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Todas as suas dúvidas sobre manchas de sol respondidas

Esquecer de passar o protetor solar pode acarretar sérias consequências. Saiba como cuidar do maior órgão do corpo nos dias quentes de verão:

Por Débora Stevaux - Atualizado em 10 abr 2018, 17h29 - Publicado em 9 fev 2017, 08h00

A pele é o maior órgão do corpo humano. Não à toa, requer mais cuidados quando o assunto é saúde e exposição ao sol. Afinal, quem nunca esqueceu de passar o protetor solar nos dias ensolarados de verão como estes, que atire a primeira pedra. No entanto, o que parece um simples desleixo sem grandes consequências da nossa parte, pode, num futuro próximo, acarretar sérias complicações. Pensando nos devidos cuidados que devemos ter com a nossa pele para prevenir e combater as indesejadas manchas de sol, a CLAUDIA conversou com o Dr. José Carlos Greco, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia e sócio-fundador da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica.

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CLAUDIA: Como surgem e como são caracterizadas as manchas de sol?

Dr. José Carlos Greco: A mancha nada mais é do que uma defesa natural da pele à exposição solar. Ela só aparece porque o nosso organismo está respondendo a agressão dos raios ultravioleta. As células de defesa abundantes na epiderme, conhecidas na literatura médica pelo nome de Langerhans, são responsáveis por proteger o corpo e aparecem nos lugares de menos defesa da nossa pele. Então é justamente nessa porção que a melanina se concentra mais. O bronzeamento também é uma mancha, mas é uma mancha completa, uniforme. Esse processo todo se deve à ação dos melanócitos, que produzem melanina, para que não ocorra outra agressão.

Há vários tipos de manchas, como por exemplo as melanodermias, que são manchas crônicas, e aparecem devido ao aumento anormal da coloração da pele, devido a infiltração na camada profunda da derme de melanina. Há também a melasma, que geralmente surge no rosto de mulheres durante a gravidez e a menopausa. Por ser a mais forte, esse tipo é muito difícil de ser retirado, porque se manifesta somente quando a pele é exposta ao sol. O ovário policístico também favorece a formação de manchas. O pigmento que dá cor à pele é a melanina, mas há outros tipos de pigmentos que se associam neste processo, como a hemocianina, por exemplo. Então, há vários tipos de melanodermia, tanto patológicas, quanto fisiológicas, que vão desde a sarda, que é a mais fraquinha, até a melasma. A maioria delas acontecem com maior frequência em peles mais claras ou sensíveis.

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Algumas pessoas têm uma maior predisposição genética?

Sim, e justamente por isso não podemos generalizar o diagnóstico da melanodermia. Algumas pessoas produzem uma melanina mais uniforme, outras uma mais pontual, e isso acaba causando essas manchas. Outro fator que também influencia bastante é a etnia do indivíduo. Por exemplo, o clima do nosso país compreende alta incidência solar, e por isso, os indivíduos nativos daqui tinham uma pele mais escura, para se proteger do sol. Então, quando os caucasianos de descendência europeia passaram a colonizar o país, eles precisavam se proteger mais do sol.

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Quais são as melhores formas para preveni-las?

A forma mais básica de prevenção é evitar a exposição solar frequente num horário crítico, isto é, de muita incidência de raios UV. Muita gente acredita que mesmo que você esteja em um ambiente fechado, não está submetida à ação solar. Mas você já está recebendo radiação solar a partir do momento que o sol nasce, mesmo no escritório, por exemplo. Eu indico para que as pessoas que têm uma tendência maior de ter manchas de sol não fiquem expostas de forma horizontal.

O protetor solar é um excelente mecanismo de defesa, costumo dizer aos meus pacientes que é uma regra, e que passá-lo deve ser tão natural quanto escovar os dentes. A proteção também pode ser mecânica, como chapéu e óculos de sol, por exemplo.

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Como eu descubro qual é o protetor solar adequado para a minha pele?

A melhor forma de descobrir é se consultando com um profissional, porque o médico estudará seus antecedentes, sua descendência genética, o aspecto da sua pele e indicar um produto já existente no mercado ideal para você. Mas nada impede de você fazer o teste de alergia, para comprar algum que uma pessoa que tem a pele parecida com a sua indicou. Entretanto, você pode testar protetores com vários fatores de proteção, mas caso você escolha um inadequado, poderá ter queimaduras dependendo do tempo em que ficou exposto ao sol. E todo esse desconforto pode ser abreviado caso você procure, de imediato, um profissional.

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Quais horários são indicados para tomar sol? E em quais outros ele se torna mais nocivo para a pele?

