Acne tardia: tratamentos para deixar as espinhas no passado de vez

Espinhas frequentes na idade adulta são mais comuns do que você imagina. E, quase sempre, sinal de que algo não vai bem com os hormônios, a alimentação ou os cuidados diários

Mochila da escola, aparelho nos dentes e… espinhas. Se só nesse combo o surgimento delas lhe parece razoável, saiba que as coisas também podem ficar espinhosas aos 20, 30, 40 e até aos 50 anos. A acne adulta, como o problema é chamado, afeta 54% das mulheres acima de 25 anos, segundo a Academia Americana de Dermatologia. Por aqui, um levantamento da Sociedade Brasileira de Dermatologia ,em parceria com a marca de dermocosméticos Theraskin, apontou que esse é o motivo que mais leva pacientes dessas faixas etárias aos consultórios dermatológicos.

Mesmo que nunca tenha se manifestado (nem mesmo na adolescência) ou tenha permanecido dormente por alguns anos, a acne pode ser desencadeada por alguns fatores, como stress, cosméticos e maquiagem inadequados para o tipo de pele, poluição ou até alimentação. Por essência, todos eles estão na base da cadeia que provoca o entupimento dos folículos pilosos e bloqueia a saída do sebo – produzido pelas glândulas sebáceas, ele tem a função de proteger a pele. O poro, tampado e preenchido por óleo, dá origem ao comedão (vulgarmente, um cravo). Em alguns casos, a presença de bactérias ainda causa um processo inflamatório, a espinha. “Esse tipo de lesão, dolorida ou não, concentra-se principalmente na parte inferior do rosto, na região das mandíbulas”, explica a dermatologista Claudia Marçal, de Campinas (SP). Da adolescência à idade adulta, o que muda são os gatilhos. “Se a oscilação hormonal ligada à puberdade é o fator determinante da acne em adolescentes, mais tarde ela pode ser resultado de diversos fatores combinados”, diz a dermatologista Bianca Wiedemann, do Rio de Janeiro. Identificá-los é essencial para buscar o tratamento adequado.

De olho no rótulo
 
Protetor solar, anti-idade, hidratante, base, BB cream… A mistura e o uso frequente de maquiagem e cosméticos dificultam o diagnóstico de acne na mulher adulta. “É importante usar produtos específicos para cada tipo de pele”, diz a dermatologista Karla Assed, do Rio de Janeiro. Quem tem pele oleosa ou com tendência a acne deve evitar cosméticos à base de óleo e cremes muito densos, dando preferência a versões em gel ou sérum, mais fluidas. Falta de hidratação também pode levar a pele a produzir mais sebo como forma de compensação. Portanto, nada de pular essa etapa no ritual diário de cuidados.

Muita calma nesta hora
 
O stress é apontado como um dos principais vilões da pele da mulher adulta. As aflições do cotidiano ou perturbações pontuais fazem os níveis do cortisol (chamado de hormônio do stress) subir às alturas. De acordo com um estudo feito pela Academia Americana de Dermatologia, esse aumento tem como consequência uma produção exagerada de óleo pelas glândulas sebáceas. É por isso que mesmo quem não costuma ter acne às vezes enfrenta o problema em momentos de tensão. “Além disso, o cortisol enfraquece a barreira protetora natural do rosto, deixando-o mais suscetível a inflamações e infecções”, explica Bianca.

Limpeza criteriosa
 
Se a causa não for hormonal nem estiver ligada à alimentação, o problema talvez seja simplesmente a
falta de limpeza adequada. Resquícios de cosméticos ou excesso de sujeira tapam os poros e entopem os folículos – um prato cheio para o surgimento da acne. Daí a importância de retirar bem a maquiagem antes de dormir. O ritual básico de cuidados inclui limpeza, tonificação e hidratação do rosto pela manhã e à noite. “Para controle da inflamação, use sabonetes à base de extratos calmantes e anti-inflamatórios, como ácido salicílico e peróxido de benzoíla, que diminuem a produção de sebo”, diz Karla.

Hormônios a mil
 
Alterações no sistema endócrino têm relação direta com o surgimento de acne adulta. “O quadro geralmente está ligado ao estímulo inadequado dos receptores masculinos, a problemas na tireoide ou disfunções em geral”, afirma Claudia. A acne também pode ser um importante sintoma da síndrome dos ovários micropolicísticos, doença que gera desequilíbrio nos hormônios femininos.

Dieta da pele
 
E lá vem aquela história do chocolate… A antiga polêmica que gira em torno dessa e de outras iguarias tem fundamento, segundo os especialistas. “O consumo exagerado de alimentos com alto índice glicêmico – assim como daqueles que contêm gorduras trans e saturadas – pode potencializar a inflamação e a resistência à cicatrização dos comedões”, afirma Claudia Marçal. Fazem parte da lista todos os carboidratos que liberam açúcar no sangue rapidamente (para ser usado pelo corpo como energia), como pães, massas e doces em geral. De acordo com um estudo conduzido pelo departamento de nutrição da Universidade de Nova York, nos Estados Unidos, a explicação estaria justamente no pico de açúcar no sangue, que influenciaria outros hormônios e desencadearia a produção excessiva de sebo. O mesmo estudo apontou, ainda, outros vilões: o leite e seus derivados, por carregarem hormônios em sua composição.