não podem ficar de fora.

Dentre dificuldades, os louros

Conceber, tocar e fazer crescer um negócio não é simples. Mas pode ter, sim, um sabor doce de conquista. “É muito gratificante ter um sucesso e reconhecimento maior do que jamais esperei”, explica Ana Luisa Moreira. “Decidi arriscar em meio a muitas adversidades e me surpreendi ao encontrar um público enorme. Não há alegria maior nisso tudo que o reconhecimento dos clientes através das suas mensagens encantados com beleza e o sabor dos bolos.” Concretizar algo que era apenas uma ideia é a maior fonte de realização das mulheres à frente de seus próprios negócios. “Ver o meu trabalho tomando forma e chegando nos resultados que eu esperava é muito satisfatório. O carinho, o amor e toda a emoção que as minhas clientes sentem ao receber a sua peça de memória afetiva preservada acabam sendo a minha maior felicidade”, finaliza Renata Oliveira Batista.

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