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Alexandre Garcia, por favor, apenas pare

Não satisfeito em fazer piada com feminicídio um mês atrás, o jornalista agora resolve tratar com leviandade a temática do estupro.

Por Júlia Warken - Atualizado em 20 jan 2020, 19h13 - Publicado em 3 mar 2017, 13h16

Aparentemente incapaz de repensar suas atitudes, o jornalista Alexandre Garcia resolveu, mais uma vez, tratar com leviandade o tema da violência contra a mulher. No início de fevereiro, ele já havia feito ~piada~ com o termo “feminicídio” e foi muito criticado por isso.

Dessa vez, na última quinta-feira (2), Garcia não se conteve em fazer um comentário de extremo mau gosto (para não dizer cruel) a respeito da notícia em que Jane Fonda revelou ter sido vítima de estupro na infância.

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Na mesma linha de quem questiona e faz piada com o jornalismo de fofoca (à la “Caetano Veloso estacionou o carro no Leblon”), ele achou conveniente tratar de maneira leviana um assunto tão sério como o estupro.

Acontece que essa notícia não é uma fofoca qualquer e, sim, a repercussão de um ato corajoso, que joga luz a um problema muitas vezes varrido para baixo do tapete. Ao revelar um episódio tão doloroso de sua vida, Jane Fonda coloca o estupro e a pedofilia mais uma vez em pauta, mas não apenas isso: ela também manda um recado de superação às vítimas que passaram e ainda passam pelo mesmo drama.

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Assim como na ocasião do tuíte sobre feminicídio, as respostas ao post foram imediatas. Muita gente explicou ao jornalista a razão pela qual a notícia é relevante. E mais: a razão pela qual é extremamente irresponsável soltar comentários levianos ao vento quando o assunto em questão é dramático desse jeito.

Tentando se redimir, Garcia tratou de publicar um adendo:

De fato, uma brasileira é estuprada a cada 11 minutos e muita gente hoje conhece esse dado. E sabe por quê? Porque nós estamos nos importando com o fato. Desde que aquela atrocidade aconteceu no Rio de Janeiro, em maio de 2016 (sim, o estupro coletivo envolvendo 33 homens), nunca se falou tanto sobre o assunto. A pauta da violência sexual ganhou a mídia, as redes sociais e tornou-se assunto dentro de casa.

Nunca antes vimos tantas campanhas contra assédio no carnaval, por exemplo. E o 8 de março, inclusive, será dia de mobilização em todo o Brasil (e no mundo) para, novamente, dar foco às demandas relacionadas aos direitos das mulheres.

Ainda há muito o que fazer para que a violência contra os nossos corpos mude de fato? Sem dúvida alguma! Mas nós estamos escandalizadas e estamos reagindo, sim. Falar sobre a louvável coragem de Jane Fonda não apaga isso, muito pelo contrário. São coisas que se complementam.

Alexandre Garcia precisa compreender que tripudiar com o sofrimento da atriz americana não contribui em absolutamente nada para que as mulheres deixem de ser estupradas aqui no Brasil. Contribui apenas para reafirmar que homens como ele não tem um pingo de sensibilidade pela nossa causa.

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