Bebês de mulheres presas ganham ensaio fotográfico ‘new born’

Com direito a cenários e fantasias especiais, as quatro detentas puderam registrar um momento especial e raro ao lado dos filhos

Quatro detentas do Centro Prisional Feminino de Cariacica (CPFC), no Espírito Santo, participaram de um iniciativa mais que especial. Ao lado de seus filhos, as mulheres posaram para um ensaio fotográfico no estilo new born, com direito a cenários e figurinos temáticos.

Parte do projeto “Da gestação para a vida“, a ação foi idealizada para que, apesar de estarem encarceradas, as mães não fiquem privadas da chance de viver um momento tão importante e também registrá-lo.

“Infelizmente, muitas dessas mães não poderão acompanhar o crescimento dos seus filhos. Com as fotos, as mães e a família terão como recordação imagens dos bebês nos primeiros meses de vida, fato que não seria possível pela condição de prisão. É algo para ficar eternizado”, explicou Graciele Sonegheti Fraga, diretora da unidade prisional ao G1.

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De fato, a convivência entre mães detentas e seus filhos é algo breve no Brasil. A Lei de Execuções Penais garante às presas em regime fechado que permaneçam em um alojamento materno-infantil por um período mínimo de 6 meses.

Durante esse tempo, ambos recebem atendimento psicológico e assistência médica e social. Caso a unidade possua estrutura de creche, o tempo de permanência pode ser estendido até a criança completar sete anos.

É comum, porém, que antes mesmo que o bebê tenha um ano de vida, sua guarda provisória seja negociada entre o Poder Judiciário e a interna. Quando o pai da criança também se encontra preso – o que não é raro –, a guarda é concedida a algum outro familiar.

Tal realidade faz com que o projeto do CPFC seja muito bem recebido pelas detentas. Mayara Aparecida Wanderley é uma delas. Mãe de João Pedro, de apenas dois meses, ela disse ter sido surpreendida pela ação, pois não esperava ter esse tipo de registro do filho.

“As fotos foram feitas em cenários lindos. Tudo muito profissional. É uma recordação que vou guardar do meu filho para toda a vida”, contou emocionada.

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A emoção contagia também quem está do outro lado das câmeras. Para Luana Andrioli, fotógrafa convidada, a oportunidade de ser parte da iniciativa foi gratificante.

“São pessoas que estão passando por uma situação muito difícil e contribuir com algo especial assim, levando alegria para elas, foi muito recompensador. Fiquei tão grata por realizar esse trabalho que pretendo me especializar em fotos new born. Essa experiência no presídio também ficará eternizada para mim”, disse ela.

O toque profissional do ensaio também contribuiu para aumentar a sensação de momento inesquecível. Afinal, foi a primeira vez que utilizaram os cenários e brinquedos, cedidos pela outra fotógrafa, Carla Nogueira.

“A gente já fazia internamente, com uma câmera que ganhamos, mas fazíamos sem o fundo colorido, sem as roupinhas diferentes. Era feito na grama, com os brinquedinhos”, explicou a diretora do presídio. “Então surgiu essa ideia de tirar o foco de sistema prisional, sem trazer essa imagem de prisão. A infância existe, mesmo aqui dentro.”

Feitas na unidade prisional, as fotos serão reunidas em CDs e entregues para as mães. A diretora Daniela Sonegheti Fraga espera que esse seja apenas o primeiro de muitos ensaios. Ela planeja não apenas atender as detentas de sua unidade, como também expandir o projeto para outros presídios.

Confira as fotos do ensaio:

 (Luana Andrioli e Carla Nogueira/G1)

 (Luana Andrioli e Carla Nogueira/G1)

 (Luana Andrioli e Carla Nogueira/G1)

 (Luana Andrioli e Carla Nogueira/G1)

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