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Ana Claudia Paixão

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A jornalista Ana Claudia Paixão (@anaclaudia.paixao21) fala de filmes, séries e histórias de Hollywood
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Sucesso inesperado, “Perdida” fez parte de um sonho de Carina Rissi

Escritora conta exclusivamente para CLAUDIA como transformar um ‘não’ em ‘sim’ até pareceu ser impossível, mas apostar nela mesma valeu a pena

Por Ana Claudia Paixão
10 nov 2023, 11h25

Quando menina, Carina Rissi, gostava de passar horas mergulhadas em livros, mas jamais imaginou que um dia seria uma autora não apenas de sucessos, mas também veria suas histórias suas obras entre as mais vendidas e, eventualmente, “transportadas’ para cinema e TV. Isso mesmo, autora de obras como Perdida, Procura-se Um Marido e No Mundo da Luna, Carina é muito fã de escritoras mulheres que também tiveram suas histórias recontadas em filmes e séries, escritoras como a inglesa Jane Austen e a americana Stephanie Meyer.

Seu livro Perdida, que foi lançado nos cinemas e está na Disney Plus e na Star Plus, é uma homenagem clara ao universo de Jane Austen.

Nele, Sofia (Giovanna Grigio) é uma garota moderna e independente, mas, quando o assunto é amor, os únicos romances de sua vida são aqueles do universo literário da escritora inglesa.

Um dia, usa um celular emprestado e misteriosamente é transportada para o século 19, onde conhece Ian Clarke (Bruno Montaleone) e, justamente quando tenta voltar para o presente, se apaixona pela primeira vez.

Hoje, Carina mora em Portugal, mas parou uma agitada manhã para conversar exclusivamente com CLAUDIA sobre como foi apostar em um sonho e descobrir que na verdade, era seu destino.

Carina Rissi
A autora Carina Rissi. (Divulgação/Divulgação)

CLAUDIA: Uma coisa que sei é que compartilhamos uma paixão por Jane Austen. Que livro dela é o seu preferido e como ela te influenciou? 

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CARINA: É muito difícil escolher um livro dela preferido, fico muito em dúvida entre Orgulho e Preconceito e Persuasão. Os dois mexem com meu coração de uma maneira! Ai meu Deus, é muito difícil de escolher! Posso ficar com dois?

CLAUDIA: Pode! O meu é Persuasão, mas eu entendo a sua divisão.

CARINA: Eu conheci o trabalho de Jane Austen quando tinha uns 15 anos e o primeiro que eu li foi Orgulho e Preconceito. É incrível como ela consegue pintar quadro muito vivo do período em que ela viveu, da sociedade em que ela viveu, né?

Tem todo aquele perfume da época dela e ainda assim a história é tão atual e tão contemporânea, porque os sentimentos não mudam, o nosso mundo evoluiu com tecnologia, isso e aquilo, mas a maneira de se apaixonar ou desentendimento com pais e os sentimentos, eles não se modificaram, graças a Deus.

CLAUDIA: E você, como Jane Austen, fala com o público feminino. Quando começou a escrever, foi uma escolha?

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CARINA: Foi muito natural, para falar a verdade. Quando eu comecei a minha carreira, nem sabia o que eu estava fazendo, sabe? Eu fui meio que me descobrindo no caminho. As heroínas, como na vida real, ou pelo menos a gente desejaria que fosse assim, passam por muitos percalços para, no final, conseguir aquilo que elas queriam, mesmo que de um jeito diferente.

E tenho isso para as minhas personagens: não tem nada ruim que dure para sempre e a gente precisa daquele final feliz. Eu gosto muito, muito, dessa narrativa de Jane Austen.

CLAUDIA: Mas fiz esse paralelo com ela porque assim é a sua obra, considerada uma literatura “chick-lit”, literatura feminina. Eu acho o rótulo meio condescendente, mas também é realista. Como você lida com isso?

CARINA: Eu realmente não gosto de rótulos, mas já me incomodou mais. Não sei porque parece incomodar tanto a sociedade quando uma mulher escreve para uma outra mulher.

Essa literatura feminina ou de mulherzinha, como algumas pessoas gostam de dizer, é sobre nós mulheres, sobre nossos sonhos, aspirações e medos. E qual o problema? Onde é que está o problema nisso?

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CLAUDIA: Voltando um pouco mais atrás, você “se descobriu” escritora, não era o plano original. Como foi todo esse processo?

