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Kika Gama Lobo Por Atitude 50 Focada na maturidade como plataforma pessoal, a jornalista Kika Gama Lobo escreve sobre as sensações e barreiras que as mulheres de 50 anos vivenciam

Pinguça velha

Acostumados a um uisquinho no fim do dia ou a uma taça de vinho na cena social, essa birita dobrou de tamanho dentro de casa

Por Kika Gama Lobo 11 Maio 2022, 09h16

Há uma inibição, ou melhor, um silêncio, quando o tema é alcoolismo entre os maduros. Para os jovens, muitas campanhas associadas ao consumo desenfreado de bebidas alcóolicas, gatilho natural para o uso de drogas, são veiculadas na mídia. Para os 50+, quase nenhuma.

Estima-se que na pandemia o nível etílico entre os mais velhos subiu demais. Acostumados a um uisquinho no fim do dia ou a uma taça de vinho na cena social, essa birita dobrou de tamanho dentro de casa. Melancolia, medo, saúde mental escangalhada, as borbulhas lotaram os copos dos mais velhos. E o que é pior, neste retorno ao novo normal, elas continuam potentes.

Os balzacos quase nunca são repreendidos. Imagina-se que tenham atingido os 10 mil pés da sabedoria humana e o controle de taças, flutes, copos, doses, shots, inexiste. Na família tem um bordão “ah, deixa ele tomar sua dosezinha”; com os amigos a vibe é “um copo a mais não fará mal” e, sozinhos em bares, frente a frente com o bartender, aí ninguém segura esse bebum.

Mulheres maduras também viraram a mesa e, afogando suas mágoas, perdas, faltas, elas encheram bem suas taças. O dano já foi feito. O perigo já está instalado. Ao ler essa coluna faça a sua mea culpa. Você está entornando bem? Tá sacando seus pares jacando no gin? Fiquem atentos. O álcool piora tudo. Labirintite, depressão, engorda, brocha, gera enxaqueca e ativa mil doenças.

Se já estamos baqueados de outras mazelas, pra que piorar com os aguardentes da vida? Foco no copo e olho na saúde. Se beber, não ultrapasse a dose de sensatez. Vai por mim.

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