Como reconhecer os sintomas do Alzheimer

A estimativa é de que, no mundo inteiro, 47 milhões de pessoas sofram de demência

A Doença de Alzheimer é a forma mais comum de demência, responsável por 60% a 70% dos casos, segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS). A estimativa é de que, no mundo inteiro, 47 milhões de pessoas sofram de demência e que cerca de 10 milhões de novos casos sejam registrados a cada ano.

Degenerativa e progressiva, em geral, os primeiros sintomas da doença aparecem relacionados à perda de memória, mas não só ela. Segundo a Fabiana Satiro, especialista em gerontologia e membro da Associação Brasileira de Alzheimer, há muito o que se observar antes de diagnosticar um paciente. Tire suas dúvidas:

A perda de memória é comum na terceira idade ou isso é um mito?

O esquecimento frequente nunca é normal, seja em qual idade for. Há muitas possibilidades: pode ser alguma carência de vitaminas, problema de tireóide, depressão. Podemos começar a pensar em Alzheimer apenas quando todas essas outras hipóteses são afastadas. Entretanto, para qualquer um dos casos, quanto mais cedo se iniciar o acompanhamento, melhor as chances do paciente ter qualidade de vida.

O que faz parte das perdas progressivas da idade?

Com o envelhecimento, é comum uma lentificação do “lembrar” e um prejuízo da atenção, mas nada que comprometa completamente as atividades diárias. Por exemplo: talvez fique mais difícil ler jornal em um ambiente muito barulhento, mas a leitura ou o bate-papo, separadamente, são desempenhados com tranquilidade.

Como diferenciar uma falha de memória e o sintoma de algo mais grave?

Os esquecimentos começam a preocupar quando afetam o dia a dia da pessoa; quando a rotina fica dificultosa. Geralmente, essas informações são importantes, como nomes de filhos e memórias recentes, por exemplo. Não são apenas lapsos leves, como não se lembrar do nome de um ator ou de uma data distante.

Quais outros possíveis sintomas do Alzheimer?

Outro ponto a se observar são mudanças comportamentais e de humor. O paciente que era muito organizado passa a ser desordeiro e perder objetos. Alguém que costumava se cuidar e manter a vaidade passa a evitar hábitos de higiene. É sempre importante usar o próprio paciente como parâmetro. Pense em como a pessoa era há cerca de 10 a 15 anos e compare. Apatia, irritabilidade, dificuldades cognitivas também são fatores sensíveis, bem como problemas de orientação (como dificuldade em fazer trajetos costumeiros sem se perder). As idades de risco começam em 65 anos, e a probabilidade de desenvolver dobra a cada 5 anos. Vale se atentar a isso.

Há como evitar seu desenvolvimento ou o progresso?

Alimentação saudável, prática regular de atividades físicas e consumo mínimo de álcool são medidas básicas, assim como combater o tabagismo. Mas a questão social também é importante. Exercícios intelectuais, como leitura ou aprendizado de uma nova língua, são grandes trunfos. Quando envelhecemos, também tendemos ao isolamento e isso é perigoso. Quanto maior a intensidade das atividades sociais, melhor.

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