Cura do HIV deve ser descoberta até 2020, apostam pesquisadores

Diversos estudos do mundo inteiro estão nesse caminho, trabalhando para a cura com anticorpos, terapias genéticas e células-tronco

Uma das mais renomadas instituições na pesquisa do HIV, a Fundação amFAR, sediada nos Estados Unidos, aposta que a descoberta da cura da Aids se dará daqui a três anos. A fundação patrocina pesquisas com esse objetivo desde 2002; em 2015 foram injetados cerca de 300 milhões de reais para encurtar o caminho até a cura da doença.

“Estudos do mundo inteiro estão nesse caminho, seja trabalhando com anticorpos, seja com terapias genéticas ou células-tronco”, afirmou Rowena Johnston, vice-presidente e diretora de pesquisa da amFAR em congresso realizado na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), na quarta-feira (29). 

“Se me perguntassem há três anos se o HIV tem cura, minha resposta seria não. Hoje, é sim”, comentou Mario Stevenson, chefe da Divisão de Doenças Infecciosas e diretor do Instituto de Aids da Universidade de Miami, nos EUA. O primeiro passo para acabar com o HIV é identificar os reservatórios virais, isto é, onde estão as células infectadas para, como objetivo final, retirá-las do corpo. O processo é complicado pelo fato de que, ao paciente se tratar, é comum que o vírus fique escondido e a carga viral torne-se indetectável. O objetivo dos pesquisadores é tornar isso possível. 

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Alguns dos estudos apresentados já encontram-se em fase de testes com humanos: um deles, empreendido por um grupo de pesquisadores australianos, emprega remédios anticâncer em soropositivos; outro, feito em conjunto por pesquisadores de Dinamarca, Estados Unidos e Alemanha, está combinando anticorpos na tentativa de “acordar” o vírus HIV, obrigando-o a sair do esconderijo na célula. Estudo semelhante vem sendo feito em macacos – um dos animais está curado – e deve ser publicado no meio científico em breve.

Até hoje, apenas uma pessoa foi curada e encontra-se livre do HIV. Infectado em 1996, o norte-americano, Timothy Ray Brown, desenvolveu uma leucemia em 2006. O hematologista Gero Huetter, da Universidade de Berlim, fez um transplante de médula óssea de um doador com uma rara mutação genética capaz de tornar o organismo imune ao vírus. Brown curou-se do câncer e se viu livre do HIV. Além da baixa probabilidade de encontrar um doador compatível com a mutação, a taxa de mortalidade desse tipo de cirurgia gira em torno de 25%.

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