Paulinho Vilhena: “Quero viver a emoção de ter filhos”

Aos 38 anos, ator enxerga a passagem do tempo de modo mais maduro e entra em 2018 com agenda cheia

Com uma vista privilegiada da praia do Recreio dos Bandeirantes, no Rio, Paulinho Vilhena recebe a equipe de CLAUDIA em sua cobertura como se estivesse reencontrando velhos amigos. “Alguém quer um café, um suco, uma cervejinha?”, pergunta ele, deixando todos bem à vontade. “Só vou tomar uma chuveirada para a gente começar a entrevista.” Faz muito calor e ele sai do banho de bermuda e sem camisa, o que deixa ainda mais à mostra as tatuagens que tem pelo corpo.

Desde uma singela marca de patinha de cachorro até uma coruja gigante no braço esquerdo, o ator santista, de 38 anos, intérprete do Evandro de Pega Pega, já perdeu as contas de quantas fez. “Se eu não tivesse preocupação por causa do trabalho, dos personagens que, de repente, não podem ser tatuados, já estava com o corpo todo fechado”, afirma ele, que também tem o arcanjo Gabriel desenhado no peito raspado com gilete.

Para seu próximo projeto na TV, o ator não precisa se preocupar em maquiar a pele para esconder nada. Em Treze Dias Longe do Sol, minissérie de dez episódios, já disponível na GloboPlay, que estreia em 8 de janeiro (mesmo dia em que vai ao ar o último capítulo da novela das 19 horas), ele interpreta o empresário Vitor Baretti. Dono da construtora que leva seu sobrenome, vive de terno e gravata, o oposto do seu intérprete. “Por mim, só andava descalço.”

Para entrar na sua casa, o ator gosta que os visitantes tirem os sapatos. Uma plaquinha na porta do seu apartamento, escrita em inglês, já avisa “Please, remove your shoes”. E não se pode entrar mesmo! Distraída com as gracinhas de Zacarias, um buldogue de 8 anos, a repórter não presta atenção no pedido e adentra o espaço de sandálias. Desculpas pedidas, ele explica por que aderiu a esse costume. “Primeiro, eu quero que a pessoa se sinta confortável. Depois, quero deixar lá fora as coisas que não são minhas, o que é seu, a sua vida, os seus passos. Assim, podemos começar uma história nossa. É como se eu zerasse tudo. Quando você for embora, vai com a sua história e com a que tivemos aqui, com a nossa verdade.”

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Paulo ou Paulinho?

Ao som das ondas do mar invadindo a sala, decorada com máscaras trazidas de Bali por um amigo, começa então, de pés descalços, a nossa relação de entrevistado e entrevistadora. A primeira pergunta pode soar primária (qual o seu nome?), e ele se ajeita na cadeira para responder se é verdade que não quer mais ser chamado de Paulinho. “Eu criei esse monstro, mas não existe isso. Saíram reportagens dizendo que agora eu era Paulo, como se eu fizesse questão disso. Não faço. Há uns dois anos, o Flávio Canto (ex-judoca e ex–apresentador do Corujão do Esporte, que era exibido nas madrugadas da Globo) me chamou no programa de Paulinho e eu falei que era Paulo, mas era tudo brincadeira. Já vi pessoas constrangidas por me chamarem no diminutivo, achando que estavam erradas. É algo tão bobo.”

Alguns minutos de silêncio depois, ele pensa melhor na sua resposta. “Agora me passou uma coisa pela cabeça. Em uma peça de divulgação, talvez Paulo faça mais sentido do que Paulinho. Você se imagina assinando Betinha?”, pergunta, enquanto serve uma linguicinha que colocou na churrasqueira para a equipe. A proximidade dos 40 (ele faz 39 anos em 3 de janeiro) seria um motivo para o conflito com o próprio nome? “De jeito nenhum! Procuro ser maduro em uma porção de aspectos, e meu nome não interfere nisso. Podem me chamar de Paulinho.”

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Fama de mau

O ator também fala abertamente sobre a fase em que ganhou fama de bad boy por causa de brigas com fotógrafos. “O início foi muito difícil. Eu fazia um seriado de muito sucesso (Sandy & Junior, que foi ao ar de 1999 a 2002, na Globo), namorava a Sandy (o romance com a cantora começou em 2000 e durou oito meses), então virei o filé mignon da imprensa. Era minha estreia e todo mundo queria fazer uma matéria com o Paulinho Vilhena. Mas saía muita informação deturpada. E eu sou muito sensível.

Pode me dar um murro na cara, mas não despreza minha confiança, é o que eu tenho de mais bonito para dar. Acabei ficando reativo. Minha defesa tornou-se o ataque e virei alvo do tipo ‘vai lá, cutuca que ele vai cuspir, xingar’”, relembra. “Minha mãe (Marilena, 70 anos), uma vez, me falou algo muito interessante. Ela disse que não havia bula para eu saber lidar com essas situações. E essa profissão é muito dura, principalmente para quem começa tão jovem como eu. Traz coisas que você nunca imaginou que pudessem acontecer na sua vida, fama, convites, isso mexe com a cabeça da gente. E a minha personalidade, eu confesso, é forte. Sou capricorniano, eu sou de verdade.”

