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Diário De Uma Quarentener

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Juliana Borges é escritora, pisciana, antipunitivista, fã de Beyoncé, Miles Davis, Nina Simone e Rolling Stones. Quer ser antropóloga um dia. É autora do livro “Encarceramento em massa”, da Coleção Feminismos Plurais.

In vino veritas

"Minhas sessões de 'cinema' – com o isolamento, na verdade, as maratonas de séries – são acompanhadas de vinho", conta a escritora Juliana Borges

Por Juliana Borges
29 set 2020, 21h29 • Atualizado em 29 set 2020, 21h32
 (| Foto: PeopleImages/Getty Images)
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  • São Paulo, 29 de setembro de 2020

    Hoje, eu havia pensado em falar sobre amizades. Não porque eu seja uma pessoa de muitas amizades, mas porque quero escrever aos amigos e amigas, tão importantes sempre, mas que têm sido um porto de afeto e alento nesses tempos.

    Mas daí, minha seleção de vinhos do mês chegou. E não que meus amigos tenham sido deixados para trás por uma taça de cabernet sauvignon, mas decidi falar sobre esse outro amigo ou esse selador de amizades. E, tenho certeza, meus amigos de verdade vão entender porque falar sobre vinho é importante, até porque nossas histórias passam por esse elixir da calmaria e da alegria.

    In vino veritas é um provérbio de origem latina, que significa “No vinho, há verdade”. Alguns afirmam que essa expressão seria de autoria de Plínio, o Jovem, nascido em Como, em cerca de 61 d.C., na região da Lombardia, na Itália, mas com vida ativa enquanto jurista na Bitínia, hoje região da Turquia.

    O fato é que, espertamente ou não, popularizou-se a primeira parte do provérbio, que seria seguido de “in aqua sanitas”, em tradução “na água está a saúde”. E atribuem a Eurípides, um poeta grego de tragédias, do século V a.C., e fundamental para a literatura ocidental, a afirmação de que não há amor sem vinho. Ponto para o Eurípides.

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    Os vinhos têm importância histórica nas nossas sociedades, tendo contornos litúrgicos, inclusive. Afinal, Jesus transformou água em vinho, celebrou a última ceia com… vinho. Na contemporaneidade, há uma série de estudos afirmando propriedades benéficas à nossa saúde nessa fermentação cheia de técnicas e cultuadores por todo o mundo.

    Minhas amizades são celebradas com vinho. Minhas sessões de “cinema” – com o isolamento, na verdade, as maratonas de séries – são acompanhadas de vinho. De todos os tipos. Já tive certo problema com malbec, mas o amor por vinhos é tamanho, que não pude manter o que, hoje, já considero um preconceito bobo.

    Nessa quarentena, o vinho tem sido fundamental para a garantia do mínimo de equilíbrio mental, de sanidade e de conforto. Portanto, não teria como passar um diário todo sobre esses tempos sem falar sobre o vinho, mesmo que de modo breve, mesmo que anunciando futuras colunas em que o vinho apareça mais para dar o tom de cada ocasião doméstica na rotina de isolamento.

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    E se a ideia é celebrar minhas amizades, mesmo que eu tenha deixado isso para amanhã, nada melhor do que introduzir a temática do amor, seguindo a “filosofia” euripidiana, falando de vinhos. Se neles há verdade, é inegável que também há conforto. Mas, para não deixar passar: beba sempre com moderação.

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