Sinais de que você está casada com um narcisista
Especialistas apontam quais sinais um parceiro com traços narcisistas pode apresentar e como isso impacta uma relação amorosa
Estar em uma relação consiste em criar um espaço onde as duas pessoas possam se sentir seguras em compartilhar suas opiniões, escutar o que o outro tem a dizer, estabelecer limites e expressar incômodos sem medo. No entanto, quando essa dinâmica deixa de ser recíproca e passa a ser ocupada apenas pelas necessidades de um dos parceiros, alguns sinais podem acender um alerta.
Quando esse padrão aparece com frequência, é importante olhar para a dinâmica do relacionamento com atenção. Existem diferentes comportamentos que podem produzir esse desequilíbrio, e entre eles, estão características associadas ao narcisismo. Mas o que caracteriza uma pessoa com traços narcisistas?
Segundo o médico psiquiatra Bruno Cammarota, uma pessoa com traços narcisistas prioriza o próprio bem-estar e tende a colocar as próprias necessidades acima das de quem está ao seu redor.
“Uma pessoa com personalidade narcisista se preocupa excessivamente com seu bem-estar, manipula pessoas e situações a seu favor exclusivamente. Não se importa com a opinião dos outros, por vezes, mente em demasia.”
Dentro de um casamento, essas características podem aparecer de diferentes formas e afetar a maneira como aquele casal de relaciona no dia a dia. A frequência de alguns comportamentos pode ser o indício de que aquela dinâmica já deixou de considerar ambos os parceiros de forma equilibrada.
As necessidades de um dos parceiros sempre vêm primeiro
Um dos sinais mais nítidos de como comportamentos narcisistas podem impactar a dinâmica dentro de um casamento é quando apenas as necessidades de um dos parceiros são colocadas como importantes, enquanto o outro parceiro tem suas demandas ignoradas ou quase sempre colocadas em segundo plano.
“As necessidades, dores ou conquistas do parceiro são sistematicamente minimizadas, enquanto as demandas da pessoa com traços narcisistas ocupam sempre o centro absoluto do palco. Tudo do narcisista é importante; do outro, nunca é, e ele ainda acha que não foi bom o suficiente”, explica a psicóloga Daiane Viana, psicóloga da Doctoralia e especialista em Clínica Analítico-Comportamental, TCC e DBT.
Nesse contexto a relação também pode começar a funcionar como uma espécie de “moeda de troca”, pois o afeto, o cuidado e a atenção passam a existir principalmente quando as demandas da pessoa narcisista forem atendidas.
Pisando em ovos na relação
Quando as opiniões e discordâncias de um dos parceiros passam a ser motivo de discussões ou reações negativas do outro, é importante ficar atento a esse padrão. A partir do momento em que isso se torna frequente e passa a ser alvo de críticas, o parceiro pode aprender a parar de se posicionar e questionar certos comportamentos, tudo isso para evitar que a relação continue se desgastando.
Segundo Daiane, isso pode levar o parceiro a desenvolver um estado de alerta constante dentro da relação. “O parceiro passa a monitorar o próprio tom de voz, as palavras e os desejos para evitar gatilhos de fúria, silêncio punitivo ou críticas”.
Com isso, as situações que, antes, eram discutidas naturalmente passam a exigir cada vez mais cuidado, fazendo com que a pessoa pense duas vezes antes de expressar o que sente ou deseja.
Quando a culpa nunca é do outro
Com o passar do tempo, um comportamento pode acender dúvidas na cabeça do parceiro impactado pelos traços narcisistas do companheiro: será que a culpa é sempre minha? A profissional explica que, nesse estágio, as reclamações e problemas da relação começam a recair sobre apenas uma das partes, e a “dança da culpa” começa a se manifestar.
“Qualquer tentativa do parceiro de expressar uma mágoa é rapidamente convertida em um ataque contra o outro. A discussão nunca é sobre o problema real, mas sobre o ‘quão injusto o parceiro está sendo'”, afirma Daiane.
Já para o psiquiatra Bruno Cammarota, a dificuldade em assumir responsabilidades pode aparecer nas ações do parceiro narcisista, com a terceirização de seus atos, além da distorção de fatos e da descredibilização das opiniões do parceiro.
