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Clássico da dança moderna, ‘Revelations’ é destaque hoje (30) no YouTube

A Alvin Ailey American Dance Theatre é uma das companhias de dança mais importantes do mundo, apresenta na íntegra uma de suas peças mais famosas.

Por Ana Claudia Paixão - 30 mar 2020, 08h00

Sem tecnologia, a dança teria uma barreira  quase intransponível em dias de isolamento. Ainda assim, aulas de casa e vídeos de inspiração continuam ganhando força online, conquistando novos fãs para a arte que não usa palavras. E uma das mais importantes companhias de dança do mundo, a Alvin Ailey American Dance Theater começa hoje (30) uma temporada online que pode distrair muito quem está em casa, além de diversificar o conteúdo.  É que a companhia apresenta hoje, às 20h, em seu canal no YouTube, um dos clássicos da dança moderna mais aclamados: Revelations.

Além disso, os membros da companhia, que já dividem vídeos no Instagram, estão alimentando as redes sociais com vários vídeos de inspiração para a série  #TheShowMustGoOn (o show deve continuar). Se não bastasse, os artistas darão aulas de vários estilos de dança: do balé para iniciantes ao samba. É para aproveitar

Obra-prima da companhia será apresentada na íntegra

Fundada pelo dançarino, coreógrafo e ativista negro, Alvin Ailey em 1958, a companhia quebrou tabus e preconceitos com um grupo de  dançarinos multi-raciais que apresentavam desde o balé clássico ao jazz, sempre criando uma linguagem própria e inovadora.

Uma de suas peças mais populares, e para muitos a obra prima de Ailey,  Revelations, tem duração de quase 40 minutos e é dividida em três quadros. Criada em 1960, Revelations continua com linguagem atual e tem um lado religioso (a trilha mescla gospel e blues) e remonta a luta contra a escravidão. Veja um trecho do vídeo abaixo:

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Contra o racismo e fazendo História

Alvin Ailey nasceu no Texas, Estados Unidos, em 1931, em tempos de segregação violenta. Abandonado pelo pai com apenas meses de vida e criado por sua mãe adolescente, Ailey trabalhou com ela como catador de algodão para sobreviver. Sua mãe também trabalhou como doméstica para poder sustentar o filho, que muitas vezes ficava nas casas de parentes enquanto ela procurava oportunidades de emprego. Um dos maiores traumas da vida de ambos foi a violência sexual da qual ela foi vítima, na frente do filho, quando ele tinha apenas 5 anos. A religião era o alento para os dois e o futuro dançarino ficou profundamente impactado com as músicas e danças que a comunidade apresentava nas igrejas. Revelations, segundo ele, nasceu das memórias desses dias.

Ailey em 1965 Keystone/Getty Images

Em 1941, Ailey se mudou com sua mãe para Los Angeles, onde ele conseguiu se destacar no colégio por ter bom desempenho em esportes e idiomas. Ainda na escola ele descobriu o balé e decidiu seguir uma carreira na dança, que o levou para Nova York ainda aos 20 e poucos anos. Ailey fez parte da icônica companhia de dança moderna de Martha Graham e em 1958 fundou sua própria companhia, que rodou os Estados Unidos e chegou inclusive a se apresentar na Rússia, em tempos de Guerra Fria.  Sua carreira infelizmente foi interrompida pela AIDS, que tirou a vida do artista ainda aos 58 anos.

O impacto da obra de Ailey na cultura americana e mundial foi ímpar: ele conseguiu quebrar paradigmas importantes e dar oportunidades a bailarinos negros que não tinham chance em companhias mais tradicionais. Sua companhia conseguiu sobreviver à sua morte e segue sendo uma das mais aclamadas do mundo.

A vida do coreógrafo vai virar filme, produzido por Alicia Keys e dirigido pelo premiado Barry Jenkins, de Moonlight: Sob a Luz do Luar e Se a Rua Beale Falasse. O roteiro deve ser baseado no livro de Jennifer Dunning, “Alvin Ailey: A Life In Dance”

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