Geralmente, as pessoas falam que não é indicado tomar sol das dez da manhã às 15h da tarde. Nesse período de tempo, o setor de radiação UVB, um dos principais causadores de câncer de pele é maior. Mas eu costumo falar para meus pacientes fazerem o teste da sombra, que consiste em ficar de costas para o sol. Na hora que o sol bater nas suas costas, você vai projetar uma sombra. Você só pode se expor ao sol se a sua sombra projetada for bem maior que você. Caso ela seja do seu tamanho, não é indicado. A regra do horário é válida, mas em alguns lugares, com o horário de verão, o fuso é diferente. E também depende da região onde você está. Por exemplo, no nordeste, o sol nasce mais cedo, então essa regra do horário muda, mas com esse teste da sombra, não tem erro.

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Há algum produto de beleza muito utilizado no verão que, em exposição ao sol, aumente as chances de ter alguma alergia ou manchas na pele?

Todos os ácidos, de uma forma geral, são prejudiciais porque tiram a camada de proteção da pele. Mas existem alguns, como o retinóico, que são fotossensíveis, eles ativam com a radiação e podem provocar uma dermatite grave. Por isso, eu indico que caso você vá à praia ou tomar sol, não passe nenhum produto cosmético. Vá de pele limpa. Porque às vezes, esses produtos têm componentes que a gente desconhece e podem provocar alergias. Agora, se é um produto indicado pelo seu dermatologista, não tem problema. Eu sempre indico para que os meus pacientes passem somente o protetor solar.

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Quais são os lugares do corpo que necessitam de mais atenção?

As regiões que carecem de um maior cuidado são aquelas que são mais expostas durante hemossiderinao ano e não podem ser cobertas com roupa. Rosto, orelhas (para aqueles que não tem cabelo comprido, recebem a radiação solar perpendicularmente), pescoço e colo são as mais críticas. O dorso das mãos também envelhece muito, então merece mais atenção. Os braços também, principalmente para aquelas pessoas que não têm pelos. O resto do corpo, apenas se for à praia ou tomar sol na beira da piscina.

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Vamos supor que eu tenha várias manchas de sol na pele. O que posso fazer para combatê-las?

Hoje, o tratamento mais moderno é feito com laser. Então, você pode trabalhar com um tipo de laser que evapora as manchas, que é o único que é capaz de captar as manchas mais graves. Você também pode retirar as manchas que estão localizadas na parte mais superficial da pele com o peeling. Este método pode ser dividido da seguinte maneira: o mecânico, que retira uma camada da pele através da abrasão, que pode ser feito com cristais, lixas; e há também o químico, que pode ser subdividido em vegetal, sintético e biológicos, com enzimas. Esse último tem um custo menor. O peeling também pode ser feito em casa, com cremes que inibem a formação da melanina. Eles atuam no sentido de tirar o depósito de melanina. Agora, quando falamos de melasma, é muito difícil conseguir retirá-lo apenas com cremes.

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Caso eu queria tomar sol para ficar mais bronzeada neste fim de semana. Quais são os cuidados necessários que eu devo tomar antes e depois do processo?

Atualmente, o padrão de beleza da pele é o bronzeado, e há uma busca constante por métodos de bronzeamento. Mas isso também tem aumentado o índice de câncer de pele num nível mundial. Por exemplo, os Estados Unidos proibiram alguns anúncios publicitários de serem veiculados por atrelarem o ideal de beleza ao ato de se bronzear. Entretanto, eu acredito que seja muito difícil de mudar essa mentalidade. Recentemente, participei de um congresso realizado na Austrália, e a maioria dos profissionais da área foram de navio. Eu me assustei bastante quando vi que a maioria dos médicos, que têm ciência do aumento gigantesco do câncer de pele, estarem na piscina às dez da manhã. Eles sabiam que naquele horário não era indicado que estivessem expostos à radiação solar. Ainda na Austrália, dados recentes apontam um crescimento de 1000% de câncer de pele. Mas é sempre assim, o ser humano não se atém à gravidade do problema até que aconteça com ele. Então, como é praticamente impossível de proibir as pessoas de tomarem sol, eu indico sempre e repito: use o protetor solar, pelo menos, para não sofrer tanto e evite tomar sol em horários mais críticos.

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É muito difícil você achar um produto específico para pele negra e pouco se divulga sobre os cuidados diários para uma pele com mais melanina. A pele negra também pode ter manchas de sol?

Pode, e aliás, a mancha de sol na pele negra é mais grave. Pessoas com a pele mais escura, geralmente, não apresentam porque o nível de melanina é mais homogêneo na pele. Isso acontece com mais frequência em negros de pele mais clara, que possuem depósitos heterogêneos de melanina. Então, é mais grave.

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A gente vê em muitos lugares que o limão é um dos principais catalisadores das manchas de sol. É verdade? Quais outras frutas e substâncias que podem ser nocivas para a pele quando se expõe ao sol?

O limão, na verdade, causa um problema patológico chamado de fitofotodermatose. Um fenômeno químico que provoca uma queimadura local e acaba formando uma mancha. Às vezes, o limão pode causar uma mancha tão grave que você pode até ter que ir para o hospital. É sempre recomendado não manipular frutas mais ácidas no sol, como urtiga, figo, e é claro, o limão.

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