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Etarismo e o impacto na autoestima de mulheres acima de 50 anos

O preconceito contra pessoas com base na idade está enraizado na sociedade e afeta a percepção que esse grupo tem sobre si

Por Lorraine Moreira
3 set 2023, 10h58 • Atualizado em 16 Maio 2024, 23h01
Mulher sentada na cama
Mulher com mais de 50 anos sofrem preconceito no Brasil pela idade (RDNE Stock project/Pexels)
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  • Esconda o grisalho, aplique botox e combata as manchas do corpo: talvez assim você chegue aos 50 anos com menos julgamentos. Não é segredo que a sociedade lamenta o passar dos anos, discrimina esse grupo e incentiva o medo de envelhecer, mas o que está por trás disso? O etarismo é o preconceito com base na idade, e as mulheres são o foco dessa discriminação.

    O etarismo começa cedo

    Não existe momento certo para começar, mas, no Brasil, há relatos de vítimas que sequer chegaram à terceira idade ‒ 16,8% das pessoas acima de 50 anos passaram por alguma situação preconceituosa, segundo a Organização Mundial da Saúde.

    Nessa idade geralmente ocorre o encerramento da menopausa, portanto marca o fim da fertilidade feminina. A função das mulheres, nesse contexto, parece ser apenas de procriação.

    A influenciadora Adriana Saric faz parte do grupo que sofreu com o problema. “Fui impactada pelo etarismo diversas vezes.” Mas isso não a afeta: “A mim não atinge de forma a me calar, me colocar pra baixo ou me sentir mal pela idade que tenho. Eu rio da cara deles! Porque eu amo ter 53 anos, chegar até aqui linda, feliz, segura, livre e leve é um ganho meu, uma conquista e vitória que nenhum etarista me tira.”

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    “Quanto mais envelheço, mais a minha autoestima cresce. Aprendi a ser mais gentil comigo. Posso até me dar conta das mudanças e ver que algo não está mais tão bom assim, que tenho rugas, flacidez, cabelos branco. Mas, no geral, me enxergo maravilhosa, como nunca havia me visto antes. Acho que a idade também te dá essa liberdade de se achar, isso agora é direito meu e ninguém me tira. Sou livre para ser o que quiser ser”, conta.

    Inclusive, quando ela recebe um elogio do tipo “você não parece ter essa idade”, Adriana entende. “Não me importo, porque sei que é cultural, não é por mal. Mas a gente vem mudando esse olhar, até porque eu gosto de parecer ter a idade que tenho e ser linda com a minha idade. Ainda assim, agradeço o elogio ,porque atribuo a um ganho também das mulheres que estão cada vez melhores, independente da idade.”

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    Autoestima é impactada pelo etarismo

    Nem todas, porém, percebem essa autoestima forte. “O valor atribuído a si mesmo é influenciado por diversos fatores e passa por transformações com o decorrer do tempo. Amadurecimento, conquistas, perdas e outras questões entram nessa balança, o que pode elevar ou diminuir a percepção sobre você”, explica a psicóloga Isabela Teixeira.

    Propagandas, desfiles e programas de TV têm influência nisso. Eles estimulam a ideia de que a beleza está intrinsecamente ligada à jovialidade. Nos desenhos, por exemplo, as mulheres mais velhas são bruxas, enquanto os homens com a mesma idade são sábios, e as jovens, princesas.

    “As propagandas induzem a busca eterna pela juventude”, diz a psicóloga Laura Marques. Todos os anti (idade, rugas, age…) do mercado remetem a essa fuga do envelhecimento, inclusive. “A mensagem que esses termos transmitem é que o ideal é permanecer jovem, só assim a mulher será vista como bonita, interessante e desejada. Quem não corresponde a esse ideal de juventude muitas vezes se vê excluída e encontra em si ‘problemas’ que antes não existiam, mas que são induzidos através das publicidades”, acrescenta.

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    A saída é trabalhosa, mas pode funcionar: a construção da autoestima com o tempo. “Não possuía uma percepção positiva de mim na adolescência, muito pelo contrário. Sempre fui muito autocrítica. Foi com a maturidade, me descobrindo e redescobrindo, que construí isso em mim. Também tenho um companheiro que me ajudou muito nesse processo, porque você se afeta quando a pessoa ao seu lado te coloca para baixo”, compartilha Adriana.

    Mulher sentada na cama
    Terapia e rede de apoio são essenciais para construir autoestima depois dos 50 anos (Ron Lach/Pexels)

    Como construir autoestima? 

    “A construção da autoestima é um processo contínuo, e existem estratégias que podem ajudar a desenvolver e mantê-la”, explica Isabela. “Primeiro, é preciso pensar na autoaceitação, entendendo suas qualidades, experiências e realizações. Também é necessário pensar em novos hábitos, considerando sua realidade. Por fim, desafiar-se a aprender coisas novas e aumentar seu repertório de habilidades sociais colabora para uma mente ativa, aumentando seu senso de competência”, finaliza. Procurar um psicólogo e uma rede de apoio também faz diferença.

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    Laura termina dizendo que a autoestima tem relação com o que você construiu ao longo da vida, envolvendo independência financeira, cuidado com a saúde física e mental, por influenciarem a autonomia no envelhecimento, e manutenção das amizades e hobbies. Nunca é tarde para começar! 

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