Enquanto serve um suco de goiaba com laranja, o ator admite que tanta polêmica podia ter dado fim à sua carreira. “Sempre tive consciência de que isso podia me prejudicar. Nunca fui inocente de achar que aquilo estava legal. Ao mesmo tempo, eu banquei. Falei para mim mesmo: ‘Errei, vou segurar esta bronca e deixar a tempestade passar’. Quantas vezes eu entrei neste mar (aponta para o lado de fora da varanda), com ondas fortes vindo em cima de mim, me machucando, e eu refletia sobre tudo o que estava acontecendo. Eu pensava: ‘Velho, fica forte que um dia vai passar’. Comecei a mirar ainda mais no meu trabalho e sabia que ia ganhar esta luta com meu ofício.”

Além de emendar um trabalho no outro na TV, no cinema Paulo também tem o que comemorar. No Festival de Gramado deste ano, foi premiado como melhor ator em Como os Nossos Pais, de Laís Bodanzky, que também levou o Kikito de melhor filme. Na história – um retrato dos dilemas da mulher moderna – ele dá vida a Dado, um antropólogo que acha que as tarefas de casa e a educação das filhas devem ficar nas costas de Rosa (Maria Ribeiro, eleita melhor atriz), com quem o personagem é casado. Orgulhoso, ele corre até o escritório para pegar a estatueta. “Vou tirar uma foto sua segurando o Kikito”, brinca.

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Nada de machismo

Voltando a falar sério, ele confessa, sem medo de ser acusado de machista, que está aprendendo a lidar com tantas mudanças no universo feminino. “Olha, antigamente, se eu estivesse solteiro, olhava e paquerava mais. Se eu visse uma mulher bonita, olhava o corpo, ficava admirando mesmo. Agora, passei a não olhar. Não pelo medo de que isso possa se tornar um assédio, mas entendi que, às vezes, esse olhar pode causar algo ruim, um desconforto para aquela mulher. Que doido! Porque, para mim, era algo natural. Sou um homem, gosto de mulher e vou olhar. Com respeito, mas vou olhar. Mas passei a me policiar”, afirma, fazendo um muxoxo. “Mas posso falar? Tá chato isso.”

Um dos galãs de sua geração, há quatro meses Paulo está dividindo o mesmo teto com a namorada, a diretora de marketing Amanda Beraldi, 35 anos. O relacionamento, que completou oito meses em novembro, sobrevivia à ponte aérea Rio-São Paulo. “Quando ela arrumou um trabalho aqui, falei na hora: ‘Vem com tudo’. Abri espaço no meu armário e tudo bem.” Ex-marido da atriz e modelo Thaila Ayala, de 31 anos, com quem ficou casado de 2011 a 2013, o ator não sabe se quer se casar oficialmente de novo. Mas conta que não vê a hora de ser pai. “Se eu tivesse um útero, já teria tido filhos. Sinto muita vontade de experimentar esse sentimento que tantos amigos falam ser a coisa mais sublime do mundo. E é o seu DNA, a sua história, a dos seus ancestrais. Quero muito viver isso”, diz, emocionado.

Sensível, como afirmou ser logo no início da conversa, ele fica com os olhos marejados quando lembra a morte do pai, o economista Sérgio de Vilhena, vítima de um câncer aos 72 anos, em 2014. “A gente era muito ligado. Foi uma porrada”, lamenta. fazendo questão de mostrar uma coletânea de poemas, Ser Errante, Ser Natural, escrita pelo patriarca, com páginas dedicadas a Paulinho, o caçula dos três filhos. “Ele também era poeta e músico.” Se antes não tinha medo de envelhecer, a morte do pai fez o ator enxergar a passagem do tempo de outra maneira. “Eu percebi como as coisas têm fim, e isso é meio assustador. É estranho quando você passa a fazer as contas e vê que está começando o segundo tempo.”

Em 2018, o que Paulinho chama de segundo tempo promete começar bem. Depois de quatro anos viajando pelo país com a peça Tô Grávida, ao lado da atriz Fernanda Rodrigues, de 38 anos, a comédia vai virar filme. “Não fico parado. Meu pai me ensinou a trabalhar desde cedo”, frisa ele, que, em abril deste ano, inaugurou um estúdio de tatuagem (a gente já sabe como ele gosta de tattoos!) na Barra da Tijuca.

O ator, que ganhou seu primeiro salário como vendedor, na loja de revelação de fotos que o pai tinha em Santos, também está no longa Talvez Uma História de Amor, protagonizado por Mateus Solano, com direção de Rodrigo Bernardo. No filme, com lançamento previsto para 2018, ele interpreta o irmão da personagem de Thaila, com quem teria se desentendido durante o Festival de Gramado. Ao saber que a ex estava hospedada no mesmo hotel que ele, o ator teria mudado de acomodação. “Não é verdade. Não aconteceu isso”, garante. “Temos até a guarda compartilhada do Zacarias (o buldogue).”

O dia ensolarado deixa o mar ainda mais convidativo para o ator pegar uma onda. É só escolher uma entre as dez pranchas que tem em casa. Hora de calçar os sapatos e se despedir. “Surfo desde os 8 anos. A primeira vez que fiquei sobre uma prancha me senti um super-herói que conseguia andar em cima d’água”, relembra o eterno Paulinho.

 (Duo BOrgatto/CLAUDIA)

 

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