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Para todas as idades, “Spirit: O Indomável” exalta coragem e laço familiar  

A diretora Elaine Bogan e o co-diretor Ennio Torresan falam sobre a lição que a Lucky e Spirit deixam para o público na continuação do filme da DreamWorks

Por Ana Carolina Pinheiro Atualizado em 11 jun 2021, 16h19 - Publicado em 11 jun 2021, 09h00

Você provavelmente já deve ter ouvido frases como “nossas atitudes são reflexos do que vivemos no passado”. A reflexão faz todo sentido, principalmente, quando nos deparamos com algumas lacunas sobre a nossa própria história e nossos antepassados. 

Em Spirit: O Indomável, animação da DreamWorks, que é uma continuação de Spirit: O Corcel Indomável, filme indicado ao Oscar, Lucky Prescott tem como missão de vida esse desbravamento da própria história de vida. Depois de uma separação da tia materna, a garota encara diversas aventuras na pequena cidade de Miradero, onde passa a viver com o seu pai, o Jim.

Na nova cidade, ela conhece o cavalo Spirit, que, assim como ela, tem uma alma aventureira, o que faz toda a diferença para a Lucky não só se conectar com Miradero, mas também com a sua origem, incluindo a história da sua falecida mãe.

A conexão entre os dois se estreita, quando um tratador de cavalos e sua equipe arquitetam um plano para capturar Spirit e sua manada. O intuito deles é leiloar os animais, que serão explorados posteriormente. Ao lado das amigas Abigail Stone e Pru Granger, Lucky não mede forças para salvar a vida do companheiro.

Para CLAUDIA, Ennio Torresan, co-diretor do filme, revela que a produção foi feita completamente de forma remota por conta da pandemia. “Mandávamos  os equipamentos e os atores gravavam em casa. As pessoas trabalhavam com mais amor inclusive, porque era o que tínhamos”, contra o brasileiro.

Sobre a diferença dessa segunda parte da animação, Ennio considera que o destaque está na origem da história.“É a primeira vez que a Lucky se encontra com o pai dela, depois de 10 anos longe. Então exploramos bastante o modo como essa relação entre eles foi construída”, aponta.

Ennio teve uma grande parceira para se preparar para a produção. “Minha filha ama o seriado, por isso ela se tornou um ponto de referência muito grande. Ela já viu todos os episódios umas cinco vezes”, comenta ele, que levou três semanas maratonando as aventuras de Lucky e Spirit ao lado da pequena.

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A diretora Elaine Bogan espera que essa conexão entre pais e filhos se espalhe a cada sessão do filme. “Desejo que a história da Lucky, que ouve diversas frases como ‘você não deveria fazer isso e você não pode fazer aquilo’, inspire crianças e adultos a fazerem o que acham certo, independente dos outros”, afirma.

Além de Elaine na direção, o filme conta com outra mulher na construção da história, a produtora Karen Foster. Para Bogan, a perspectiva feminina no lado criativo foi essencial em todo processo.”Temos jovens personagens femininas livres como as heroínas do nosso filme. Então para mim foi muita sorte ter mulheres nessa equipe, como a Karen, que já trabalhou comigo em projetos anteriores. É bom ter o apoio e orientação de outra heroína”, celebra.

Assim como o protagonismo feminino, a produção também dialoga com a temática da imigração. Ao mergulhar na própria história, Lucky vai de encontro com a sua ancestralidade e herança mexicana. Na dura vida real, pelo menos 2.800 crianças foram separadas de seus pais na fronteira dos EUA com o México por conta da política de imigração de “tolerância zero” do ex-presidente Trump, segundo dados do governo americano.

A medida era irredutível e desamparava totalmente imigrantes que entravam no país de forma ilegal. Os adultos eram obrigados a responder processos criminosos e, caso estivessem acompanhados de crianças, as mesmas eram separadas de seus responsáveis. O cenário delicado não é novidade e nem exclusivo dos EUA, mas a condução do antigo governo gerou ainda mais comoção e revolta por parte da população local e da comunidade internacional como um todo.

Ennio lembra que 2020 foi um ano difícil em todos os aspectos, mas muito revelador também. “Coisas boas e ruins do ser humano vieram à tona. Há pessoas que querem mudar e sabem que o mundo não pode continuar assim. Essa transformação positiva sempre sofre com uma pressão negativa, mas que precisa e deve ser vencida”, diz o brasileiro, que relaciona essa sede de mudança da população com a protagonista da animação.

“Nosso filme trata disso. A gente sempre tenta transmitir uma mensagem de apoio às crianças. É uma retomada da Lucky ao passado. Ela se distanciou da mãe e descobre que não era a pessoa que achava que fosse. Por isso, precisa ter coragem para encarar quem realmente é. Esse processo exige tempo e maturidade para saber o que aconteceu com seus antepassados e relacionar com o momento atual”, reflete o codiretor.

O filme, que estreou no Brasil no dia 10 de junho, está em cartaz nos cinemas. Assista ao trailer abaixo:

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