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Por Ana Carolina Coelho. Feminista, mãe, escritora, poeta, dançarina, plantadora de árvores, pesquisadora e professora universitária
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O telefonema de Papai Noel

Neste fim de ano, a colunista Ana Carolina Coelho traz uma emocionante crônica natalina sobre família e gratidão

Por Ana Carolina Coelho
Atualizado em 25 dez 2022, 10h33 - Publicado em 25 dez 2022, 10h33

A crônica dessa semana, é claro, tinha que ser sobre o Natal. Uma data esperada por muitos, odiada e amada, que ilumina as cidades e mexe profundamente com os sentimentos das pessoas aqui no Ocidente, tanto pelas questões de reuniões familiares quanto por ser um lembrete que o final de mais um ano se aproxima galopante.

Acredito que, embora tenhamos algumas tradições compartilhadas, como as árvores, enfeites e iluminação, cada lar desenvolve seus próprios rituais, de acordo com os valores morais, as condições materiais de vida ou mesmo, histórias que são passadas entre as gerações. Aqui em casa, não importa onde estejamos, eu SEMPRE preparo rabanadas de sobremesa.

Descobri quando era adolescente, e por acaso não iria passar o Natal com a minha família, que eu simplesmente não conseguiria passar pelo dia 25 sem esse pão com cravo e canela frito. Eu nunca tinha feito sozinha a receita, mas em uma cozinha que eu desconhecia, eu fechei os olhos e as lembranças de infância encheram minha memória e eu me movia quase como dançando, imitando os passos de minha avó e mãe.

Eu SABIA a receita e, até hoje, as honro preparando, comendo e servindo essa pequena tradição natalina que tínhamos em nossas ceias. Lembro do sorriso de minha avó vendo a mesa posta e dizendo “nada melhor que uma mesa farta na vida, minha filha… nada melhor!”. Vindo de uma costureira que passou fome, eu sentia o quanto aquela frase era uma emoção constante todos os anos.

Porque viemos de uma família humilde, minha mãe inventou uma história quando eu e minhas irmãs éramos crianças a respeito da “Carta do Papai Noel”: diz a lenda que o Papai Noel tem que fazer presentes para TODAS as crianças do mundo, logo não devemos escrever cartas para ele pedindo um presente específico, mas escrever agradecendo pelo carinho de podermos ganhar algo que ele preparou com tanta dedicação. O Papai Noel dará o que ele puder, como uma boa surpresa, para cada criança e devemos ser gratas por ele NUNCA esquecer de nenhuma criança.

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Eu cresci e mantive a história dentro de mim, afinal ela representa, para mim, a gratidão que temos que cultivar pelas pessoas e, que os presentes são pedaços de amor, e não são necessariamente as COISAS que ganhamos. Detalhe interessante: quando queríamos algo realmente caro, quem nos presenteava eram mamãe e papai, para que soubéssemos que veio do esforço e do trabalho dela/e. Isso nunca era dito, mas quando eu cresci entendi perfeitamente esta atitude.

Aqui em casa mantivemos a esta tradição com nossa filha mais velha e deu tudo certo. No entanto, há alguns dias atrás, essa história ganhou mais um capítulo em nossa família. Minha flor mais nova chegou em casa aos prantos. O motivo: a professora disse que ela precisava escrever uma carta para o Papai Noel dizendo exatamente quais brinquedos ela gostaria de ganhar e, obviamente, estávamos fazendo tudo errado. O pai, que a buscou na escola, estava tentando consolá-la usando argumentos racionais, que só aumentavam o choro desolado da pequena. Eu estava sentada no sofá corrigindo algumas tarefas acadêmicas, parei e olhei para Aurora:

– Filha, eu tenho duas coisas para te dizer: a primeira é que a sua professora está errada e segunda, é um segredo, mas eu vou te contar para você entender porque eu sei que sua professora está errada: TODAS as mães tem os telefones do Papai Noel, do Coelhinho da Páscoa, e de todos os seres mágicos do mundo.

Aurora me olhou desconfiada e disse que isso não era possível, que se a professora disse era o que tinha que ser feito e que eu não para que eu tinha esses telefones todos. E eu disse que as mães recebem esses telefones porque se acontecesse alguma coisa – como, por exemplo, se a gente se mudar podemos mandar o novo endereço para eles todos. Ela parou de chorar, mas ainda estava desconfiada. Então, eu tive uma ideia: sinalizei para meu esposo ir em direção ao telefone fixo de nossa casa e falei bem alto “Olha, já que você não está acreditando na mamãe, eu vou abrir uma exceção e ligar para o Papai Noel agora para você falar com ele” e coloquei meu celular no viva-voz.

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Quando a ligação foi atendida e ela ouviu o “ho-ho-ho”, o olhar no rosto dela pareciam todas as luzes de Natal de uma rua inteira. “Papai Noel” e ela conversaram um pouco e quando desligamos o telefone, ela me disse “vou avisar à turma toda que a professora está errada, mamãe”. No dia seguinte, as “Cartas do Papai Noel” foram confeccionadas aqui em casa com todo afeto e enviadas para o Polo Norte.

Algumas pessoas acreditam que essas mentiras não fazem bem às crianças, outras que isso alimenta a ideia de que o mundo pode ter alguma magia e que, em algum lugar do mundo, um homem bem idoso se preocupa com todas as crianças do mundo. Eu prefiro crer nessa última ideia, pois nutre a esperança de que podemos pensar que todo o planeta é uma grande comunidade que merece a Paz. Dias melhores certamente virão! E vamos juntas! É possível sermos melhores, sempre!

Vamos conversar?

Se quiser entrar em contato comigo, Ana Carolina Coelho, mande um e-mail para: ana.cronicasdemae@gmail.com – e no Instagram: @anacarolinacoelho79

Será uma honra te conhecer! Quer conhecer as “Crônicas de Mãe”? Leia as anteriores aqui e acompanhe as próximas! Crônicas de Mãe virou livro! Quer adquirir um exemplar? Entre em contato com a autora!

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