Nesse momento, é importante destacar que a carga emocional não atinge apenas o relacionamento, mas também começa a impactar a saúde psicológica do parceiro.
O sofrimento psicológico
A partir do momento em que a relação entra nesse estado crítico, o parceiro afetado pode passar por um período de sofrimento psicológico significativo, e não demora muito até que o corpo e a mente comecem a dar sinais de estresse elevado.
Um dos primeiros sinais que pode ser observado é a queda da autoestima e da autoconfiança. Nesse momento, a pessoa pode começar a duvidar de si mesma e até da sua capacidade de tomar decisões básicas. Para além disso, fadiga crônica, crises de ansiedade e a sensação de estar sob ameaça também podem se manifestar
Outro ponto que deve ser observado com atenção é o distanciamento social. Pouco a pouco, o cônjuge pode se fechar para outros ciclos sociais para evitar o desgaste do relacionamento.
“Para evitar conflitos ou a vergonha de expor a dinâmica do casamento, o parceiro aos poucos se afasta de amigos, familiares e de redes de apoio”, explica Daiane.
Para o psiquiatra Bruno Cammarota, existem pessoas que podem estar mais suscetíveis a esse tipo de manipulação, principalmente se a pessoa tem problemas de autoestima ou relacionados a insegurança.
“Pessoas inseguras ou com baixa autoestima são facilmente manipuladas e aceitam, de forma submissa, tudo que o outro determina”, aponta o profissional.
É possível estabelecer limites em uma relação assim?
Segundo Daiane, é possível estabelecer limites dentro de uma relação com uma pessoa com traços narcisistas, mas, para isso, é importante ter a clareza de que você não tem o poder de mudar aquela pessoa. O objetivo principal é proteger a integridade psicológica do parceiro afetado e entender se aquela relação ainda é um ambiente saudável.
“Em vez de esperar que o outro pare de gritar ou manipular, o limite foca no que você fará caso isso aconteça. Por exemplo: ‘se a conversa subir o tom dessa forma, eu vou me retirar do ambiente até que possamos falar com calma'”, aconselha.
O que fazer depois disso?
Reverter danos psicológicos não é uma tarefa fácil, mas a psicóloga Daiane Viana explica que, ao reconhecer esses padrões, é necessário recorrer à algumas ações para romper essa dinâmica que, muitas vezes, pode ser abusiva. Portanto, é importante resgatar o contato com a própria realidade e a rede de apoio, além de ficar atenta para não cair em afirmações distorcidas do parceiro.
Também é válido buscar a psicoterapia para validar os próprios sentimentos, enxergar a relação com mais clareza e entender que, apesar do desejo, não é possível mudar o outro. Por fim, Daiane exemplifica, mais uma vez, como a psicoterapia pode ser aliada para avaliar aquele relacionamento.
“Na clínica, ajudamos o paciente a olhar friamente para a relação e se perguntar: este ambiente relacional oferece condições mínimas de segurança emocional, ou eu estou gastando toda a minha energia tentando sobreviver a ele?”, finaliza.
Assine a newsletter de CLAUDIA
Receba seleções especiais de receitas, além das melhores dicas de amor & sexo. E o melhor: sem pagar nada. Inscreva-se abaixo para receber as nossas newsletters:
Acompanhe o nosso WhatsApp
Quer receber as últimas notícias, receitas e matérias incríveis de CLAUDIA direto no seu celular? É só se inscrever aqui, no nosso canal no WhatsApp.
Acesse as notícias através de nosso app
Com o aplicativo de CLAUDIA, disponível para iOS e Android, você confere as edições impressas na íntegra, e ainda ganha acesso ilimitado ao conteúdo dos apps de todos os títulos Abril, como Veja e Superinteressante.
As receitas de CLAUDIA Cozinha na sua mão
Receitas práticas e saborosas para qualquer hora do dia! Seja para um ocasião especial ou até para um jantar rápido e saudável. O aplicativo de CLAUDIA Cozinha com nossas melhores receitas está disponível para iOS e Android.






