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Todo Carnaval tem seu fim

Época de alegria vira desculpa para perderem a linha e agirem como selvagens

Por Xênia Bier (colunista) - Atualizado em 22 jan 2020, 01h44 - Publicado em 11 mar 2015, 10h00

Gente, o Carnaval terminou e eu fiquei com uma sensação estranha. Sei não, as pessoas pareciam tão obrigadas a mostrar alegria… E, como tudo que é demais sobra, achei que tinha alguma coisa errada por trás de tanta euforia. Nunca vi tanta gente nas ruas, era bloco por todos os lados. Até São Paulo, que sempre teve no Carnaval animação de velório, botou os blocos na rua. E muitos blocos!

O mais interessante foi a quantidade de gente. Eu só ouvia “A polícia militar calcula 20 mil pessoas nesse bloco, nesse outro bloco a polícia calcula 50 mil, e no outro 100 mil”. E pasme, cara leitora, nesta São Paulo emburrada, o Carnaval terminou no sábado seguinte, com o bloco de Alceu Valença, com não sei quantas mil pessoas!

Vou dar uma de chata, mas não me convenceu essa alegria toda. A bebida correu solta (e outras coisinhas mais) e a selvageria também. Os vândalos aproveitaram para barbarizar! Famílias ficaram ilhadas em suas residências e assim mesmo foram agredidas, com garrafas e pedras jogadas nas casas. Fezes nos portões e na rua, urina por todo lado. Jardins depredados. E, como cachorros acasalando, sexo no meio da rua! Gosto de festa, de alegria, de confraternização, de aliviar as tensões, dançar. Gosto de festa genuína, cara limpa, sem aditivo para motivar uma falsa alegria. Mas usar o Carnaval como válvula de escape para os maus instintos é lamentável.

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