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Descubra como ter mais realizações e alegrias no seu dia a dia

“Uma vida com propósito é aquela que não é banal, alienada, robótica”, observa o filósofo Mario Sergio Cortella

Por Liliane Prata Atualizado em 12 abr 2017, 16h34 - Publicado em 20 jan 2017, 17h06

Por que você trabalha? Que sentido enxerga em seus relacionamentos? Para atender a quais desejos você despende tanta energia diariamente? “Uma vida com propósito é aquela que não é banal, alienada, robótica”, observa o filósofo Mario Sergio Cortella, autor do recém-lançado Por Que Fazemos o Que Fazemos? (Planeta, 31,90 reais).

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Se você nunca parou para pensar nos seus propósitos, aproveite a oportunidade trazida pela chegada do novo ano. “Não há felicidade quando não se tem direção. Uma vida sem propósito é como navegar em alto-mar sem bússola”, compara a master coach Liamar Fernandes, de São Paulo.

Para chegar lá, dê a si mesma um momento de aquietação e faça uma escuta interna cuidadosa para reconhecer seus desejos. “É preciso um ambiente propício para isso, talvez em contato com a natureza ou no consultório do terapeuta”, sugere o psiquiatra e terapeuta paulistano Paulo Carvalho. Identifique seus talentos e desenvolva-os à potência máxima em todas as esferas: no trabalho, nos relacionamentos, no trato com os amigos…

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NA VIDA SOCIAL

Ao questionar-se sobre como gostaria que se desdobrasse no dia a dia sua conexão com colegas de trabalho, vizinhos, parentes e amigos próximos, esqueça os pré-julgamentos e as defesas automáticas do tipo: “Fulano é muito difícil”.

Em vez de enxergar apenas as dificuldades, avalie que convívio você quer estabelecer e como vai agir de modo coerente com esse objetivo. O segredo é se concentrar menos nos outros e mais no que pode fazer para extrair significado, harmonia e aprendizagem dessas relações.

“O modo como nos relacionamos socialmente é uma extensão de como nos sentimos. O outro capta essa energia que vem do gesto, do tom de voz, da expressão”, lembra Hilda Medeiros, coach e terapeuta de São Paulo.

Para ter bons relacionamentos, comece se relacionando bem com você mesma. “Se estiver centrada, aberta, consciente e conectada com suas melhores emoções, vai ser mais fácil entrar em contato com o outro nessa mesma vibração ”, diz ela.

Busque os motivos que pautam a sua vida: por que mantém esta ou aquela amizade? Por que é importante continuar conectada ou conhecer melhor determinada pessoa?

Anote um por um – vale desde “isso me faz bem” a “adoro ver os outros felizes” – para poder visualizá-los com nitidez. “Se tenho clara minha missão, as briguinhas e intrigas ficam muito menos relevantes”, alerta Liamar Fernandes.

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NO CASAMENTO

A relação amorosa pode ser grande fonte de felicidade e também de sofrimento. “A maior parte dos casais fica no meio”, acredita o psicoterapeuta Ailton Amélio, autor de Para Viver um Grande Amor, entre outros livros sobre o assunto.

Por isso, de tempos em tempos, permita-se uma pausa para avaliar os custos e os benefícios do relacionamento. Só você pode definir o peso de cada item: o marido ser carinhoso no trato diário é mais importante do que ele saber surpreendê-la em ocasiões especiais?

Ter consciência desses pontos ajudará você a parar de reclamar de coisas pequenas e se concentrar na harmonia. “O maior inimigo da vida conjugal não é a infidelidade, mas o esvaziamento e a perda de significado da relação”, diz Amélio.

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Viver em um casamento que esteja conectado ao seu propósito é o que vai dar a energia necessária para revelar seus desejos, ter coragem de dizer o que sente, fugir da monotonia.

“Preciso me lembrar de por que estou com esta pessoa, o que sinto e busco”, acrescenta a psicóloga Pâmela Magalhães, de São Paulo.

E atenção: os propósitos mudam com o passar do tempo, e o que era importante ontem pode deixar de ser hoje. Por isso, a reflexão deve ser constante.

Magalhães conta o caso de uma paciente que, ao casar, parou de pintar porque a atividade desagradava ao parceiro – naquela fase, dedicar-se ao casamento importava mais para ela do que a pintura.

Hoje, porém, considera que exercer a arte é sua principal missão e já decidiu que, se o marido não aceitar esse propósito, vai romper a relação.

“Então, o primeiro passo é se perguntar sobre seus objetivos hoje. E viver de acordo com eles. Se não for assim, você vai responsabilizar o outro porque você mesma não bancou seus propósitos”, lembra a psicóloga.

NA CARREIRA

Trabalhar só pelo dinheiro raramente leva à felicidade – você certamente já leu ou ouviu isso por aí. “Pergunte-se com clareza qual é seu desejo e não confunda sonho com delírio. Muitos se colocam sonhos que não são realizáveis. Aí, o resultado é a frustração”, aponta Cortella.

Se detesta cozinhar, dificilmente vai ser uma chef de sucesso. “É preciso nitidez do que se tem condição de utilizar nessa viagem rumo à vida com propósito. Reflita sobre situação financeira, localização geográfica, competências que tem, que não tem e que pode desenvolver. Aí, sim, viva com os pés no chão, mas também com asas”, ele sugere.

Se estiver desmotivada, fique de olho para detectar seus incômodos. Pode não ser preciso transformar tudo, apenas o jeito como uma atividade é desenvolvida, de forma a evitar o desperdício de talento com uma tarefa burocrática. Com os problemas detectados, comece a mudança quanto antes, mas aos poucos.

“Tem um emprego fixo e ama fotografia? Não peça demissão. Compre uma câmera e vá evoluindo com calma nas horas de folga. A ansiedade pode ser o maior inimigo da busca por propósito na carreira”, alerta a artista e empreendedora Rafaela Cappai, de São Paulo.

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NA MATERNIDADE

Muitos pais começam o ano nutrindo o desejo de se reaproximar dos filhos, mas não se empenham de fato nessa missão.

“Dizem que querem conversar mais com o adolescente, só que, quando ele fala, não prestam atenção, ficam no celular, reclamam das gírias. Mesmo crianças pequenas sabem quando os pais estão representando um papel, e não interessados de verdade. E isso afeta muito a autoestima deles, que acabam se culpando por aquele desinteresse”, diz a psicóloga Viviane Lajter, do Rio de Janeiro.

Se você realmente tem o desejo – tem mesmo? – de estar mais disponível, é hora de agir. “Tome a iniciativa, deixe o celular de lado, estimule a conversa, tente criar rituais e, sobretudo, esteja presente de verdade, ainda que por poucas horas no dia.”

Ir atrás da própria realização não só como mãe, mas como pessoa é mais uma forma de se conectar com seu propósito e, bônus extra, vai servir como uma lição para seus filhos. “Eles se sentirão motivados com o exemplo da mãe”, afirma Carvalho. Tem resultado melhor?

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