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Ana Claudia Paixão A jornalista Ana Claudia Paixão (@anaclaudia.paixao21) fala de filmes, séries e histórias de Hollywood

Shirley Chisholm é uma personagem que merece protagonismo em Hollywood

A primeira mulher negra a se candidatar à presidência dos Estados Unidos, em 1972, vai (finalmente) ter um filme sobre sua vida

Por Ana Claudia Paixão Atualizado em 8 fev 2021, 19h30 - Publicado em 23 jan 2021, 10h00

Na posse como vice presidente dos Estados Unidos, Kamala Harris fez uma homenagem a uma de suas maiores inspirações políticas, Shirley Chisholm. Shirley foi a primeira mulher negra a se candidatar à presidência americana e, durante sua campanha, entrou para a História por estar quase sempre com a cor roxa.

A história de Shirley Chisholm é nada menos do que incrível. Filha de imigrantes, ela cresceu em um tempo de segregação nos Estados Unidos, e ainda na faculdade, se destacou nos debates políticos, onde defendia a inclusão e igualdades tanto das mulheres quanto dos negros, entre outros temas.

O sobrenome Chisholm veio do primeiro marido, o advogado Conrad O. Chisholm, que trabalhava como investigador particular. A carreira de Shirley começou como professora e, em 1953, entrou oficialmente para a política, se envolvendo também na luta pelos Direitos Civis.

A causa feminina sempre foi muito importante para ela que, mesmo entre colegas políticos, encontrou resistência apenas porque ser mulher. Nada a assustava. No final dos anos 1960, foi a primeira mulher negra a ser eleita para o Congresso americano, no qual teve um desempenho exemplar. Em sua equipe contratava apenas mulheres, garantindo que metade fosse de negras também. Em 1972, ela foi além e se lançou como candidata para a vaga dos Democratas à presidência dos Estados Unidos.

Sua coragem, hoje reconhecida e reverenciada, não foi suficiente para que fosse a escolhida. Essa determinação é até hoje inspiração para outras mulheres, como a vice-presidente, Kamala Harris. Depois que deixou o Congresso, nos anos 80, Shirley voltou a lecionar. Até o fim de sua vida se posicionou radicalmente contra polarização e intolerância. Aos 81 anos, aaleceu em 1º de janeiro de 2005 depois de sofrer uma série de derrames.

Com tantos feitos é de se surpreender que a vida de Shirley não tenha sido inspiração para filmes ou séries. De alguma forma, Mrs America, da Fox, conta sua campanha pela presidência e envolvimento com a causa feminista, nas não se estende muito. Ainda assim, vale conferir porque a atuação sensível e forte da atriz Uzo Aduba, de Orange is The New Black, rendeu um merecido Emmy de Melhor Atriz em minissérie que está disponível na plataforma da Fox Premium.

SPOILER ALERT: Alguns críticos questionaram a decepção de Shirley mostrada na série, que teria ficado desapontada com a falta de apoio efetivo das ativistas e feministas Betty Friedan e Gloria Steinem, por sua candidatura, mas foi real. Gloria teria abertamente se arrependido de não ter sido mais efetiva como delegada de campanha. Esses momentos são alguns dos mais interessantes da série.

Se em Mrs America a história de Shirley não é a central, há um movimento para reparação. Em 2018, Viola Davis chegou a ser anunciada como a estrela The Fighting Shirley Chisholm, um filme que abordaria a campanha presidencial da ativista e seria baseado nas biografias Unbought and Unbossed (Sem preço e sem chefe) e The Good Fight (A Boa Luta), que a atriz iria produzir para a Amazon Prime Video. Só que a produção atrasou e o papel agora é de Danai Gurira, mais conhecida por sua atuação em Pantera Negra e The Walking Dead. O filme não deve ficar pronto antes de 2022.

Portanto, pegando o gancho que Kamala Harris destacou na posse, vale conferir a série Mrs America e se inspirar com a integridade e coragem de uma líder como Shirley Chisholm.

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