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Mulher nota 9

Além de ser boa mãe, ótima esposa e workaholic, você ainda quer salvar a humanidade? Pode parar! Sanidade e tempo livre também são espécies em extinção

Por Redação M de Mulher
Atualizado em 28 out 2016, 15h34 - Publicado em 7 nov 2008, 22h00

Além de sermos supermães, esposas 
amorosas e profissionais exemplares, 
ainda queremos estar sempre impecáveis
Foto: Dreamstime

Você conhece uma mulher assim: quando a gente pergunta qual a sua maior qualidade, ela não sabe responder, mas, quando perguntamos pelo pior defeito, ela se apruma e diz com um prazer maldisfarçado: “Sou perfeccionista demais!” Provavelmente, ela é igualzinha à mulher que aparece todos os dias no espelho do seu banheiro. Confesse: você também não é uma faz-tudo exemplar? Meninas, hora de nos reavaliar. Coffee-break. Temos de descobrir aonde, afinal, queremos chegar com essa busca desenfreada pela perfeição. Fingimos que consideramos o perfeccionismo um defeito, mas, no fundo, é nosso orgulho maior. Só que esse orgulho tem um preço. Quem foi que disse que, ao assumirmos certas atribuições outrora masculinas, teríamos que virar as mestras em eficiência, as Ph.D. em produtividade? Não foi para isso que se fez a revolução feminista. Que eu me lembre, foi para nos libertar, não para nos enjaular. No entanto, é assim que nos encontramos hoje: presas a uma expectativa de sucesso absolutamente insana. E não bastasse todo o nosso empenho em ser a melhor profissional, a melhor mãe, a melhor esposa, ainda fazemos nossa parte para salvar o planeta: fechamos torneiras, economizamos combustível, só compramos produtos biodegradáveis com embalagens recicláveis e evitamos sacolas plásticas, já que plástico é um veneno. Ufa! Já foi mais fácil viver. 

Antigamente, no tempo daquelas senhoras de cabelo branco, tudo o que uma mulher almejava era que as camisas do marido fossem bem passadas, que a casa não apresentasse sinal de poeira e que as crianças tirassem boas notas no colégio. Era sopa no mel. Dávamos conta de tudo e sobravam tardes e tardes para pensar no que faríamos se fôssemos donas do próprio nariz. De repente, entendemos que o nariz era realmente nosso e de ninguém mais. Era a senha para invadir o mundo deles, que sempre foi mais estimulante e divertido. Passamos a trabalhar, a ter o próprio dinheiro, a viajar sozinhas, a sair à noite com as amigas, a praticar esportes, a ler os jornais, a ter opinião, gozar, fumar, dirigir, votar, trair e coçar — era só começar. Por pouco não deixamos crescer o bigode, mas nem tudo em Frida Kahlo (importante pintora mexicana) é inspirador. Ser valente, raçuda e corajosa, sim, pero perder a vaidade, jamás. 

Atualmente, mulheres tripulam foguetes, presidem países e são autoras de descobertas científicas. Mas você, que não é astronauta, nem presidente de nada, nem candidata a Einstein, anda se cobrando dessa maneira por quê? Era para ser divertido, lembra? Só que sua agenda está mais cheia do que a da Condoleezza Rice (secretária de Estado dos EUA no governo George W. Bush). Você não consegue se conceder meia hora para fazer as unhas. Está tão estressada que quase cai aos prantos quando seu patrão dá uma bronca. E você não dorme, criatura! Acredita mesmo que cinco horas por noite é suficiente? Suficiente para pescadores! Você passa seu creme anti-rugas antes de se deitar e, quando acorda, elas estão todas lá, quadruplicadas pelo cansaço. E nem adianta tentar encontrar uma horinha para aplicar Botox porque sua dermatologista está sem hora livre até abril — ela é mulher como você, portanto, outra maluca viciada em agenda cheia. 

Estamos todas perdendo feio para este que devia ser nosso aliado, mas virou um inimigo: o tempo. É do psicanalista Contardo Calligaris a frase: “Não é tão importante ser feliz, mais vale ter uma vida interessante”. Pergunte a si mesma: assumir tantos compromissos e ser tão tirânica em relação ao seu desempenho está fazendo você mais feliz? Se a resposta é não, pare tudo e troque por uma vida mais interessante.

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