CARINA: Sempre fui uma ratinha de biblioteca, venho de uma família pobre, o livro era muito caro, então eu não saía das bibliotecas da cidade, de escola, etc, mas achava essa coisa de autores muito distante da minha realidade, uma coisa mágica, tipo unicórnio.

Em uma cidade pequena, sem eventos literários, vivi o sonho do jornalismo, mas, quando chegou a época do vestibular, fiquei para segunda chamada, então fui trabalhar esse sonho de da escrita, que ficou um pouquinho adormecido.

CLAUDIA: E como ‘acordou’?

CARINA: Sou muito fã da Oprah Winfrey e assistia seu programa todo o fim de tarde. Um dia ela entrevistou Stephanie Meyer, autora da série Crepúsculo, que é muito espontânea, e a maneira como ela começou, suas histórias que tinha na cabeça e pareciam um filme, fui me identificando tanto!

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Quando terminou a entrevista pensei, ‘gente, será que eu sou capaz de fazer uma coisa desse tipo?’. Aí arrisquei começar a escrever no celular, e fui até o capítulo 6. Depois, transferi para o computador, mas não contei para ninguém, nem para meu marido, porque parecia que estava fazendo algo tão errado!

Só quando estava muito perto do que achava que seria o final que falei ‘olha, eu estou fazendo uma coisa, parece um livro. Você quer ler?’ Ele ficou empolgadíssimo. Adriano, meu marido, é meu maior fã. [risos] Ele foi a pessoa que mais me incentivou, porque eu tinha muito medo. Fomos descobrindo aos poucos o passo a passo de como publicar um livro.

CLAUDIA: Você fez essa publicação independente, que foi uma coisa muito ousada. Olhando para trás, que conselho daria para alguém que queira realizar esse sonho?

CARINA: Diria não só para escritores, mas eu acho que para qualquer pessoa que ainda está procurando o seu lugar no mundo, superar o “não”. Nem sei quantos eu recebi. O mais marcante foi o que chegou no dia do meu aniversário. Não importa quantos nãos eu tenha recebido, um ‘sim’ foi necessário para que tudo acontecesse. Não desista.

CLAUDIA: Hoje, best sellers, adaptados para o cinema, para TV. Como foi essa nova fase?

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CARINA: O primeiro achei que, para falar a verdade, fosse trote. Passado esse choque, pensava muito em como seria transformar aquilo que tinha na minha cabeça em algo muito semelhante, para que todo mundo pudesse ver? E foi logo na Disney!

Foram muito gentis e carinhosos com as minhas personagens e a minha história, e foi uma experiência surreal. Uma mulher que escreve para outras mulheres chegando no cinema com selo da Disney foi uma experiência mágica mesmo.

CLAUDIA: Como foi lidar com a polêmica em torno de Perdida, que muitos criticaram por omitir o período da escravidão no Brasil? Teria mudado alguma coisa hoje?

CARINA:  Acho que o debate é super necessário, sobre racismo e inclusão. Queria ter todo o conhecimento e embasamento que tenho hoje. Escrevi um faz-de-conta de uma princesa que viaja no tempo. Não sou historiadora, sou uma escritora de ficção e me permiti não retratar fatos que que são tão doloridos e tão difíceis para nossa história. Não poderia ser leviana, não dá para brincar com o assunto.

CLAUDIA: E assim chegamos ao Mundo da Luna.

CARINA: A Luna acabou de sair da faculdade de jornalismo, querendo fazer a diferença no mundo e tudo o que consegue é um emprego na recepção de uma revista.

As coisas não estão dando certo para ela e, quando surge a oportunidade de escrever o horóscopo ela acaba aceitando, mesmo sem saber absolutamente nada, achando que tudo que escreve é uma bobagem. Mas quando os leitores da coluna começam a escrever, ela vai ficando bastante assustada.

CLAUDIA: Você acredita nas cartas ou lê horóscopo?

CARINA: Às vezes sim, mas acreditar? Não acredito [risos], mas leio e depois se acontece alguma coisa falo: ‘gente, mas eu li isso hoje!’

CLAUDIA: E o futuro da aluna você acha que tem mais temporadas aí? Como é que vai ser?

CARINA: Torço muito para que sim, os leitores pedem muito uma sequência da Luna.  Eu achei que tivesse terminado com ela, que já tivesse me contado tudo, mas ela voltou a falar comigo então eu espero ter uma sequência do livro e, obviamente, espero muito que tenha a sequência da série, porque fiquei muito curiosa para saber o que que vem por aí. [risos]

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