Grandes orquestras internacionais só vieram ao país graças a ela

Difundir a música clássica no país é a missão da alemã Sabine Lovatelli, fundadora e presidente do Mozarteum Brasileiro

Hoje, com a agenda cultural do país repleta de apresentações variadas, pode ser difícil de acreditar, mas houve um tempo em que ouvir música clássica de qualidade ao vivo no Brasil era missão quase impossível. Sem convite nem incentivo, as orquestras internacionais raramente colocavam o país no roteiro de suas turnês. Graças à alemã Sabine Lovatelli, essa história mudou. Como forma de contribuir para a comunidade e sentir-se integrada à terra natal do marido, Carlo Lovatelli, ela começou a se engajar para trazer concertos de música erudita para cá. Foi assim que, em 1981, surgiu o Mozarteum Brasileiro, prestigiada associação cultural, em São Paulo, que neste mês completa 35 anos e da qual Sabine, 68 anos, é presidente.

“A educação musical é algo natural na Europa. Já aqui existe a ideia de que música clássica é elitista e para mais velhos, o que não é verdade”, diz a alemã. Com muito jogo de cintura, disposição para bater de porta em porta e ouvir muitos “não”, Sabine conseguiu que, já nos primeiros anos, o Mozarteum trouxesse algumas das maiores orquestras do mundo. Mas não ficou só nisso. No ano de abertura, ela implementou a série Concertos do Meio-Dia, no Museu de Arte de São Paulo (Masp), na qual artistas nacionais se apresentavam com entrada franca. As plateias, sempre cheias, confirmavam que a falta de acesso era o grande impedimento para os brasileiros apreciarem música clássica. “Para gostar de música, não é preciso saber tocar um instrumento; basta ouvir”, defende.

Hoje, as orquestras convidadas pelo Mozarteum não se limitam às apresentações pagas, em geral na Sala São Paulo. Sempre que a agenda dos músicos possibilita, eles também se apresentam com entrada franca no Parque do Ibirapuera. “É muito importante as crianças se acostumarem a eventos assim. Por isso, promovemos matinês para o público infantil”, conta Sabine. Para aproveitar ainda mais a passagem deles pelo Brasil, os artistas visitantes são convidados a dar aulas a estudantes de música, nas chamadas master classes. “É incrível a solidariedade entre eles. Com frequência, dão um número maior de aulas do que o combinado.”

Se algum aluno se destaca durante esses cursos, é selecionado e recebe uma bolsa do instituto para estudar em importantes academias internacionais – até hoje 131 brasileiros já chegaram a escolas como a Academia da Filarmônica de Berlim e a de Música de Cracóvia, na Polônia. Sabine encara essas iniciativas como um dever: “Tudo isso se desenvolveu por necessidade. Nada foi feito porque eu quis, mas porque era preciso”.

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